segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Quem vale mais?

Ontem aconteceu uma coisa muito chata e, apesar do post passado ser suficientemente triste, eu preciso escrever sobre o que aconteceu na esperança de poder esquecer. 

Ontem, vadiando no Twitter, cliquei num link deixado por uma conhecida. Era matéria de um jornal de Joao Pessoa anunciando o assassinato de um faixa preta em Jiu Jitsu. Parece que o cara tentou deter um ladrao que tentava assaltar uma conhecida dele e acabou levando três tiros no peito. Fechei o site, continuei no TT e cheguei, sei la como, no perfil de um conhecido que eu nao via ha muito tempo. Comecei a ler suas mensagens por pura curiosidade. Nelas havia palavras de condolência pela morte de um amigo. Quando li o nome do amigo morto nao acreditei, porque ele foi o primeiro cara que eu fiquei e, olha, é chocante quando você sabe da morte de alguém que você conhece, ainda que seja uma pessoa distante. E, sim, a materia do jornal sobre o cara assassinado era sobre ele.

Eu passei a tarde inteira chocada, pensando na morte babaca que o coitado teve (tentou parar um ladrao que ja tinha desistido de assaltar uma vizinha). Me peguei dando muita importância ao fato. Imaginei o quanto ele deveria ter sofrido enquanto estava caido na calçada, sangrando com dois tiros no peito. E quem poderia imaginar, no momento em que estavamos juntos, ha dez anos, que ele iria morrer tao cedo? Finalmente, quando Camilo chegou em casa, contei a historia meio triste e, finalmente, desatei no choro. Sabe quando você é criança, machuca o dedo, segura o choro e soh solta quando chega perto da mae? Foi isso que aconteceu. Chorei, nao tanto pela perda, que nao foi a minha, apesar de eu sentir muito, mas por sentir um desamparo, por me dar conta do quanto somos frageis - e todas essas reflexoes automaticas que soh a morte traz. 

Ninguém sai de casa esperando que vai morrer. A gente fica um pouco receoso por pegar um aviao, redobra o cuidado quando precisa fazer uma longa viagem de carro, mas ninguém se precave quando sai pra comprar pao, quando dobra a esquina de casa. 

Aih chega nego e me diz: "nossa, mas Joao Pessoa agora ta muito violenta, nao é mais a mesma". Ta nao, cara-palida, sempre foi violenta, o problema é que essa violência nao chegava à bolha na qual a gente vive. Mas ela sempre teve aih. 

Ha uns meses, um amigo me contou que um grupo de amigos dele foi assaltado. Roubaram somente o celular de um deles. A policia chegou, levou o assaltado à favela e pegaram os ladroes e o celular. Aih a policia perguntou ao assaltado: "sim, mas e aih? Quer que eu mate os caras, como vai ser?" (Pois é, pasmem). Se o assaltado tivesse dito "sim", dois homens teriam morrido naquele momento por causa de uma merda de um celular, mas isso nao chocaria ou preocuparia a sociedade  tanto quanto a morte de Eduardo - branco, classe média, esportista - chocou e preocupou. Entao, sera que Joao Pessoa se tornou violenta apos a morte de Eduardo ou sempre foi assim, mas a gente nao se importava porque nao era "um dos nossos"? 

16 comentários:

S. disse...

eu soube e tb o conhecia. Foda mesmo.

Glória Maria Vieira disse...

Ow Chefa! Eu posso imaginar o seu pesar, porque eu tbm já perdi um amigo. Eu gostava dele no tempo, quer dizer, não gostava tanto qnt naquele momento, mas já tinha paquerado e muito. Não morreu violetamente como o Eduardo. Mas morreu inesperadamente... E super concordo quando diz que a gente só de toca de que a violência EXISTE DE FATO quando um dos nossos passa pela faca afiada dela... =\
E só pra constar: Nós também temos as pitangas em comum ,amor. UASHUAHSUAHSUHS Eu não choro não, inundo! ¬¬ USHAUAHSUAHSUAHSUAHS

Meus reais sentimentos pela morte do rapaz!=\

Glória Maria Vieira disse...

