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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Zoufris Maracas

Dia 21 de maio fez quatro anos que cheguei na França. O tempo passa rapido. Parece que foi ha quatro anos. Um amigo me perguntou, meio de onda, "e aih, ta gostando?". Pensei no frio, na musica, nas pessoas, nos lugares, nos festivais, ponderei e ele teve um sorriso como resposta. 




Por falar em musica francesa, ha algumas semanas fui apresentada à um grupo de Marselha que se chama Zoufris Maracas. Amei de cara e sigo amando loucamente. Primeiro, porque o sotaque do sul da França é um tesao. Depois, porque o vocalista é um tesao. E, terceiro, porque as letras e as melodias sao lindas. 


Esse é o vocalista. Eh, eu sei, eu sei. 
Nao agrada à tod@s, mas eu amo homen com cara de bêbado mais velho. 

Tem duas musicas onde eles fazem referência a nois. Uma se chama Bahia e a outra, Feijaon. Um dia, fiquei de ouvido ligado pra entender a letra de Bahia. O cara conta que tava numa praia na Bahia, quando ele conhece uma menina. "Uma menina a cada estaçao". E dai, ele a leva pra casa, eles se pegam, ele "acarecia os peitos" dela e ela vai tomar um banho de banheira. Ao sair, ele nota que ela, na verdade, é ele. E dai ele diz "nao tem chance!", mas dai "a menina" pega o cara, encosta ele no espelho e, finalmente, eles... bom. "Eu vou poupa-los do fim", eles diz. Entao, ele termina a musica dizendo "mas se isso te convem, que as coisas nao estejam sempre certinhas, nao hesite em te dar prazer". Gente. Vocês ouviram quantas musicas sobre homens que terminam com um travesti? A ultima frase é "Bahia, um cara a cada estaçao"*. 

Na verdade, gosto da maioria das letras. Umas, apesar de falarem de meio-ambiente, nao entram no clichê, de tao bem feitas que sao. Elas falam sobre como trabalho é perda de tempo, sobre liberdade, sobre o prazer das pequenas coisas. Infelizmente, a traduçao faz perder um pouco o brilho do original, entao, aconselho aos amiguinhos que desenrolam francês a procurarem as letras. E, no mais, à todos que tem ouvidos, Zoufris Maracas

Pour moi musique est comme l'amour
Il faudrait faire ça tous les jours
Et puis surtout recommencer

Pour moi musique n'as pas de prix
Musique connecte les esprits
Musique pimente l'existence


* Sim, sei que o Brasil é conhecido pelos seus travestis, mas pela sagacidade das outras letras, deduzo que  trata-se de uma homenagem e nao de uma tiraçao de onda. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Quanto vale teu vale?

Ontem foi um dia, como eu diria?, especial. Tinha tudo para ser um dia feliz ja que, além de ser aniversario de Camilo, eu iria ver amigos que estavam em Lyon. Mas os efeitos da macumba lançada por algum ser das profundezas terrestres ja começaram a se manisfestar logo pela manha: chegando na casa dos guris para trabalhar, Chefia anuncia que os guris pegaram piolho. Repentinamente, minha cabeça começa a coçar. Ele diz que lavou quase todas as roupas dos guris, os lençois das camas, as capas dos sofas e que eu deveria passar ferro em tudo "rapidamente" para garantir que os possiveis piolhos ninjas que possam ter sobrevivido à lavagem na maquina morram. 

Quando abri o quarto onde as roupas estavam estendidas, tive palpitaçoes e uma leve tontura. Minha gente, pela quantidade de roupas, ele deve ter lavado até as cuecas do vizinho. Nao tinha um soh objeto dentro do quarto que nao tivesse uma toalha, uma calça ou um lençol pendurados. Até os bichos de pelucia foram lavados e deveriam ser passados. Passei roupa nessa tarde até o braço perder o movimento, depois continuei a sessao usando o pé direito. E ainda falta.

Nessa ultima semana, ao sair pra bares com alguns amigos, eu, safadamente, tomei uma cerveja. Duas. Eu tomei algumas cervejas. Abri uma exceçao no regime, tudo em nome da sociabilidade. E, por ser aniversario de Camilo, eu iria novamente fazer o sacrificio incomensuravel de beber algumas cervejas junto a ele e aos amiguinhos citados. Mas pelo cansaço, pela preguiça e pelo peso na consciência por estar sabotando meu regime, desmarquei de ultima hora a saida ao bar. Sorry, folks. 

Ma que porra é essa, Deus? Daqui essa porra.
Mas qual é o décimo primeiro mandamento divino? Aquele que estah registrado la no finalzinho da tabuleta de Moisés? Nao fuleiraras com teus amigos. Resultado: fui castigada. Saih do trabalho e fui encontrar Camilo (que estava perto do bar) para voltarmos para casa juntos. Quando passei meu cartao de transporte, e assim que entrei na estaçao, senti algo na minha mochila. "Meu Deus, minha mochila mexeu. Estas viva, mochila?", questionei. Instintivamente, apalpei a mochila e vi que ela estava aberta. Tive palpitaçoes e uma leve tontura. Olha, eu vou largar essa vida de babah e me registrar na associaçao dos super herois anônimos porque, minha gente, eu pressinto o perigo. 

Abre parênteses.

Quando estive no Brasil da ultima vez, deixei meu passaporte em segurança na casa de um amigo. Nao quis levar para casa dos meus pais, pois o caminho entre o ponto de ônibus e a casa deles era (é.) meio tenso. Somente no dia de voltar para França, eu coloquei o passaporte na bolsa e fui para casa dos meus pais pegar minha mala. E o que foi que aconteceu, amiguinhos? Um xovem rapaz passa por mim numa bicicleta tao tranquilo quanto um passarinho que banha suas plumas na fonte da praça. Ele passou em sentido contrario ao meu e nem mesmo me olhou. Foda foi quando o passarinho se transformou em gaviao, fez meia-volta e tentou raptar minha bolsa. Por que ele nao conseguiu? Porque eu sou cobra criada (ok, parei com a metaforas de merda hihi) e segurei com todas as minhas forças a bolsa que ele tentou puxar. Mas essa é uma outra historia.

