quinta-feira, 26 de novembro de 2009

[religião I] Meu pai pode

Nossa! Acho que nunca vi tantos posts sobre religião/Deus/Biblia em tão curto espaço de tempo. Um, dois, três, quatro, cinco. E, como tenho algumas coisas a comentar, seis. Na verdade, o que eu tinha pra comentar, ja comentei no espaço dado a isso em cada blog. O que me leva a fazer esse post é simplesmente o fato de eu estar meio triste (depois explico o porquê. Ou não) e não estar com saco de enfrentar esse assunto via blog. Gostaria de ter capacidade intelectual e moral pra fazer um post como fizeram as meninas. Na falta disso, escrevo um texto mais leve, contando das minhas experiências com a religião.

Pois vamos contar uma historia. Adoro contar historia!

Meus pais são de Campina Grande, interior da Paraiba, assim como eu e meus irmãos. Quando nos mudamos pra João Pessoa, eu tinha dois anos, por isso, passei toda a minha infância e começo da adolescência viajando bastante com minha familia nos fins de semana pra Campina Grande. No domingo, sempre havia uma igreja pra eu ir, ja que meu pai veio de uma familia supercatolica e minha mãe, de uma familia protestante.

Minha avoh materna ria da minha avoh paterna dizendo que ela soh saia de casa pra visitar três lugares: cemitério, hospital e igreja (e era verdade!). E la ia eu, ora enfiada numa superigreja velha, cheia de canto triste (Igreja Catolica) ou enfurnada numa igreja clara e cheia de gente jovem cantando musicas mais felizes, a Igreja Protestante.

Um dia, eu tava na casa da familia protestante (materna) quando vi, la no final da rua, minha avoh catolica se aproximando. Eu devia ter uns oito anos, mas sabia perfeitamente que o encontro entre minhas duas avos ia dar em briga, porque elas sempre brigavam e eu achava que era porque minhas avos não gostavam de seus respectivos genro e nora. Que nada!

La vem vovoh subindo a rua (se arrastando). Ela chega. Minha avoh protestante da boa tarde desconfiada e a "conversa" começa. Eu nem faço idéia do conteudo da conversa, não lembro mais, mas nunca vou esquecer da frase que fechou o dialogo:

- ...porque protestante é uma merda!
- E catolico é uma bosta!

E nesse momento, as duas velhinhas religiosas se deram as costas e foram embora. Essa foi minha formação cristã. Depois disso, enfrentei dois anos de colégio de freira e um ano num colégio de padres que não acrescentaram em nada na minha formação religiosa. No colégio de freira (que faliu), eu ficava falando sobre Cavaleiros do Zodiaco com minhas amigas e no colégio de padre (que faliu), eu batia nos meninos.

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Pai: além de catolica, a familia do meu pai é muito supersticiosa. Muito. Uma vez, eu disse a minha avoh que eu tava com dor de barriga. Ela me puxou pra cozinha, colocou uma cadeira na frente do fogão, me fez subir na cadeira, verificou se as bocas do fogão estavam frias e, como viu que estavam, pegou meu pé direito e, rezando qualquer coisa, colocou meu pé em cada uma das bocas. Eu adorei! No final da sessão, eu fiquei supercurada! Uma vez eu varri o pé dela sem querer e ela soltou um grito dizendo que eu não podia fazer aquilo senão eu não arrumaria marido (acho que eu devo ter varrido mal o pé dela).

