quarta-feira, 21 de abril de 2010

O curioso caso dos bebês-geléia

Um trabalho para o Doutor Octopus

Finalmente me deixei influenciar por Amanda e comecei a procurar empregos como babah - aqui, chamada de nounou (nunú). Me inscrevi num famoso site da area e deixei meu humilde recadinho falando sobre minha grande experiência no ramo. Não, eu não a tenho, mas ninguém precisa saber disso.

Vi muitas propostas de emprego, mas a maioria era pro começo de setembro, quando eu pretendo estar estudando (se Deus existir e se Ele gostar de mim, é claro). Respondi às mensagens dos pais que mais me agradaram, mas essas mensagens provavelmente foram respondidas por outras duzentas nounous mais rapidas do que eu. Dois dias depois de cadastrada no site, finalmente recebo a mensagem de um pai que estah interessado numa entrevista comigo.

Vou poupa-los da narração da cruel conversa pelo telefone com o pai pra marcar a entrevista, mas posso garantir que, depois que isso foi feito, eu senti que poderia ir pra qualquer entrevista cara a cara sem correr perigo de desmaiar de nervosismo no meio da conversa.

Liguei pra Amanda e ela me deu informações valiosissimas como "se mostre motivada e disponivel. E sobretudo, não tussa em cima do bebê". Anotado! Fingindo calma, cheguei até o apartamento dos pais. Detalhe charmoso dessa proposta de emprego: eu teria que cuidar de dois bebês de seis meses e uma criança de dois anos, ao mesmo tempo, dez horas por dia (geralmente duas familias se juntam pra pagar uma soh baba). Pela minha quantidade de braços, achei que seria uma tarefa dificil. Mas dificil mesmo é o desemprego, meus amigos, então eu fui.

Fingindo segurança, levei meus dados pessoais e copia de identidade numa pasta e, quando toquei a campainha, escutei a voz do pai do outro lado da porta dizendo a alguém "vamos ligar pra você depois". Ou seja, tinha outra nounou terminando uma entrevista! Rezei pra que ela fedesse e não tivesse os dentes da frente. Quando a porta se abriu, vi uma mulher e eu fiquei sem saber se era a mãe ou a nounou entrevistada. Apertei a mão dela e, pela cara de espanto que ela fez, era mesmo minha concorrente. Hihi.

Na sala, a mãe de um bebê e os pais do outro bebê e da criança. O pai era um espetaculo de homem. Entendi porque a mãe tinha aquele sorriso. Alias, a mãe sorria tanto que achei que eu ja tava contratada. Mas infelizmente eu não sou assim tão falante em francês como sou em português. E foram muitos os momentos durante a entrevista que senti que eu deveria falar mais. Mas o pior mesmo, a coisa que acho que contribuiu pra uma imagem negativa minha, foi minha obvia falta de aptidão com as crianças.

Em certo momento, a mãe deixou seu bebê no sofa (ao meu lado) e foi se ocupar da criança que tava chorando. De repente, a outra mãe diz "opa, cuidado": era o bebê do meu lado que tava despencando pra frente. Ao invés de eu pegar a guria nos braços e ja fazer o H na frente da familia, eu soh fiz empurra-la carinhosamente de volta ao encosto do sofa usando somente três dedos. Véi, mas que agonia! Parecia que a menina era feita de gelatina. Quando encostei meus dedos nela, eles afundaram naquele monte de banha de bebê. Foi aih que pensei "o que porra eu tou fazendo aqui?!"

Quando a mãe chegou, pro meu alivio, ela pegou nos braços o bebê invertebrado e começou a dizer as coisas que eu deveria fazer. Entre o esperado, como leva-los pra passear e ajeitar a bagunça deles, estava dar banho nos três e passar as roupas deles. Olha, se eu tava com medo da historia toda, sorri interiormente pensando "quem tiver coragem, que seja contratado". Antes de me despedir, perguntei ao pai se ele precisava de alguém pra dar banho nele, mas ele negou.

[Em tempo: enquanto escrevia esse post, uma mãe do site me ligou falando sobre uma proposta de emprego de... três crianças. Ela disse que ia falar com outros pais sobre mim, mas espero que ela não ligue de volta. Medo].

17 comentários:

Ana Flavia disse...

Há, tempo atrás eu e minha mae cuidavamos de criancas de vizinhos pra fazer uma grana. Certa vez tinhamos sete pimpolhos lá (pra quatro bracos), mas bebes, nunca arrisquei nao, e ainda tres, só mesmo o Doktor Oktopus, como vc bem colocou.
Mas continua cadastrada, se vc achar assim criancas de mais de 2 anos, é "lidável". Eles bringam, jogam e tentam se matar uns aos outros enquanto vc até consegue ver tv ou olhar rapidinho na internet. Quando fui pra Dublin, primeiro me arrumei como Aupair de dois capetinhas de 2 e 4 anos. Eu fazia espada de jornais e brincava de guerrear o tempo todo, também botava musica e dancavamos, dai eles se cansavam e desmaiavam no sofá depois do almoco.
bjos, boa sorte

Calcinha de Cristal disse...

