quarta-feira, 28 de abril de 2010

A hora do pesadelo

Eram 21h quando a familia na qual eu tava interessada me mandou uma mensagem dizendo que me queria como babah. Massa, porque eu não aguento mais ficar em casa coçando o saco. E hoje, eu deveria passar (e passei) o dia na casa do guri, juntamente com avoh dele, pra que ele comece a se adaptar à minha presença, afinal, ja que eu vou ser a babah dele, o minimo que os pais esperam é que a gente se suporte.

O dia ja começou bem: minha ansiedade me acordou às 4:30h da manhã. Fiz xixi, voltei pra cama, deitei de bruços, deitei pra cima, de lado, de frente, de banda e nada. Pensei em todas as coisas boas e ruins que poderia naquele momento e, quando vi, me dei conta de que tinha perdido minha bolsa na UFPB. Quando achei a bendita, vi que tinham furtado minha carteira e meu celular. E pensei logo no meu titre de sejour! "Merda!" Daih comecei a gritar muito e fui acordada pelo despertador. 6:45h.

Sabe quando Freddy Krueger chega na casa da pessoa pra mata-la? Pronto, o menino teve uma reação parecida à minha chegada. Soh fazia correr e gritar. A diferença é que Freddy Krueger pegava ele nos braços e fazia biquinho. Respirei profundamente fingindo que eu sou uma pessoa paciente e continuei a sacudir todos os brinquedos que estavam dispostos sobre o tapete da sala, mas o guri soh queria a avoh. E a avoh tentava me acalmar dizendo que era normal, que depois ele melhoraria.

Por coincidência, era o primeiro dia do menino na creche e aqui na França se costuma fazer uma adaptação entre bebê e creche, nesse momento: no primeiro dia, os responsaveis deixam a criança por somente 30min na creche. No segundo dia, deixam por uma hora e assim por diante. Quando fui deixa-lo na sala da creche, ele me agarrou com tanta força, que duvidei que ele soh tivesse um ano de idade. Meia hora depois, quando voltei, o guri ainda tava soluçando e me abraçou lindo! Nada pior do que o pior, deve ter concluido ele.

A avoh foi perfeita comigo! Me deu todas as dicas, me acalmou, me ensinou um monte de coisa, conversamos bastante. O que eu vi durante o dia foi uma avoh superapaixonada, que de cinco em cinco minutos beijava o menino e tudo o que este fazia era rir largamente com os apertos da avoh.

A mae me disse, "Eu não quero que você o trate como se ele fosse sua maritonete. Ele não sabe falar ainda, então, quando ele disser 'dadada', eu não quero que você repita isso (em tom de brincadeira), quero que você sugira a ele o que ele esta tentando dizer". Tipo assim, o menino em questão tem um ano de idade. Dialogo possivel:

- Gaaah! Dadadiiidiii!
- Ah, você acha que Freud estava certo quanto à questão do inconsciente?
- Bubububu! Gagagah!
- Eu discordo plenamente do seu ponto de vista, garoto.
- Tatatiiiiii!

Claro que entendi o que a mãe quis dizer (quando ele gritou qualquer coisa desconexa hoje à tarde, perguntei "ah, você quer sua mãe, ela tah bem ali, vamos lah?"), mas é foda escutar coisas do tipo "não trate ele como se fosse sua marionete". Soh faltou ela dizer que o pirralho podia discutir fisica quantica e que eu deveria trata-lo "à altura". Isso tudo me deixou meio desconfortavel, ainda mais porque ela disse que queria conhecer Camilo! Algum patrão de vocês ja disse que gostaria de conhecer seus respectivos namorados/maridos/companheiros? Pois é, também achei estranho.

11 comentários:

asnalfa disse...

Que bom que vc começou a trabalhar de volta! Certeza que não quer o emprego na sorveteria?
Vê se não coloque palavras na boca do menino. Detesto quando alguem interpreta algo errado do que eu disse.
Boa sorte.

Bel Boucher disse...

Bicho, francês é maluco.
Bonne chance!

::: Luís Venceslau disse...

Sem exageros, eu acho q a mãe aí tá certa. Esse negócio de falar com criança imitando criança pra mim só emburrece. Eu tenho uma prima q vai fazer 3 anos e com ela não teve isso. Tanto q antes dos dois anos ela já sabia o alfabeto, contar até 10 e todas as cores, entre outras coisas. Claro q não depende disso, mas acho q ajuda a desenvolver o vocabulário.