Fecha parênteses.

Quando vi que minha bolsa estava aberta, procurei minha carteira e nao encontrei. Olhei em volta, identifiquei o possivel autor do furto e, rapidamente, dei um salto e me pus diante do meliante. Puxei minha espada da bainha, ele fez o mesmo e entao travamos um duelo sangrento. Camilo chorava copiosamente no lenço de seda branco que eu havia ofertado a ele quando do nosso matrimônio. Mas no final, o bem triunfou sobre o mal! A proposito, eu sou o bem, caso vocês tenham ficado na duvida. 

Mas ha uma outra versao sobre essa historia. Quando vi que minha bolsa estava aberta, procurei minha carteira e nao encontrei. Olhei em volta, identifiquei o possivel autor do furto e... E pensei "legal, nao tenho tempo de verificar se a carteira pode estar escondida entre os outros objetos da bolsa, mas também nao posso deixar passar a oportunidade de abordar aquele homem que tem a maior cara de quem ta com minha carteira". Era um cara que parecia vir da Europa do leste. Beijos pro meu preconceito, porque quando abordei o cara, ele tinha minha carteira e a devolveu sem dizer nada. Eu agradeci e disse que "isso era importante pra mim". Happy End. Ou nao.

Este blog acaba de ganhar uma nova tag: vive la souffrancePorque continua.

Chegando em casa, Camilo abre uma garrafa de champanhe, gentil presente dos pais dos guris. Soh que minha criança aniversariante, ao tentar ver a resistência da taça, "eu sempre faço isso...", quebrou o copo e cortou um dedo. Achei que seria mais seguro para todos nohs se aquele dia acabasse logo, entao, fui dormir. 

Como presente, comprei para Camilo ingressos para uma apresentaçao do Cirque du Soleil. Na verdade, o presente foi para mim, porque, posso ser brega?, obrigada, sempre tive esse "sonho" de ver o Cirque du Soleil. Sempre. Sempre que via algum video, eu deixava escorrer uma lagriminha de emoçao. Hihi Entao, pensei, por que comprá-lo, por que não comprá-lo? Comprei-o! Aceite, é de coração, sem o menor interesse... 

Querendo dar outro presente, mas sem ter dinheiro, decidi ofertar algo que eu pudesse fazer de graça. Ui! Resultado: 

Gente, ele nem deu bola pros ingressos, mas adorou o vale. Ofereci dois, na verdade, o outro é um vale massagem, valido para o mesmo periodo. Se algum dia vocês quiserem me oferecer algum desses, eu gostaria de receber o vale dinheiro. 




quarta-feira, 1 de junho de 2011

A fuga das galinhas

Agora, somos uma grande coloc de onze. Como eu disse no post passado, o presente de aniversario de uma coloc foram três galinhas. Ela adora fazer bolos e doces e acho que ter ovos frescos deve significar muito pra ela - mas essa é minha explicaçao sobre o fato. Entao, quando as galinhas chegaram, sabado passado, improvisamos um galinheiro entre o forno à lenha e a estufa. Eu nunca vi pessoas tao empolgadas com galinhas, pareciam crianças. "Olha, ela abriu as asas!", "olha, ela ta ciscando!", "olha, ela ta comendo o milho". Eh, caralho, olha, ela ta agindo feito uma galinha! Puta merda. O pessoal observava as galinhas e eu observava o pessoal. 

Eu desconheço a relaçao dos meus leitores com galinhas, mas pra mim estas nao representam um bicho estranho. Minha avoh paterna, quando sabia que iamos visita-la, sempre comprava uma ou duas galinhas pro almoço. Mas vovoh era roots. Ela poderia muito bem comprar um frango congelado no supermercado. Mas nao, vamos ser diferentes: ela comprava uma galinha viva na feira, a degolava (um parênteses: ver uma galinha semi-degolada cacarejando é uma das cenas mais bizarras que eu tenho da minha infância), depois a escaldava, a depenava e a esquartejava. E a gente comia esse negocio. 


Josette, Lucette e Bernadette. Nao necessariamente nessa ordem.

Nao tenho pena no pescoço. So linda?

Depois de cinquenta minutos de admiraçao, o pessoal da casa finalmente se dispersou pra curtir a festa que tava começando a rolar. A festa foi otima! Foi a primeira que fizemos no jardim, com direito à pizza no forno e churrasco. Como sempre acontece, misturei todas as bebidas que encontrei pela frente e, apesar de nao ter ficado muito bêbada, tive uma feliz ressaca que me fez pensar que eu ia ter dor de cabeça até o aniversario do proximo ano.

Daih, acordo no dia seguinte com aquela cara de quem morreu e esqueceram de enterrar e desço com Camilo pra dar uma primeira geral na casa. O chao da casa pregava, tinha garrafa de alcool por todo lado, piola de cigarro pelo chao, caixa de som estourada, salgadinho pra todo lado, enfim, a visao do caos. Eh quando a campainha toca anunciando a visita surpresa de quem? Dos meus patroes.

Gente.

Eu estava decrépita. Eu era uma mistura de mendiga com zumbi. Cabelo despenteado, cara amassada e halito de alcool. A casa tava mais apresentavel. Obviamente que evitei que eles entrassem nela, entao conduzi os pais pelo jardim. Lembram? O jardim bonito que eu descrevi aqui? De repente, como se nao bastasse, passa uma galinha correndo pela gente. Sim, uma das dettes tinha fugido. Eu nao sabia se eu fingia que nao tinha uma galinha preta correndo pelo meu jardim ou se eu procurava identifica-la e apresenta-la formalmente à mae do guri. 

Antes que eu pudesse me decidir, a avoh do guri, que também veio, abriu as pernas, os braços, se posicionou como goleiro e ficou esperando a galinha. Todas as atençoes se voltaram pra ela. A galinha entao parou, refletiu e deve ter concluido que conseguiria romper a barreira humana da voh, porque ela recomeçou a correr loucamente. Felizmente, a mulher conseguiu segurar a galinha e o fez com tamanha segurança, que eu conclui que ela foi goleira fazendeira em outra vida. Ela disse que deveriamos cortar as penas das asas das galinhas pra que elas nao voltassem a fugir. Anotado.

