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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Natal mortal

Nao me olhe assim, eu estou tao confuso quanto você


Contei como foi passar o Natal com os pais de Camilo, mas a provaçao real foi passar Natal com a familia da mae dele. No dia 26, fomos almoçar com a familia inteira e la vai Luci ter que (re)decorar todos os nomes de tios, tias e priminhos. Os bebês cabeçudos que vi no Natal de dois anos atras agora estavam andando, irreconheciveis. Chegamos às dez da manha porque Camilo seria o responsavel por acender o forno à lenha (na esperança de que os pernis ficassem prontos ao menos pro Natal de 2012). Enquanto meu querido se entretia com pernis alheios, eu esperava a vida passar sentada no sofa, com as maozinhas em cima dos joelhos. 

Fiquei assistindo com o avô de Camilo aqueles programas de auditorio. No momento, estavamos assistindo a um quadro com três casais onde o apresentador fazia perguntas às mulheres sobre a vida do casal, que haviam sido feitas anteriormente ao homem. Este deveria mostrar uma placa com a provavel resposta que a esposa daria. Fiquei tentando calcular o quanto isso poderia medir o entrosamento de um casal ao me dar conta de que, caso as perguntas fossem feitas à mim, julgariam que eu nao conheço Camilo, porque eu nao tinha idéia do que responder às perguntas feitas. Ja bastante cansada do besteirol, eu:   

- Sogra quirida, você ta precisando de alguma coisa?
- Nao, Luci, obrigada.
- Mas eu posso fazer alguma coisa.
- Nao, obrigada, querida.
- Minha senhora, entenda: eu quero fazer alguma coisa. 

Depois de uma certa pressao, ela me pediu pra descascar uma manga. Fui pra cozinha como se tivesse recebido A missao. Tipo assim, Papai Noel pedindo pra eu entregar os presentes porque ele esta impossibilitado, sabe. A manga, como eu, vinha do Brasil. Levei um papo com essa manga, mas ele durou pouco graças à minha grande eficiência e destreza no manejo de facas que permitiu que a manga estivesse descascada em um minuto. Foi o ponto alto do meu dia. 

- E agora, eu faço o que? :D
- Nada.

Voltei pro meu sofa. 

Esperei, esperei e as pessoas começaram a chegar. Cumprimentei à todos com um sorriso amarelo e esperançoso de que ninguém resolvesse ir além do cumprimento. Tipo assim, meu povo, eu sou mais do mato que Jeca Tatu e conversas sobrias com pessoas desconhecidas me deixam em estado de pânico. Alheia a este fato, uma tia de Camilo se aproxima e puxa assunto. Pensei em fingir um desmaio, mas talvez isso levasse ainda mais atençao sobre minha pessoa. "E se eu neutraliza-la com um golpe na nuca?", considerei. Melhor nao, é Natal, época de amor e paz. Luciana, que tal simplesmente responder à pergunta dela? Você é capaz, deixe de drama. E, quando vi, la estavamos nohs falando das galinhas

Camilo voltou do jardim com um cheirinho de fumaça e, a essa altura, eu ja estava com tanta fome que se tivessem colocado o casaco dele num prato, eu teria comido. Sentamos à mesa e ficamos esperando a boia. Quer dizer, o almoço. Seguindo o protocolo, depois dos aperitivos, que nao provei, tivemos a entrada. Meu coraçao se encheu de alegria quando vi camaroes em uma bandeja. E olha que eu nao como camarao. Quer dizer, nao comia. Mas com minha limitante dieta, era isso ou nada. No entanto, tive que recusar ponche, pistache, frutas, queijo, patê, pao, vinho, batata e feijao. Acho que a familia de Camilo deve ter pensado "nossa, que moça mais contida, nao é mesmo?" e eu la, quase comendo a toalha da mesa, as lombriga tudo gritando.


Como eu sou uma pessoa prevenida, preparei e levei um tomate recheado com ovo e queijo sem gordura. Parece bizarro. E era. E quem se impooortaaa? Comi e comi feliz. Logo em seguida, os pernis de Camilo apareceram no meu prato. Delicia. E pronto, essa foi a ultima coisa que pude comer. 

"Vocês nao tem idéia das coisas
que aparecem no Google quando
digitamos 'raspadinha'"
Uma prima de Camilo deu pra cada convidado uma raspadinha cujos prêmios eram de 1€, 2€, 6€, 20€, 100€, 500€ e 1000€. Tratava-se de um jogo da velha com os prêmios indicados nas linhas e colunas. Algumas pessoas chegaram a ganhar 2€, mas a grande vencedora do dia fui eu: ganhei um super prêmio de 6€! Fiquei ainda mais animada com o ganho quando vi, no verso do bilhete, que soh havia 7 mil prêmios de 6€. Alguém ainda me deu seu bilhete premiado de 2€, o que fez com que eu saisse daquele almoço 8€ mais rica. Fiquei imaginando o que eu faria com tanto dinheiro. 