Quá-quá-quá!!!!! bebê-geleia!... que engraçado! Mas espero que vc já tenha trocado fralda alguma vez na vida. Porque bebê-geleia produz... geleia amarela! bj

Mariana disse...

Sabe, eu entendo a tua aflição... Quando ta tudo certo é supertranquilo cuidar dos pequenos mas quando o dia é daqueles e fica todo mundo chorando ao mesmo tempo, ae é dose! Mas olha, se vc estiver mesmo interessada no emprego Luci, vou te fala uma coisa, pega o bebê no colo e da uma de tia alegre!Se vc não tem experiência o que vai contar é o feeling e eu so iria contratar uma baba se sentisse que ela não so fica à vontade tratando de crianças como tem carinho por elas também... Porque francamente, se não tiver carinho envolvido, a chance de se acabar querendo esganar um ou outro é grande! e pensar que quando eu dava aula eu ficava com quinze pequenos de dois anos sozinha! Ninguém merece! Mas pelo menos eu não tinha que dar banho! E dez horas por dia é de matar hein!!! bonne chance!

Amanda disse...

Aposto como eles vão te ligar oferecendo o emprego! Isso por causa das preciosas dicas que eu te dei, claro. Dai o que vc faz? Aceita ou fica pobre de vez?

Dar banho não é dificil, o problema é deixar os outros dois sozinhos enquanto vc se ocupa de um. Que pessoal estranho, nunca me pediram pra dar banho nos bebês!

Três é dose mesmo, acho que nem eu, praticamente uma baba profissa, não daria conta. Mas por 6 meses, né Luci, até da. São 10h mas eles dormem tanto tadinhos, que passa rapido.

Luci disse...

ana flavia: vou tentar reproduzir a brincadeira das espadas tambem. dependendo da educacao deles, eu utilizo uma de verdade.

calcinha: eh, ja troquei muita fralda nessa vida (apesar de ter dito que nao tinha experiencia). quando minha irma nasceu, eu tinha 9 anos. comecei cedo a limpar bunda de gente alhei. e nunca vou esquecer o dia em que um pedacinho de coco dela rolou suavemente ate minha cama quando tentei troca-la. acho que nunca tinha chamado tanto palavrao na vida. e era exatamente assim: amarelo. gergh.

mariana: o pior eh isso: eu tambem soh deixaria meu filho com alguem que parecesse simpatico, agradavel. tudo bem que experiencia eh importante, mas imagina ter uma baba superexperiente que mais parece aquela tia malcomida? deus me livre, uoh.

amanda: o pior eh que eu era a segunda entrevistada do dia. hoje tem mais duas entrevistadas e segunda-feira, mais uma quinta baba. e deles disseram que vao continuar procurando! mas sei nao... em continuar pobre e ficar doida, acho que prefiro minha sanidade. tenho medo de sair jogando os bebes pela janela depois do primeiro choro (sabe que uma baba fez isso aqui em lyon? simplesmente arremessou o bebe na rua. ele morreu, tinha uns meses somente. "ele tava chorando demais"). razoavel.

Aline Mariane disse...

uau, olha que chique o novo design do blog! Que classe! Tem até umas girafas e uns elefantes!!
hehe, boa descriçao, os bebês sao seres invertebrados! Morro de medo deles (dos bebês, nao dos seres invertebrados!)
desde que vim pra França tenho feito bicos de baby-sitter, mas confesso que nao é o meu preferido (garçonete, lavadora de pratos e vendedora sao melhores). So cuidei de crianças que sabiam andar e usar copo, mesmo assim muito raramente com menos de 3 anos (minhas preferidas sao as que sabem ler). Em Paris dava pra escolher (o tempo todo cuidei de uma menina de 7 anos duas vezes por semana), aqui em Angers é mais dificil, ja que a maioria quer que saiba dirigir, entao so da pra ser baby-sitter de vez enquando, so repeti de casa uma vez. Nao é ruim e sao alguns eurinhos a mais. Talvez ser baby-sitter seja uma maneira de começar na area e ganhar experiência antes de ser baba de verdade, porque, nossa, 3 pequenos 10h por dia, aahh, é um pesadelo!! Entao, sugiro, cadastre-se também nas agências locais, dessas que oferecem serviço de ajuda em casa (aqui tem varias, Lyon deve ter mais!), depois da entrevista (algumas sao comos cursinhos de "nao tussa no bebê", hihi) ja te ligam direto pra um trabalhinho. Se a familia gosta de você (e precisa), te chamam de novo. Em doses homeopaticas...
Boa sorte!! Bjss!!

Iara disse...

Nossa, eu me reconheci tanto neste post! Quando eu fui pra França como au pair (note, eu fui pra isso, especificamente), minhas amigas no Brasil diziam que estavam com medo de aparecer no Fantástico a chamada: "babá brasileira espanca criança na França".