As galinhas sao da inglesa, mas a pessoa mais empolgada é o socio de Camilo. Camilo diz que ele vai na varanda umas quatro vezes por dia dar uma olhada nas galinhas, depois verifica se elas ja puseram ovos. Eu nao me surpreenderia se o encontrasse um dia dormindo no galinheiro. Hoje, ele entrou pela sala super empolgado anunciando que umas das dettes tinha colocado dois ovos. "Oitenta gramas!" Ah, eu me divirto! 




sábado, 28 de maio de 2011

04. Do que é diferente - Fête des voisins

Na ultima semana de cada mês de maio, a França comemora a Festa dos vizinhos. A idéia surgiu em 1999 com o proposito de estimular as relacoes entre os moradores dos bairros. Eu nunca tinha ouvido falar na festa até um dos meus colocs resolver organizar uma aqui em casa, ontem. Pro caso francês, isso é fantastico, porque as pessoas aqui nao moram, se escondem. No Brasil, eu pensaria mais numa campanha pra que os vizinhos nao participassem tanto da vida alheia.

"Bom dia, eu sou o babaca do quinto andar!"
"Oi, eu sou a puta do terceiro!"
Apesar de existir ha pouco tempo, a festa parece ser bem popular. Meu coloc foi na sub-prefeitura e pegou o material que ela disponibiliza pra festa: cartazes, baloes, convites, camisas e adesivos pra colar na blusa onde os vizinhos escrevem seus nomes pra facilitar o reconhecimento durante a festa. 

Eu moro ha quase dois anos aqui e o unico rosto de vizinho que eu conheço é o da vizinha da frente, e somente porque ela sai de casa pra fazer feira no mesmo momento em que saimos. Mas desconheço os moradores de toda a rua - que consistem basicamente em velhos solitarios e ranzinzas. A vizinha do lado, um amor de pessoa, ameaça denunciar a gente por uma construçao que fizemos sem permissao da prefeitura. Nao, a construçao nao foi no jardim dela, foi no nosso, mas ela nao gostou e pronto. 

A perdiçao das crianças. E a minha
Pra festa, pensei em fazer um prato brasileiro, algo bem elaborado. Entao, fiz brigadeiro. Foi dificil. Mas dificil mesmo foi explicar às pessoas que aquela sobremesa nao tinha nada além de leite condensado como ingrediente. Eh que francês nao curte muito doce. O leite condensado daqui, por exemplo, é diferente, é menos doce! 

Mas o primeiro desafio da festa foi o de convencer as pessoas a participarem dela. Depositamos convites nas caixas de correspondência, mas como a vizinha da frente é especial, uma coloc foi falar com ela pessoalmente na vespera da festa e a convidou pra conhecer nosso jardim. Minha gente, que desgraça. Nosso jardim é a ultima coisa apresentavel desse mundo. Temos um bom espaço na area externa da casa onde cada coloc poe em pratica seus projetos: temos uma estufa onde plantamos tomate; a construçao da discordia, ja citada, em madeira, pra guardar nossas bicicletas; temos um forno à lenha; um grande espaço pro composto e, em breve, teremos um... galinheiro.


Pessoas de boca cheia 


Da esquerda pra direita, vos apresento: torta de chocolate, quiche, brigadeiros, cerejas,  purê de lentilhas, mais torta, paes e pessoas sem importância ao fundo


Vizinho faminto e eu 

 Mas tudo isso é assunto pra um outro post. O que importa neste é que, pra fazer o fogo do forno à lenha, precisamos de que, amiguinhos? De leeenha. Entao, o pessoal passou a juntar todos os restos de madeira e pau que viam pela frente e o resultado é que parece que toda a madeira do universo se encontra no nosso jardim: resto de cadeira, tabua de mesa, galho de arvore, bau, sequoia etc. O monte de galho fica bem na entrada do bêco que da acesso aos fundos da casa, e sempre que eu passo por la, eu prendo meu vestido, minha saia... Eh perigoso se aproximar, ja perdemos dois gatos, uma criança e um vizinho que tentaram passar por essa area. Eles tao la até hoje se debatendo.

Eh sério.

A vizinha, quando viu nosso jardim, ficou impressionada com nossas plantaçoes, mas quando viu o tanto de madeira amontoada disse chocada "mais ça fait un peu de bordel quand même!" que em traduçao livre (livre de certeza) quer dizer "puta que pariu, que bagunça do carai". Inclusive, acho que ela nao veio pra festa com medo de ficar engalhada.

Como nao recebemos confirmaçao de nenhum vizinho, ficou aquela tensao no ar se teriamos uma festa de vizinhos sem vizinhos. Pouco a pouco, as pessoas foram chegando. A primeira, foi uma vizinha ja conhecida que é freguesa da nossa lojinha - temos uma micro-loja na garagem de produtos bio em processo de desenvolvimento: igualmente assunto pra outro post. Ela veio com a familia. Depois chegou um velhinho solitario que encheu a cara e contou a historia da nossa rua. Finalmente, chegaram mais duas familias. Uma delas era composta por um guri que tocava violao e uma menina que tocava flauta. O guri conseguia dedilhar alguma coisa sem fazer o ouvido doer, mas a menina... Aplaudi por educaçao, mas a vontade mesmo era arremessa-la no monte de galhos. A flauta dela e meus pensamentos:

- Fi-foooom fiii-foooom!
- Eu podia ta roubando. Eu podia ta matando.
- FI-FOOM FI-FOMM...
- Mas nao... Estou aqui escutando essa...
- Fiiiiiiiii... Fooooooommm...
- ...pessoa. 

Quando ela acabou, eu fui a primeira a aplaudir: aplaudi o silêncio.

Mas a festa foi otima! Nao serviu muito pra mim no proposito de conhecê-los, ja que eu sigo sem saber o nome das pessoas ou a casa onde eles moram. Mas é bom guardar boas relaçoes com os vizinhos, dificilmente estes vao chamar a policia quando das nossas festinhas barulhentas.