#1 Meu pai soh faltava trucidar a gente quando tiravamos o tênis do colégio sem desamarrar os cadarços. A explicação razoavel era de que os nohs deixados no sapato prejudicavam a saude dele. Como? Não sei. #2 Passar por cima do irmão que tava deitado no chão (enguiçar) também era erro grave: isso comprometia o crescimento do individuo enguiçado. Por algum motivo meus dois irmãos tem mais de 1,80m. #3 Sempre que meu pai passa por uma igreja catolica, ele faz o sinal da cruz. E ai de quem estiver no carro com ele e não o fizer! Ele grita, berra e amaldiçoa! #4 Ele tem uma corrente de ouro pendurada no pescoço com a imagem de Jesus Cristo. Desde que eu me entendo por gente que essa corrente tah pendurada no pescoço do meu pai. Um dia, ele tirou a corrente pra jogar futebol e colocou debaixo do banco do motorista do carro dele. O frentista de um posto em que ele abasteceu o carro viu a corrente, sei la como, e a pegou. Meu pai, quando chegou em casa, deu pela falta da corrente, sacou que tinha sido o frentista que havia pego e simplesmente voltou ao posto de gasolina com uma faca na mão, uma faca do tipo Crocodilo Dundee que ele tinha. Jesus deve ter ficado hiperorgulhoso. #5 Nos ultimos anos, a situação financeira la de casa (e da de todo brasileiro médio) se complicou e, com isso, vieram os xingamentos à Cristo. Cada vez que minha mãe tentava consolar meu pai dizendo que Deus era justo e que ia ajud... "Porra de Deus! Deus não existe não! [olha pro céu e...] Deus, vai tomar no cu!" Meu pai pode.

*As duas imagens deste post são de Santa Luzia e São Sebastião. Ambas enfeitavam a sala de estar da minha avoh paterna.

6 comentários:

asnalfa disse...

Eu tb adorava cavaleiros do zodiaco!!! Ah infancia!!!
Ainda bem que sou ateu! Fizeram ma pesquisa e descobriam que ateus são mais inteligentes que religiosos!
Na minha familia nao tem ninguem fundamentalista assim nao! "Graças a Deus!".

Aline Mariane disse...

ei, também vou escrever! Mas depois, semana que vem. Preparei um comentario gigante para a Amanda, mas da dando tilt... Sera que o seu esta funcionando?!
So quero comentar que eu também tenho familia "mista", mae catolica pai protestante, também cresci indo nas duas igrejas, mas minhas avos se dao muito bem. Acabei catolica sei la por que. Ou melhor, sei sim, contarei depois. Quanto mistério... hihih
Cavaleiros dos Zodiaco é o que ha! Ja viu a versao francesa? A musiquinha é a mesma tosca e a voz do Seya é mais de macho. Incrivel como é um desenho eterno, meus primos crianças la no Brasil e os sobrinhos de 6 anos do Loic aqui na França adoram!
Bjss!

Leonardo disse...

Cavaleiros do Zodíaco não era a melhor coisa que passava na TV? Tenho toda a coleção em DVD aqui, sempre que dá vontade assisto um episódio. ^^
Até eu tava pensando em me aventurar e escrever algo sobre religião, mas acho que desta vez vou deixar passar (os textos já escritos estão tão bons que o meu ficaria insignificante).
Na casa da minha avó também tinha um quadro da Santa Luzia. Acho que tenho uma espécie de trauma com ele, quando eu era pequeno tinha medo daqueles olhos na prato que ela tá segurando e até hoje não gosto dele...

Amanda disse...

Eu detesto essas imagens de santos! Imagina, ver um cara cheio de flechas na sala da avo? Deus e livre, hehehe! Pior foi quando eu li um livrinho religioso sobre santos que ganhei quando fiz comunhao: todos tinham fim tragico e barbaro! Realmente nao combina com nossa vida atual.

Aline, trate de postar o comentario grandao la, viu? Quero ler, hehehe!

Ah, Luci, o Sindrome de Estolcomo tbm publicou algo do gênero.

Anônimo disse...

As duas velhotas, entre merda e bosta, passaram a respectiva religião pra categoria de fezes...

mafaqueta disse...

menina, no instituto sagrado coração de jesus (vulgo colegio onde eu estudei do jardim à sexta série) era proibidíssimo enguiçar o colega. pior que a gente fazia sem que nenhum inspetor visse. mas ainda sim era motivo de briga entre os boys, que perdiam a estribeira gritando: "ME DESENGUIIIIÇE!!!"

sempre morri de rir com essa historia e no teu post nao foi diferente.

Talvez

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