E AH (eu tinha que ter esquecido de dizer algo, né?! AHSUHAUHSU)

Obrigadíssima pelo apoio, CHEFA PREFERIDA!:D
Era fazendo o poste e pensando: Que vice-dona exemplar e humilde. USAHAUHSUAHSUAHSUHAS

Foi fundamental seu GO, VICE! ASUHUHSUHSUHASU :)

asnalfa disse...

Se fosse eu, teria dito "sim".
Dogville feelings.
Esses bandidinhos de favela sao irrecuperaveis. Seriam menos dois no mundo.

Borboletas nos Olhos disse...

Minha cara, dói ler relatos assim. E dói ler alguns dos comentários. Eu acho que há um princípio único: respeito à vida humana. Ele é a base de tudo pra mim. Dos amores, da convivência social, do trabalho. De tudo. A violência explicitada assim é, pra mim (e, pelo que leio, pra voce também), só uma das faces e, talvez, não a mais cruel.

Rita disse...

Luci, sinto muito. Nunca deveria ser banal, nunca.

Fique bem, viu?
Bj
Rita

Caso me esqueçam disse...

s: menina, como assim tu é de JP? quer dizer, tu ja tinha dito antes que quando eu fosse pra "terrinha", a gente deveria beber uma cerveja juntas, mas juro que nao captei vossa mensagem! agora fiquei curiosa! tu achasse meu blog totalmente por acaso através dos blogs ou tem alguma relação com alguém que eu conheço em JP? (e sinto muito por eduardo, nao sabia que voce o conhecia).

gloria: ai, acho que o pior disso tudo foi a idade do cara, sabe. po, eu chorei muito quando meu avô morreu, mas ele era tao velhinho e taba tao fudido, que tudo bem, sabe. nessas condições, eh quase um alivio pra quem vai e pra quem fica, mas quando você eh jovem e morre a troco de nada? :(

asnalfa: por que eu nao estou surpresa com seu comentário? pelo visto, você eh o único irrecuperável aqui, infelizmente.

borboleta: eh, tem gente brincando de deus, escolhendo quem deve viver ou nao. como se alguns tivessem mais direitos que outros…

rita: obrigada! eu estou bem, escrever fez realmente muito bem pra engolir essa historia.

S. disse...

n lembro como cheguei aqui. mas n acho que foi por algum conhecido em comum.coincidências da blogosfera, acho. um link que dá em outro link que... enfim...beijinhos e mais beijinhos.

Thayz disse...

é o que eu me pergunto todos os dias. todos os dias.

Aline Mariane disse...

nossa, que triste... e que chocante. Sem muito o que dizer sobre o fato em si, você falou tudo. Que bom que escrever te fez bem. Fica como uma homenagem, também.
Bjss!

Ana Pe disse...

É muito triste ver e sentir que a violência aqui no Brasil ficou tão banalizada... cada dia que passa sinto mais medo... hoje em dia se mata por nada, o imbecil te assalta e não satisfeito te mata, e se vc não tem nada de interessante pra ele levar, ele te mata também... muito triste!

Borboletas nos Olhos disse...

Puxa, acho que isso não é elegante, mas devo te dizer que estou toda paba de estar citada aqui ao lado. Bjs emocionados

Borboletas nos Olhos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lara disse...

Eu ia comentar algo do tipo:
"nossa o Br tá cada dia mais violento e coisa e tal", sabe uma coisa meio deprê asism. mas ai eu chego aqui e leio: "-pra usar este espaço, não sejam tímidos. nem idiotas."
e o que acontece? me acabo de rir! sem moral nem espiríto para comentar algo triste neste momento. se bem que eu até estava precisando desta crise de risos.
;)
té mais.

Caso me esqueçam disse...

gente, obrigada pela participacao de vocês aqui atraves dos comentarios :)

beijo a tod*s!

Clara Gurgel disse...

Putz!A primeira vez que fui assaltada,também fiquei com essa sensação de ser "a frieira da mosca do cocô do cavalo do bandido!" Terrível!E pior,quando tentei fazer o B.O. na delegacia,o policial de plantão me pediu que "voltasse no dia seguinte", pois estavam dando prioridade as diligências.Pode?

Talvez

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