Por falar nisso... hoje é o meu aniversario! *dancinha

Taih, nao curto envelhecer, mas esse é o unico dia em que eu sou babada e mimada ao extremo, entao, aproveito! O dia nem acabou e ja foi lindo! Fomos a um restaurante indiano na parte antiga da cidade (Vieux Lyon). Depois compramos uma cerveja e fomos dar uma voltinha. Vieux Lyon é a parte mais turistica da cidade e hoje tava tendo uma feira onde as pessoas da organizacao estavam vestidas em trajes medievais. Louco! Tinha uma tenda com tiro ao alvo onde a arma era uma besta. Lembrando que a besta da qual eu tou falando é mais parecido com isso,


do que com isso:

    
E por falar em animais (tou parecendo o wikipedia e seus hyperlinks), as galinhas acabaram de chegar! Acreditem ou nao, elas sao presente de aniversario de uma das colocs. Ela faz aniversario amanha, entao, faremos uma festinha hoje aqui em casa. Por conta disso, vou me recolher aos meus aposentos e descansar um pouco pra estar disposta hoje à noite.



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Maracugina


Fiapo no dente! Aaahhh!


Nao é preciso me conhecer muito bem pra saber que eu sou uma mulher bruta. Ja sofri e fiz sofrer muita gente por causa disso. Ultimamente, tou mais calminha (essa frase deve ter feito Camilo rir). Seja como for, a cavala que habita em mim é um verdadeiro ursinho de pelucia perto do meu roommate. 

Antes dele morar aqui em casa, perguntei a duas pessoas que o conheciam bem se ele era legal. O dialogo foi o mesmo com as duas:

- Ah, ele é otimo! Eh engraçado, é atencioso...
- Otimo, porque ele vai morar com a gente.
- Morar?! Ah, nao, pra morar nao!

Nao era o que eu queria ouvir. Também nao demorou muito tempo pra eu descobrir o porquê disso. O cara é um pouco esquentado. Uma vez, conversando com sua mae ao celular, uma chinesa, ele ficou muito puto e chutou um negocio de ferro que fez o pé dele abrir e dar um banho de sangue na casa. Na ocasiao, ele também quebrou o celular no chao. 

Outra vez, ele foi acordado por um pessoal que estava conversando perto da janela do quarto dele. Como resolver essa situaçao?

Pessoa normal: "por favor, vocês poderiam conversar em outro lugar, porque eu estou tentando dormir. Obrigado".

Ele: foi no quintal, mandou todo mundo tomar no cu, estirou dedo, depois quebrou uma cadeira e uma xicara. Outro dia, sei la pelo quê, quebrou uma mesa. O bom é que geralmente eu fico sozinha com ele em casa, entao, quando eu começo a me apavorar com as pancadas que ele faz enquanto destroi a casa, eu me lembro que pode ser ele nas suas atividades e deixo pra la. Até porque, ja falei do detalhe que ele é faixa preta no Kung Fu? Pois bem, ele é. 

So que essa semana, Pai Mei passou um pouquinho dos limites. Camilo, feliz e contente, mandou um email pra todos os seus contatos convidando o pessoal pra sua festa de aniversario. A gente sabe como é dificil manter controlado os convidados bêbados, principalmente aqueles que nao conhecem o dono da festa e usam o momento pra fazer merda (na ultima festa que houve aqui em casa, mijaram num colchao que fica no subsolo). Entao, Camilo, inocentemente, disse ao final do email que nohs tinhamos um chinês que fazia Kung Fu e que nao ia tolerar as pessoas que viessem quebrar a casa. 

Pra que?

Eu, que no momento em que lia o email, estava em casa, comecei a ouvir umas pancadas fortes vindo do quarto dele, algo como batidas de porta, mas de maneira muito mais alta e intensa. Fiquei apavorada, apesar de saber do que se tratava (e talvez por isso). Finalmente, um outro morador da casa chegou e perguntou a Pai Mei o que porra ele tava fazendo. Nao escutei a explicaçao, mas quando chegou à noite, entendi o motivo: encontrei Camilo num restaurante e ele disse que o estressado havia respondido ao email quatro vezes. As mensagens sao bem carinhosas: ele manda Camilo tomar no cu, diz que vai bater nos amigos dele, que vai bater em Camilo, inclusive, que vai matar Camilo e que vai fazer realmente isso pra Camilo ver que ele nao ta brincando. Dai vocês me perguntam: por qual motivo ele vai fazer isso? E quem sabe! Eu fiquei tao assustada que disse que Camilo nao ia ficar sozinho com ele quando voltasse pra casa pra conversar com ele.

No final das contas, aconteceu o que a gente sabia que aconteceria: ainda por telefone, ele pediu desculpas a Camilo e depois teve uma conversa muito sincera sobre o quanto ele estava errado e sobre o quanto ele deveria mudar. Nohs, os estressados, violentos, temos consciência absoluta da nossa ignorância e do quanto isso afeta nossos relacionamentos. E o pior: justamente aqueles que sao os mais proximos e, consequentemente, os mais queridos. Eh uma maldiçao. Mas tudo acabou bem e Pai Mei ta pensando em deixar a casa em fevereiro.

PS. nao estranhem se eu deletar esse post dentro dos proximos dias. Seguro de vida: nao temos. 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Pascoa!



Todo dia 16, Camilo e eu disputamos mongamente pra ver quem da os parabens primeiro ao outro pelo aniversario de namoro da gente. Ja cheguei a colocar um alarme à meia-noite pra parabeniza-lo primeiro (hihihi). Mas a verdade é que, apesar de gostar de datas, eu sou um fracasso! Essa semana:

- Olha, amor, dia 19! A gente faz tantos meses de casamento hoje! 
- Na verdade, a gente casou dia 09.
- ...

Ha uns meses:

- Luci, qual a senha que tu colocasse pra acessar tal site?
- Eh a data do teu aniversario.
- Nao tou conseguindo.
- Oxe, menino. Vai: dia trinta e um do...
- Meu aniversario é dia 30.
- ...

