segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Conclusões da introdução

Na ultima sexta-feira aconteceu uma coisa curiosa comigo. Calma, não tem nada a ver com arabes, policiais ou quedas de bicicleta. Mas antes de falar sobre o caso, uma pequena introdução - que pode durar até o ultimo paragrafo.

Sempre me perguntei como seria a minha adaptação na França, mas toda vez, antes mesmo de raciocinar e colocar os pontos positivos e negativos sobre a mesa pra analise, eu me desesperava e começava a choramingar. E a chorar. E a berrar. No entanto, pra minha surpresa, uma vez aqui, eu nunca me peguei roendo, desejando voltar, tomada pelo banzo. Inclusive, quando as pessoas me perguntam, com uma voz meio "solidaria", se eu gostaria de voltar pro Brasil, se espantam quando eu digo um espontâneo "não".

- Eh melhor aqui ou la?
- Aqui.

- Você pretende voltar?
- Pras férias.

- Você telefona muito pros seus pais?
- Eh, telefonei uma vez...

E assim por diante. E antes que vocês tirem suas conclusões, não, a França não me deixou "fria" e muito menos eu fiquei maravilhada pela "civilidade" (cof cof) francesa. Acho que as pistas pra encontrar o motivo dessa "dureza" repentina são questão de auto-sobreviência e rancor. Vamos apresentar nossos candidatos:

Questão de auto-sobrevivência: apesar de pequena, a minha cidade abriga todas as maiores felicidades que eu tive na minha vida, seja em forma de pessoas, de comidas, de bichos ou de lugares. De infeliz, João Pessoa soh tem o nome. Estar longe dela não é uma tarefa facil, por isso, não basta estar aqui, tem que estar desconectada de lah. Eu evito pensar na cidade, nas pessoas, nos cheiros, nas sensações e, na maioria das vezes, obtenho sucesso. De outra forma, minha permanência aqui seria, no minimo, impossivel.

Rancor: soh depois de sair de casa é que realmente me dei conta de que era um inferno viver dentro dela. Eu tinha consciência de que eu nunca tive, e de que eu nunca teria, o que as pessoas chamam de "lar doce lar". A convivência com meu pai era insuportavel e o sofrimento da minha mãe me consumia o figado. Eu aguentava porque aquela era a unica forma de "viver" que eu conhecia e, principalmente, porque eu nunca tive condições financeiras pra sair daquela situação. Hoje eu trabalho, não dependo de ninguém (ouviu bem, otario? ninguém!), moro com gente mentalmente saudavel e equilibrada, então... Eh, eu acho melhor morar aqui, obrigada.

6 comentários:

Leonardo disse...

"Ouviu bem, otário? Ninguém!" Senti aqui o que você quis dizer com "rancor". Só toma cuidado com isso, ok? Pode virar ódio. E ódio enrijece o músculo cardíaco... Faz mal pro coração. ^^

Aline Mariane disse...

olha, gosto muito daqui, tem muita coisa boa, minha vida nem é lah tao diferente. Mas uma coisa eu tenho certeza: vou voltar pro Brasil. Ou vou morar num outro pais em desenvolvimento (mas pra que complicar?! ja sou brasileira mesmo, mais facil!). O que nao da pra acostumar por aqui é essa sensaçao de que tudo ja foi feito... Você nao sente isso?!

Bel Butcher disse...

Gosto daqui. Mas, no momento, não é pra sempre. sei que tenho que voltar. Mas lá, no Brasil, talvez diga que também não será pra sempre. Gostei de morar fora. Gostei da aventura.
Quem sabe daqui a pouco arrumo a mochila de novo e me mando para outro lugar...

Anônimo disse...

Espera alguns anos...
Tudo o q eu sempre quis na vida foi sair de Joao Pessoa. Lembro de uma briga tao feia que tive com mainha sobre isso quando tinha 12 anos que ela disse que ia me expulsar de casa quando eu fizesse 18 anos... o_O Hm, nao, ela nao foi sempre equilibrada... hehe
E a gente brigava tanto e por tanta besteira... ainda acho que seria dificil morar com ela novamente. Mesmo assim a gente amadurece e a saudade aumenta com o passar dos anos. Lembro que no meu primeiro ano de Holanda eu achava isso aqui o melhor pais do mundo e que se pudesse estudar aqui nunca mais voltaria para o Brasil. Ja nao penso mais assim. Eu perdi a chance de ver o meu irmao crescer, os churrascos de familia no fim-de-semana (que eu nao era muito fa), os fins de semana na Praia de Campina (que eu odiava)... meus pais estao envelhecendo e eu estou perdendo tudo isso. Eu quero saber quem a minha irma esta paquerando, quem sao os amigos dela, se ela esta aproveitando a vida da melhor maneira possivel... O pior de tudo eh quando alguem morre e voce nao esta la; e voce nao esteve la quando ele precisou de voce. Eu sei que essas sao consequencias de uma decisao importante, mas elas pesam bastante e sempre vao pesar. Eu sei tambem que se voltar a morar no Brasil vou sentir incriveis saudades da Holanda, do povo daqui, da comida, dos restaurantes, das pessoas na rua de Amsterdam falando linguas que eu nunca ouvi e ate dos Coffee Shops. A gente sempre vai estar dividida.

Beijos,
Maira

Anônimo disse...

A gente tem de viver onde a gente mora e ponto final. E nem todo mundo que sai de seu país sente vontade de voltar... sentir saudade de mãe que enfernizou nossa vida? Eu não sinto falta da minha. Sentir falta de churrasco? Não como carne. Sentir falta de praia? Não gosto de areia... e por aí vai.

Se eu voltasse pro Brasil sentiria falta da ópera (preço acessível em país de primeiro mundo), sentiria falta de teatro (acessível em qq cidadezinha de país do primeiro mundo), sentiria falta dos livros que posso ler sem precisar comprá-los (acessível em bibliotecas públicas em país de primeiro mundo... toda cidadezinha tem boas bibliotecas) e por aí vai. Nem todo mundo que sai de seu país mantém o cordão umbilical atado. --Sem Saudade de Lá

Mayra disse...

tu ainda vai ouvir falando isso, rapariga: "Eu tinha consciência de que eu nunca tive, e de que eu nunca teria, o que as pessoas chamam de 'lar doce lar'... Eu aguentava porque aquela era a unica forma de 'viver' que eu conhecia e, principalmente, porque eu nunca tive condições financeiras pra sair daquela situação. Hoje eu trabalho, não dependo de ninguém" e voce sera uma das pessoas que eu vou agradecer, por me mostrar que é melhor sair "direito" (bem feito) do que logo!

:*

Talvez

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