segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Juliana vai à Chateaubriant

Pela primeira vez na vida, eu entendi o real sentido da palavra férias. No Brasil, férias somente era a prolongação da vida cretina que eu ja levava normalmente (casa - mesa de bar - faculdade - mesa de bar - casa)*. Nossas férias duraram apenas 11 dias, mas foi o suficiente pra um pequeno tour na França (vide mapa).

Passamos o Natal na casa dos pais de Camilo, em Loire-Atlantique (norte), na pequena commune de Chateaubriant. Eu queria não fazer a cretinice de comparar a pequena Chateau de 12 mil habitantes a qualquer pequena cidade brasileira, mas é impossivel não se surpreender. Ou fazer comentarios matutosos. Por exemplo, não importa onde você va, que rua ou estrada pegue, por qual vale ou montanha ande, ou o quão pequena seja a cidade, todas as ruas francesas são asfaltadas. Não "calçadas", asfaltadas. E se ela não for asfaltada, é na intenção de conservar o pavimento historico sob nossos pés. Louvavel.

Quando Camilo me falava sobre a cidade, eu imaginava que iria encontrar as casas separadas por quilômetros, uma pequena venda perdida em alguma rua e as cabras pastando entre as casas. Mas a pequena Chateaubriant tem, além de um castelo (chateau = castelo), ruas asfaltadas, ladeadas de flores. Tem um cinema de porte médio (dez filmes por semana), um teatro abrigado por um prédio de vidro, conservatorio de musica, dança e arte dramatica, mediateca, biblioteca, boliche, piscina olimpica etc. Os bares tampouco aparentam fazer parte da estrutura de uma pequena cidade: estilo pub inglês, com decoração estilosa e barman tatuado dos pés a cabeça. Eh, não lembra muito Cajazeiras...

Chegamos exaustos e ja nos sentamos à mesa pra Ceia de Natal. Comer na França é uma coisa quase cansativa. Uma refeição festiva aqui pode durar facilmente cinco horas. Francês é um povo que come muito e come bem. As porções de passarinho no prato tem uma explicação: você começa pelos aperitivos, passa pra entrada, vai ao prato principal (pode ter um, dois...), depois vem a salada, os queijos e, por fim, a sobremesa. Ao final, meu amigo, você estara seguramente farto. Quer dizer, satisfeito.

No dia 27, fomos ao almoço de familia organizado pela voh assassina de Camilo. O troço começou depois do meio-dia e terminou no começo da noite. Eu começo a entender porque Camilo tem me chamado de gordinha. Antes do almoço, passei duas horas tentando relembrar o nome de todas as tias e primos e maridos de sei la quem pra que, ao final, eu fosse chamada de Juliana pela tia de Camilo. So não a sacrifiquei porque minha ira foi aplacada por uma caixa de chocolate que ela nos ofertou. Humana!

*"Mesa de bar" pode ser trocado por "cinema" e "casa" pode ser trocado por "casa dos outros"

6 comentários:

asnalfa disse...

Invejinha!
*-*
Quero que vc come ostras, mexilhoes, vieiras, lagostins e me conte como é o sabor.

Rita disse...

Luci,

oi, oi, oi, não nos conhecemos, nem virtualmente, mas digo vários ois porque sinto que gostaria de já ter trocado ideias contigo. Teu último comentário lá no blog da Lola rendeu um post em meu blog. Apareça para conferir, se quiser.

Voltarei a seu blog com a calma devida para passear por aqui. Por ora, beijocas e até já.

Rita

Amanda disse...

Puxa, Luci, comigo é o contrario! No Brasil eu viajava até nos fds de 3 dias, enquanto aqui eu nao sei o que é férias ha quase três anos! Bom, dei umas escapadinhas, mas bem rapidas.

Quando eu vi o titulo, pensei, mas quem diabos é Juliana? Dai achei que devia ser uma nova amiga de 5 anos que vc tinha arranjado na casa da vo do Camilo, como da ultima vez.

Beijos!!

Drixz disse...

HAhaha! O meu marido me chama de capial... Eu fui pra uma cidadezinha que era bem menos progressista que Chateaubriant. Chamava-se Lathus e ficava em Poitou-Charrentes. Lá só tinha um telefone público e no CPA onde eu fiquei só tinha uma internet. Mas o que me surpreendeu foi o tamanho do cemitério. A maioria mortos de guerra.

luci disse...

asnalfa: nao sou muito fã de coisas que vem do mar. eu ainda como peixe porque a mae de camilo eh vegetariana e quando serve essas coisas, eh feio recusar, neh? mas camarao e ostra e qualquer outra coisa que possa se mexer esta fora de cogitacao. =X

rita: [comentado no blog dela]

amanda: anette! era anette e ela so tem 4 aninhos hihihi eu a vi de novo no tal almoço de familia. de novo, a gente brincou que soh. ela eh meio violenta hahahaha e, em certo momento, enquanto eu me esforçava pra falar com ela em frances, ela perguntou "por que tu ta falando ingles?" dai voce tira o quanto eh bom meu frances...

drixz: nossa, vou passar longe dessa cidade! voce REALMENTE foi pro meio do mato. mas la era asfaltado?

Mythus disse...

Antes de tudo: obrigado por colocar os comentários como pop-up :^)

Bem... sobre férias minha relação é completamente diferente. Sempre fui da iniciativa privada, sempre "todo dia é dia". E normalmente eu tirava uma semana ou duas de "férias" por ano, fugindo pra São Paulo.

Hoje fico até desacostumado com esse ritmo de horário de trabalho, ponto, etc. Mas, viajar, sempre é bom.

PS: não sabia dessa neura francesa com asfalto. Não é meio dispendioso pras cidades com pouca renda? (ou isso não existe no país?)

Talvez

Related Posts with Thumbnails