Desconfiei desde o principio. 

sábado, 30 de outubro de 2010

Arte culinaria = França

O show de Hindi Zahra foi otemo! Mas um pouco diferente do esperado. No album, as musicas sao tranquilas, toque de jazz, aquela coisa soft. No show, houve guitarra suficiente pra fazer o Metallica parecer Balao Magico. A moça devia ter dois palmos de altura, porque, mesmo usando salto alto, via-se que ela era bem nanica - o contrabaixo tinha sete vezes o tamanho dela (depois desse paragrafo, alguém mais duvida que eu sou uma pessoa exagerada?).

Ela entrou com seu vestido de oncinha, pouco falante. Mal se mexia. Depois, foi se empolgando e, la pra metade do show, incorporou a pomba-gira e ficou com ela até o final do espetaculo. De vez em quando, ela fazia umas dancinhas que deviam ter sido coreografadas por Scheila Carvalho em parceria com Regan MacNeil. Ora ela descia até o chao com as pernas abertas, ora ela se tremia toda ao mesmo tempo em que revirava os olhos. Essa mulher sabe mesmo o significado da palavra espetaculo. 

Adorei!

A estadia na casa dos pais de Camilo me fez bem, apesar de eu nao ter feito muita coisa por la. O meu momento mais produtivo foi uma mijada na cama. Por aih vocês tiram. Como o aniversario da mae de Camilo foi esse mês, resolvemos comemora-lo num almoço na casa da avoh assassina dele. Um ano e meio na França e eu sempre vou achar curiosa a forma de comer desse povo. Eh tanto protocolo que as vezes eu fico sem saber se posso me servir de algo sem agredir as regras.

No Brasil, a gente faz um prato de comida soh, com tudo o que tem direito, e é feliz. Aqui, pra ser feliz num jantar mais formal, temos que respeitar o demorado ritual do "aperitivo - entrada - prato principal - salada - queijo - sobremesa - digestivo". No Brasil, a gente mistura tudo e come qualquer coisa a qualquer hora. Aqui, ja me estranharam quando eu disse que comia presunto no café da manha - o café da manha do francês é doce: o mais perto que eles chegam do salgado é quando colocam manteiga no pao. Outro dia, fui comer queijo de cabra antes do almoço e meu roommate me olhou como se eu tivesse me servindo de um prato de vermes. "Você vai comer queijo de cabra ANTES do almoço?" Exatamente, observe.

No Brasil... Todo santo dia tinhamos, na hora do almoço, arroz, feijao, purê, macarrao e carne. Soh como feijao aqui quando eu faço (ou seja, nunca). E parece pecado comer macarrao com outra coisa. Pensei uma vez em fazer feijao e macarrao e escutei de outra roommate: "isso tudo?! Mas vai ficar muito pesado!" - frases que me fazem pensar que os franceses nao passaram pelo mesmo processo de evolucao do resto do pessoal do mundo no que diz respeito ao seu sistema digestivo. Porque eu acho que eu soh nao digiro cimento.

Chuchuzinho da mamae
Mas tivemos outras pequenas aventuras culinarias. Aprendi a fazer um cake de azeitona que é tao simples quanto gostoso! Fizemos também uma pequena bomba de gordura e calorias que, por aqui, se chama fondue. E ganhamos da mae de Camilo um "cuiseur vapeur" (a maquina pra cozer os alimentos). Olha, você sente as mudanças na sua vida através da sua satisfaçao em relaçao aos presentes que ganha. Quando eu era criança, eu gostava de ganhar brinquedos. Na adolescência, eu curtia ganhar CDS. Agora fiquei super feliz de ganhar... um eletrodoméstico. Eh o fim. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Terremoto, guerra e festa

Quando comecei a escrever o meu ultimo post, eu não pretendia falar somente sobre vômito. Eu ia explicar que, no meio daquela ressaca toda, eu tive que enfrentar um dia torturante de trabalho e finaliza-lo numa viagem de 7h de trem + 1h de carro rumo à casa dos pais de Camilo, no norte da França.

O motivo dessa viagem foi a festa de aniversario do pai de Camilo, esse senhor simpatico da foto, que fez 70 anos. "OHMEODEOSDOCEO, o pai de Camilo tem 70 anos?! MANAOEHPOSSIVEO". Pois é, minha gente, é possivel. E o melhor é que o irmão mais novo de Camilo tem somente 15 anos. Ou seja, o véi tah em forma. E, não, ele não tinge o cabelo. Espero que Camilo esteja esbanjando essa saude aos 70 - calma, amor, isso não é pressão, é soh uma prece.

Acho que eu nunca contei aqui o quanto eu adoro o ambiente que envolve os pais de Camilo. A cidade, a casa deles, as historias. Vou tentar* contar a historinha dos pais dele, que eu acho muito legal.

O pai de Camilo é salvadorenho e a mãe, francesa. Aos 20 aninhos, a mãe de Camilo, que é enfermeira, foi embora da França rumo a El Salvador através dos Médicos sem Fronteiras porque o pais passava por uma guerra civil (1980 - 1992). O pai de Camilo, por seu lado, atuou numa radio clandestina, ao lado dos revolucionarios, claro - do contrario eu não o admiraria.

O curioso é que eles não se conheceram em El Salvador, mas sim em Paris, algum tempo depois. Dai, nasceu meu futuro marido, que foi com seus pais pra El Salvador. No pais, nasce um dos irmãos de Camilo. Fugindo da Guerra, que ainda tava rolando, a familia vai pra Nicaragua, onde nasce o terceiro e ultimo irmão de Camilo (pois é, minha sogra também não tinha fronteiras pra parir). Depois, eles voltam pra El Salvador, mas precisam deixar o pais novamente por causa dos terremotos. Então, é simples: França - El Salvador - Nicaragua - El Salvador - França. Voila!

Trinta anos depois:

Agora eles moram na pequena Chateaubriand, numa casa lindamente decorada com artesanatos recolhidos nas viagens que eles fizeram e nos lugares em que eles moraram na América. Soh recentemente me dei conta que esse pequeno detalhe contribuiu enormemente pra que eu me sentisse em casa nessa terra fria.