E sobre a questão do comentário anterior, eu concordo ctg. Nem todo mundo se encaixa nos padrões impostos, nos clichês de gênero. Mas acho q uma mulher ter mesmo jeito pra compras ou um cara ser apaixonado por futebol não significa q sejam manipulados, influenciados. Eles podem mesmo se sentir felizes assim, e ninguém tem como dizer o contrário..

luci disse...

asnalfa: ah, eu nao vou colocar nada na boca dele. soh papinha mesmo. deixo essa responsabilidade de colocar palavras pros outros...

bel: achei que soh eu pensasse isso :F

luis: nao, eu nao discordo da mae. pelo contrario! criança nao eh idiota, pô. se voce diz "nao, PORQUE tal coisa..." ele vai entender rapidinho. esse menino eh assim: soh tem um ano, mas basta olhar pra ele, que ele ja sabe o que tah fazendo de errado ou nao. e eh assim que eu pretendo educar meus filhos, caso eu os tenha. na base da conversa, logo depois que ele virar zigoto.

mas em relacao ao comentario anterior, eu nao quis somente dizer que nem todo mundo se encaixa no padrao. na verdade, apesar de eu concordar com isso, nao quis puxar a discussao pra esse caminho. soh quis dizer que as pessoas agem de uma forma ou de outra porque sao educadas desde pequenas a fazer isso ou aquilo, que nao eh uma coisa biologica e inerente ao sexo. somente isso que eu quis dizer. e eu tambem nao tou dizendo que uma mulher nao deve ficar feliz vendo vitrine. se eh a lombra dela, beleza, mas seria bom que ela nao me saisse com "vejo vitrine porque eh coisa de mulher". aih eh pegar pesado, sabe...

Ana Flavia disse...

tudo tao engracado! que bom q a creche fez o menino se aproximar de vc.
Quanto a conhecer o seu par, é comum tb as familias irlandesas dizerem indiretamente para as au pairs "ah, seu namorado eh muito bem vindo aqui, ok.Traga -o para almocar um dia conosco".
Eu acho q é meio como julgar quem vc é pelos que andam com voce.
Boa sorte ai. Bjo

Luciane Curitiba-Pr disse...

Huahuahuahua. . imagina o desespero do menino na creche pra te agarrar qdo vc foi buscá-lo?? Guria, teus posts são hilários, ri horrores!!Boa sorte com o neném-filósofo, rsss. (E com a mãe dele).

Mirelle Siqueira disse...

Tenho gostado tanto dos ultimos posts que te indiquei para receber um selinho. Esta la no meu blog. Você vai achar démodé, je sais. Mas....

Caso me esqueçam disse...

ana flavia: da pra entender porque ela quer conhecer meu namorado, mas imagina: quer dizer que eu poderia ser a melhor baba do mundo, a mais experiente, e ela poderia me adorar, mas se ela nao gostasse de forma alguma de camilo, o que aconteceria? eu ia ter que mudar de namorado? Oo

luciane: descobri que eu realmente tenho mais medo da mãe do que do guri. mas vamos ver no que isso vai dar, ao menos ela nao vai estar todo o tempo comigo. e eu vou poder discutir em paz com o guri sobre kant. :)

mirelle: que bom que você gostou dos posts. e obrigada pelo selinho! gentil!

Mariana disse...

Fora a parte de conhecer o Camilo, também dou razão pra mãe. Esse negocio de conversar com a criança é uma instituição por aqui. E funciona que é uma beleza! Quando a Sofia era recem-nascida eu comentava isso la no blog. Adotei total essa pratica dos franceses! Pode crer que fazendo isso o menino no minimo vai ficar quieto pra te escutar! heheh
Ah, outra coisa: vo é mesmo uma faca de dois legumes! Elas acham tudo tão fofo que a criança começa a ficar tola! Fora a mania de dar tudo que a criança quer e ter pena de dizer não! Fica tudo muito no cuti-cuti e depois quem tem que aturar a manha é a mãe e o pai! Entendo TOTAL o terrorismo da mãe em relação a isso!
Boa sorte com o guri! ja ja ele vai estar se divertindo contigo!
bjus!

Rita disse...

Querida, não estranhe nenhum pedido. Não existe limite para a neurose das mães. Vai por mim.

Boa sorte!!

Beijos,
Rita

Caso me esqueçam disse...

mariana e rita: depois dos comentarios de vocês, refleti realmente "e se eu tivesse um filho" e cheguei a conclusao de que eu iria gostar de conhecar ate os vizinhos dos avohs da babah pra ver se eu ficaria tranquila. e mesmo assim nao daria heheheh

Talvez

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