Olha, numa boa, talvez crianças maiores sejam uma boa alternativa. 3 bebês pra quem não tem habilidade eu tô achando muito. Eu dei uma sorte danada de pegar 1 menina de 5 anos bem tranquila, então não tive muito o que reclamar da vida. Posso dizer que foi uma experiência enriquecedora. Mas me fez confirmar a falat de vontade de ter filhos. Marido é quem anda trabalhando isso e... bom, quem sabe daqui há uns 5 anos?

Boa sorte!

mon disse...

menina, mas tbm tu vai escolher bebês!! deve ser mto dificil pra quem nao tem experiencia. tenta uns guris mais grandinhos, que nao é o melhor trabalho do mundo nao, mas é grana e vc se diverte mais do que fazer faxina (porém se estressa mais tbm!).

luci disse...

aline: realmente, eu deveria começar do... começo. mas aih apesar de todo medo, eu tenho esses surtos de incrivel hulk. mas ainda vou lutar pra ter pelo menos UMA experiencia como babah. afinal, a trindade dos empregos de estrangeira eh "faxina, garçonete e babah".

iara: caramba, queria um sossego desse. hoje mais uma mae me escreveu dizendo que ja tinha arrumado uma baba. era pra uma criança somente. que tristeza...

mon: guria, o negocio eh que eu tou deseperada, neh? ou tu acha que eu GOSTO de ficar estressada? =~

Mariana disse...

Luci, respira fundo, sorria e foca nesse pensamento: pelo menos vc pode ir embora pra casa e acabou-se o stress... Quando o filho é nosso, os problemas continuam noite adentro!
Mas acho que persistindo, vc vai acabar encontrando alguma familia legal e tenho certeza que sera bem mais legal trabalhar de baba do que de faxineira... como diz a Amanda, "eles dormem muito tadinhos"! Tenho uma amiga que deu tanta sorte que esta até conseguindo estudar enquanto trabalha! vai que vc acha um monstrinho assim, bem calminho?
Força na peruca... para o alto e avante!
bjus!

Mariana disse...

ps: adorei o novo layout!!!

Rita disse...

Querida Luci,

diante do acontecimento recente da antena no ouvido (lembra?), devo ser honesta com você. Não tem um pra cuidar de uma criança por vez, não? Na boa, não quero assustar, mas ai... três... ui, credo. Eles dormem, é verdade, mas também acordam. Anote aí. Uma hora eles acordam. Good luck.

Em tempo: aqui, lendo seu post, risadas muitas.

Bel Boucher disse...

Quantas aventuras. Num dia, gravata do namorado, no outro, seres invertebrados te atacam... são tantas emoções, já diria o rei.

Agora, e aquela história de praticar o francês - já que com a faxina você entrava muda e saía calada -, não rola, mais, não? Sim, porque, com crianças invertebradas você não vai conseguir dialogar muito, né?

Cara, sinceramente, parte pra outra. Procure na universidade que você quer entrar, se eles precisam de gente na biblioteca; procure crianças já vertebradas e que já dialoguem; procure emprego em uma loja de jogos!!!! :-) (ok, essa é pra mim). Enfim, tente não sofrer muito. A vida já é dura o bastante.

Boa sorte!

Glória Maria Vieira disse...

Criança nunca foi meu forte. Acho fofas, amo tirar foto com elas, mas não tenho mais paciência pra passar horas do meu dia brincando, cuidando e etc. Meu irmão e meus dois priminhos menores tem suprido o resto de qualquer paciência que possa existir em mim. ASUHAUHSUHA Um dia, ou outro ainda vá lá, mas dias e dias e dose e no seu caso dose tripla, minha amiga! aushuahsuahsuah =/

Entretanto, não custa nada tentar, né? Faça um teste!;)

/fãnúmeroONE AUHSUAHSUAHSUAHUSH :*

Glória Maria Vieira disse...

Ah e outra,Luci: ficou linda a reforma do blog! *-*

Caso me esqueçam disse...

mariana: é, tocasse num ponto essencial: depois que eu chego em casa, a luta da mae continua na casa dela. ainda nao tenho nervos pra enfrentar um filho.

rita: minha mae escreveu dizendo a mesma coisa hehehe lembrou o dia em que deixei minha irmazinha escapar pro meio da rua (quem a trouxe de volta foi a vizinha porque ela, por acaso, estava no terraço da casa e viu minha irma de dois anos andando sozinha no meio da rua). e sabe, eu nao fiz querendo, simplesmente me abestalhei e aconteceu. daih ela perguntou se eu tava preparada, porque a responsabilidade pra cuidar de criança eh grande, ainda mais a dos outros!

bel: pior que passei por uma entrevista ontem pra cuidar de um bebe e falar com ele em portugues! hehehe tudo bem que nao ia fazer muito diferença falar em frances com um ser que nao vai interagir de forma alguma, mas eh verdade que trabalhar num lugar onde eu pudesse falar frances seria uma boa :/

gloria: nao, tah decidido! nao vou cuidar dessas tres crianças. nem pra teste hehehe vai que eu nao passo nele... Oo

que bom que gostaram do novo template :D

Andrea disse...

Hilário!!! ;)

Talvez

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