Mas voltando à festa...

Quanta diferença! Nas festas da familia materna de Camilo, à la francesa, eles servem sonifero na bebida dos convidados. Pelo menos essa é a unica explicação que eu tenho pra justificar uma festa sem ruido. E, uma vez à mesa, as pessoas não se levantam mais: se empanturram até a morte. Isso não é necessariamente ruim, claro, porque os pratos são de fazer chorar de alegria. E o mais impressionante é que não são pratos esdruxulos, com perninha de sapo ou melequinha de caracol. São somente combinações diferentes daquilo que você (eu) come no dia-a-dia arranjadas de uma forma ousada. E apos o aperitivo, a entrada, o prato principal, a salada, o queijo e a sobremesa, as pessoas tomam o digestivo (dose de algum alcool forte e ruim), também conhecido como vomitivo (ok, essa eu escutei na festa, deve ter sido uma piada).

Imaginei que uma festa dada pelo pai de Camilo fosse diferente e acertei. Os pais de Camilo tem amigos muito fiéis: vieram pessoas de Paris, da Bélgica e mesmo de El Salvador pra essa festa. Como foi o caso do violeiro ao lado. Quando ele soube que eu era brasileira, ele tirou um objeto esquisito do bolso e me fez cheirar. O cheiro da cachaça bateu fundo na emoção.

- Porra, isso é cachaça!
- Eh, você é brasileira mesmo.

Craru que sou. Perguntei porque ele andava com cachaça no bolso. Ele parou e, apos alguns momento de reflexão, disse bem sério "é que as vezes minha garganta arranha". Depois dessa razoavel explicação, fomos aos mojitos:

Lindinho, eu e o mojito que eu deixei do lado, afinal...


...meu negocio é cerveja, mano

Camilo se ocupou, bem ocupadamente, como vocês podem ver, do churrasco. Dei graças aos céus, apesar de não ter recebido atenção durante o momento em que ele geria a carne. Mas quem conhece a maneira francesa de tratar a carne vai entender do que eu tou falando. No Brasil, a carne é ou "bem passada" ou "mal passada". Ponto. Mas francês inventa, então, aqui tem quatro tipos: bleu, saignant, a point e bien cuit. Mas o que isso quer dizer, Luci? Bom, pro francês isso quer dizer:



- Bien cuit = bem cozida
- A point = ao ponto
- Saignant = sangrento
- Bleu (azul) = crua

Mas pra mim, brasileira, isso quer dizer:

- Bien cuit = crua
- A point = crua
- Saignant = crua
- Bleu = crua

Camilo ja tinha me prevenido, porque eu tenho verdadeiro horror à carne (semi) crua, mas aqui é quase impossivel fugir dela. Bastou Camilo entrar na casa pra pegar mais carne pra assar, que um francês (de branco na foto) correu pra grelha e saiu resgatando os pedaços de carne na brasa. Malandrinho.


Aqui, o dia seguinte à festa.
Camilot, moi (com meu supersorvete delicioso de sei-la-o-que),
o irmão caçula de Camilo, pessoa e Papi.

*Lindo, me corrija se eu tiver me equivocado

sábado, 29 de maio de 2010

Mais um aniversario II

A essa altura, ja espalhei aos quatro ventos: hoje é meu aniversario. Quer dizer, ontem foi o meu aniversario. Mas eu ainda tou feliz. O que é um pouco contraditorio, ja que eu não curto muito o fato de estar envelhecendo. No começo, achei que tivesse alguma coisa a ver com rugas e sindrome de Peter Pan, mas finalmente descobri que o caso é menos grave.

Eu sou um pouco neurotica em relação a idade vs. vida profissional. Meu pai nos colocou na cabeça que se você ja tem 18 anos e nenhum doutorado você não é exatamente alguém. Então, vocês podem imaginar que não foi exatamente um sonho passar o dia do meu aniversario trabalhando como babah. Ah, mas não pensei nesse post pra reclamar da vida (e alias, nem motivo pra reclamar dela). Não importa qual significado que esse dia tem pra mim, eu sempre me divirto com as mensagens de merda dos amigos.

~~Wilker:
Aniversário de Luciana?
Vou tomar uma cachaça ou fazer alguma putaria ae no meio da rua pra comemorar... ahahahaha

Andressa:
hoje era dia de sentar numa mesa de bar pra beber e conversar contigo. Comemora bem direitinho aí. hoje a minha comemoração vai ser em homenagem a tu.
um arrocho.

juju:
seja feliz, putinha!! =D =D =D
que tua felicidade pega todo mundo de jeito e faz feliz tbm.
pq ser feliz é a sua natureza, assim como ser puta.
e tu é linda e faz falta pra caralho!

Eles me conhecem. Obrigada, pessoas. Ainda bem que vocês estão logo ali. E obrigada também à minha maior e unica fã, Glorinha Sem-Noção Vieira e seu post de parabéns. Ri muito! Louca de pedra.

Agora ja posso cantar "à palo seco".

domingo, 23 de maio de 2010

Mais um aniversario


Pra que não passe em branco. No ultimo dia 21, fez um ano que cheguei na França pra morar definitivamente. Normalmente, eu teria pensado, e pensei, em todas as coisas que conquistei até aqui. Teria feito uma balanço, e fiz, de tudo que ganhei e tudo o que perdi nesse ultimo ano. E tudo o que eu tenho pra dizer, é que tem dado certo. Tem dado tudo certo.

Digo isso porque esse blog nasceu por causa da minha vinda à França e, graças a ele, conheci um monte de gente legal. Queria agradecer a TODAS as pessoas que passaram por aqui com seus comentarios positivos e generosos. Obrigada mesmo. Tem dado certo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Parabéns pros blogs

Hoje meu blog faz um ano. Não que eu veja alguma coisa de especial nessa informação, mas ao menos vi esse fato como uma oportunidade pra falar sobre algo do qual eu gosto muito: de blog.

O blog Europrosa deu um selo pro Caso me Esqueçam. Eu não sei bem o que isso significa, mas sei que é uma coisa boa, um tipo de reconhecimento pelo blog. A regra diz que a imagem deve ser afixada no meu blog, mas como eu não sei fazer isso, fica por aqui mesmo, como post. Também tenho que citar quinze blogs que eu gosto (com certeza a melhor parte desse selo). Mas vou além, vou dizer resumidamente porque eu gosto dos blogs indicados, assim talvez vocês se sintam mais motivados a conhecê-los.

Ashen Lady's Blog - Blog que conheci, por acaso, essa semana. A autora faz umas reflexões sobre o cotidiano, a forma com a qual as pessoas se relacionam. A escrita é simples e fluida.

Café Velho - Eh um dos unicos blogs que fala de uma forma realmente séria sobre politica. Por coincidência ou não, ela mora em Brasilia e tem mesmo muito o que falar.

C'est pas vrai - Blog da Bel, brasileira que mora em Paris, que fala sobre tudo e sobre nada de uma forma que eu adoro: cheia de humor e ironias. C'est vrai!

Dentro do Coletivo - Apesar de ser suspeita pra falar, por se tratar de um blog do meu personal guru musical, é impossivel deixar de elogiar esse blog. Excelente quando faz criticas de albuns ou quando escreve contos. Completo.

Documentarios Verdade - Blog onde estão disponiveis documentarios obrigatorios pra quem vive nesse planeta.

Escreva, Lola, escreva - Um dos blogs mais completos pra mim: feminista bem-humorada que adora filmes. Dez feministas entre dez tem o blog dela no seu bloghall.

Foi feito pra isso - Uma boa descoberta dos ultimos tempos. Eh sempre bom ler alguém com senso de justiça e que tem talento pra escrever.

La Dolce Vita - A-do-ro! Blog sensacional que fala sobre arte (filmes, quadrinhos, desenhos animados, atores etc). Vai do classico ao tosco. Além de ter o dominio sobre o assunto que escreve, o Miguel é um gentleman de humor fino. Adoro as impressões dele.

Nunca disse que faria sentido - Também outra descoberta recente. Blog de uma criatura que fala coisas aleatorias sobre sua vida, mas que consegue prender totalmente minha atenção.

Pergunte ao Pixel - Blog da Tina, mãe da Nina, e suas aventuras. Ponto forte: um humor sarcastico. Impossivel ler um post soh.

Porte Doree - Blog da Amanda, brasileira residente em Paris. Leitura obrigatoria pra todos aqueles que decidem morar na França e também praqueles que querem conhecer a verdadeira cara da terra que o Sarkozy governa. Escrita simples pra temas complexos. E o que eu mais adoro: no clichê. Ouais!

São Paulo - Paris - Dakar - Blog da Aline que mostra de uma forma superinteressante as curiosidades no day by day nessas três capitais.

Viva Mulher - Escrito por uma jornalista feminista, me deprime as vezes por certas matérias e artigos analisados sobre a vida de mulher. Eh, a realidade deprime, mas o blog é muito bem escrito.

Não foram quinze, apesar de eu ter outros blogs como favoritos. Escolhi esses por serem menos pessoais. Espero que algum agrade a vocês. Ah, a Mirelle Siqueira também, gentilmente, me indicou pro selo. Muito obrigada, meninas!

Agora, hora de soprar a velinha!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Felicidade tem forma e nome de homem

Quando é ruim, eu escrevo. Quando é bom, também. E, apesar de eu sempre estar te falando e fazendo coisas pra que tu entenda que eu gosto de tu, desconfio seriamente que a gente não deva ser o casal mais bonito da face da terra, e que talvez estejamos longe de ser o que mais se ama. A sorte é que eu não tenho ambição de fazer parte do casal mais bonito da face da terra e não me importo também que não sejamos eleitos os namorados que mais se amam. Porque, no final das contas, tu cuida tanto de mim que minha felicidade às vezes passa da conta e eu costumo, como agora, chorar so de pensar o que seria da minha vida sem tu. Entro em pânico quando penso que um dia tu não vai mais existir. Mas tu ri dessas minhas preocupações e eu acabo rindo junto. E fico assim, tristemente feliz do teu lado. "Quanto mais se ama mais fraco se é". E se por inveja ou por preocupação dizem que é feio ou perigoso precisar tanto assim de um homem, ignoro. Tudo o que tu me provoca é orgulho, é amor, é felicidade. Felicidade daquela boa, carimbada pelos santos e aprovada pelos céus.

Sabe, e aqui entre nos, o que faz com que eu saiba que eu te amo, não são essas coisas. Eh que, misteriosamente, toda vez que eu penso tu, meus olhos se fecham devagar... Eh massa, gordo!

O mundo pega fogo. Enquanto isso...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Happy hour!

Nesses dois anos em que estou com Camilo, foi impossível ter um dia agradável nos nossos aniversários. Principalmente nos MEUS aniversários. No meu aniversário de 2008, a gente brigou no dia 27, não se viu na minha festa, no dia 28, e ele acabou o namoro no dia 29. Palmas pra gente. No aniversário de 2009, eu fiquei hospitalizada parte do dia e ainda tivemos tempo de ter um atrito por conta de uma besteira, que foi tão besteira!, que nem ficou na memória. De qualquer forma, lá estávamos nós, dispostos a fazer com o que o último dia 28 fosse lembrado por qualquer outra coisa que não tivesse cheiro de éter.

Quando queríamos comemorar algo em João Pessoa, sabíamos aonde ir: Dona Branca. E sabíamos a hora de ir: no happy hour! hohoho Mas aqui na França nem o happy hour é feliz. Custa caro comer fora. No entanto, Camilo foi apresentado à pizzaria do careca: pizza a cinco euros, um verdadeiro achado!

Chegando lá, depois do pedido, Camilo tirou da bolsa um par de ingressos praquele que vai ser um dos melhores shows da minha, até então, curta vida: show de The Puppini Sisters!

Show de quem?!

Puppini Sisters!



Esse não é o estilo em que qualquer um dá conta do recado. Não. E essas três se garantem. Tive uma crise de abestalhamento na hora e segurei as lágrimas, porque nunca imaginei que um dia fosse ver o show delas! O curioso é que no ingresso o nome delas aparece depois de outras duas bandas, numa fonte pequena, porque elas são a coisa menos importante da noite. Oh! As outras duas atrações são bandas francesas que eu não conhecia e Camilo disse que são muito boas.

Caravan Palace é nada mais, nada menos, do que jazz manouche. Mais um motivo para ter orgamos múltiplos na hora do show. Quando Camilo me mostrou uma música da banda, eu morri de rir, porque era a banda que eu estava ouvindo no hospital, mas não sabia o nome. Perfeito! Aqui vai uma musiquinha:



A outra banda se chama Java, é acordeon com hip hop. Não dá pra imaginar como seja, ainda não a ouvi, mas ele disse que essas duas últimas bandas estão em todos os festivais franceses.

Que bom, então! No final das contas, eu tive um aniversário decente. Ah, e ainda ganhei meu lindo chip de celular! Lindinho disse que esse era o primeiro passo pra minha nova vida na França, e é mesmo. Agora tenho um número de celular. Ok, não tenho ainda quem possa me ligar hehehe Pior, não tenho ainda alguém que eu possa ligar, mas uma coisa de cada vez. É ou não é, ou não é? É!

O show vai rolar no dia 28... de julho! Paciência não é meu forte, mas... Quem se importa? Posso seguir o conselho de Priscila e fingir que meu aniversário é em outro dia.

Ah! E tem mais! O show vai ser nessa beleza aqui:


História e música! Nada mal, hein...

Para mais: Nuit de Fourviere

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Parabéns

Meus dias na França têm sido de aflição pura. No post passado, eu disse que o médico havia cogitado a idéia de eu piorar e ter de ir ao hospital. Mal escrevi o post e Camilo, depois de dar uma bela olhada na minha cara bela, disse que seria melhor irmos ao hospital. Da minha cara escorria um líquido verde. Mas isso era o gostoso da história. Meu rosto começou a inchar, a inchar e a inchar, e, quando fui atendida no hospital, meu rosto já tinha mudado. Não se tratava mais do rosto de Luci, mas de algum ser maligno que havia se apoderado da minha face. E eu tenho fotos pra provar.

Dei entrada no hospital às 23h da segunda-feira, 25, e fui atendida às 3h. Conheci profundamente o sistema de saúde público francês. A enfermeira mão-de-ferro me enfiou uma agulha na mão e por ali eu tomei antibiótico. Depois, fui delicadamente jogada num corredor e permaneci ali até o outro dia, quando fui acordada por um médico brasileiro. Porra, quanta diferença! A gente falou de feijoada, da saúde pública, dos nossos relacionamentos amorosos, do idioma, da amabilidade do francês, de imposto de renda, de orkut e de tantas outras merdas que se possa imaginar. Até tinha esquecido que estava num hospital, até tinha esquecido que eu estava falando com um médico (que eu tinha conhecido ha 10min). Mas afinal, aquela já não era eu, era compreensível tanta desenvoltura com um estranho.

Meu rosto inchou tanto que, a essa altura, meu olho esquerdo estava completamente fechado. Meu pobre rosto inchou tanto que eu não conseguia ver meu ombro esquerdo! Imaginem, uma maravilha. Fizeram uma tomografia, mas ninguém conseguia nos dizer o que eu tinha.

O banheiro do hospital fedia fortemente a mijo. Impressionante. E as pessoas insistiam em falar comigo em francês mesmo depois de eu dizer que eu não falava a língua.

- Você fala francês?
- Não.
- Você fala inglês?
- Falo!
- Ah, je ne parle pas anglais...

Fui transferida pra outro hospital. Andei de ambulância, foi super divertido, espero que tenha sido a última vez. No novo hospital, os médicos vinham me examinar em grupo. Eu me sentia um bicho exótico. Como todos eram jovens internos, ainda deixavam transparecer o nojo que a cena provocava. Não era por menos, eu imagino. Depois de mais algumas horas nesse hospital, os competentes jovens médicos me transferiram novamente pra um outro. As perguntas eram as mesmas: dói? Arde? Coça? Os dentes estão no lugar? Secreções? Não. Só alguns pesadelos e uma terrível crise de auto-estima.

No terceiro hospital, finalmente eu chorei. Chorei porque não agüentava mais ver a cara de pena de Camilo, chorei porque eu estava realmente parecendo um monstrinho. Chorei porque ninguém sabia o que porra eu tinha e porque eu não sabia falar a porra da língua e tinha que depender totalmente de Camilo que, aliás, estava perdendo trabalho desde que essa historinha havia começado.

Mas eis que chega uma luz em forma de mulher e diz: "querida, você sofreu uma reação alérgica a algum medicamento que estava usando. Esse inchaço no seu pescoço é apenas retenção de água. Entendo que você esteja mal, mas não estamos preocupados com a sua aparência, isso se resolverá (tipo, "isso é o de menos"). Você tomará antibióticos via oral e usará pomadas. Ficará dois dias interna. Até logo". Pronto. Ouviram? Era só isso! E, como se não bastasse, o hospital era lindo e limpo. Havia sido inaugurado há três semanas.

As enfermeiras eram ótimas! Sabiam que eu não falava francês e se arranjavam como podiam pra me passar as informações. Havia uma em particular que confundia minha ignorância no francês com surdez:

- MADAME, AGORA EU VOU PASSAR A SUA POMADA. OK?
- Errr... Ok.
- TRES BIEN!

No dia seguinte, chegou uma mulher muito legal que estava com câncer de pele pra dividir o quarto comigo. Ela sabia falar inglês e, de vez em quando, quando as palavras-chave em francês não me auxiliavam, ela traduzia o diálogo entre mim e os médicos. E, é claro, ela me fez pensar que uma carinha torta não significava nada perto de um câncer.

Hoje, finalmente, sai do hospital. Foi presente de aniversário. Sim, porque hoje é 28 de maio e agora sei que os 24 anos de idade me chegarão com bastante aprendizado: se for beber, minha filha, pelo amor de deus, use capacete.

Talvez

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