Em seguida, pedi a Camilo pra darmos uma volta pelo bairro. A idade avançada do avô de Camilo (mil anos) e o fato dele estar na maioria do tempo numa cadeira de rodas esperando a morte chegar, fez com que Camilo e eu entrassemos numa discussao sobre morte, eutanasia e todas essas questoes apropriadas pra uma época de Natal. Ele disse que nao gostaria de viver em estado vegetativo e que respeitaria minha vontade caso eu quisesse partir dessa vida. Pegando o gancho e lembrando do programa de auditorio visto naquela manha, eu disse:

- Ah, olha, se um dia eu engravidar...
- Hum.
- ...e sofrer um acidente grave...
- Sim...
- ...e o médico disser "ou ela ou o bebê", você me escolhe, viu?
- Eh?
- Eh. 
- Por que?
- Porque um bebê a gente pode fazer de novo, mas outra Luci nao.
- Ta bom.

Silêncio. 

- Alias, alias! Depende. Se eu soh tiver 10% de chance de sobreviver, escolhe o bebê, ta?
- Ah, nao! Escolhe logo agora! Eu nao quero ter que escolher!

O bixinho ficou tao aflito em ter que saber o que fazer caso eu ficasse gravida e caso sofresse um acidente grave e caso o médico so pudesse salvar uma pessoa... O que importa é que, caso a gente participe de um programa de auditorio com esse jogo de casais, a gente acertaria a questao - caso ela fosse posta. 

Depois dessa conversa, voltamos pra casa e, sobre a mesa, a sobremesa. Umas pêras, calda de chocolate, uns doces que a mae de Camilo havia trazido de uma viagem à Turquia e, claro, chocolate. Eu nao sou do tipo que vende a mae por um pedaço de chocolate, mas passei momentos dificeis ao ver o pessoal se deliciando em meio a todo aquele cacao. Desejei a morte daquelas pessoas, queria que elas engasgassem e morressem entaladas. Foi um Natal tranquilo. 



domingo, 25 de dezembro de 2011

A chorada, a mamada e o ultimo post do ano

Camiloulou e eu estamos, ha uma semana, na casa dos pais dele passando parte das nossas férias. Eu pretendia aproveitar esses dias pra ver filmes, estudar pra ultima prova do semestre, ler bastante e dormir, mas os dias foram passando, ja estamos a um dia de voltar pra Lyon e até agora eu nao fiz nada do que pretendia. Eu procrastino até pra vagabundar, minha gente.

Apesar de, eu tou super contente. Gente, tem como nao ser feliz numa época em que tudo gira em torno de dar e receber presentes? Consumir e gastar? (Agora vocês estao em duvida se eu estou sendo irônica ou nao - e eu nao estou). No Natal da casa dos pais de Camilo, a tradiçao da troca de presentes, pra minha felicidade, reina. Fico super empolgada nao so com meus presentes, mas com o dos outros. Por isso, tratei cedo de garantir os presentes de Camilo, bem como os da familia dele. Mas qual foi minha surpresa, quando Camilo admitiu, sem nenhuma vergonha na cara, com a maior naturalidade do mundo, um dia antes de viajarmos pra ca, que nao havia me comprado nada. 

Gente.

Meu sangue parou de correr. Eu fiquei me perguntando se a frase "eu nao comprei nada pra tu" poderia ter outro significado. Eu fiquei esperando que ele dissesse "brincadeirinha, sua boba!". Mas nao. Ele tava bem sério e "nao comprei nada pra tu" realmente significava que Luci nao ia ter presente de Natal. Logo ela que havia comprado uma lembrancinha para todos. Logo ela que acredita que somente através da troca de presentes é que se pode demonstrar sua consideraçao pelo proximo. Houve um pequeno momento de tensao (que durou 12h) entre nohs dois. Desconfio que minha decepçao deve ter tocado o coraçao de Camilo porque, incrivelmente, nao sei por qual razao, ele foi ao centro da cidade no dia seguinte, assim que o sol nasceu.

Chantagem emocional, trabalhamos.  :)

Ja em Chateaubriant, decidimos ir ao Emmaus, mas era dia de Natal e a porcaria da loja estava fechada. Fico indignada com esse povo que nao trabalha em feriado. Francamente! No entanto, fomos a uma outra loja do gênero chamada Noz, que infelizmente, nao existe em Lyon. Meu povo, essa loja é tipo o paraiso na terra dos consumistas pobres. Eh uma loja de quinquilharia que vende desde chave de fenda à patê de figado de ganso, tudo a preços modicos. E quando falo de "preço modico", estou falando de meia-calça à 2,50€ (quando em qualquer loja de Lyon custa 20€).

Quanto à qualidade? E quem se importa com qualidade quando se pode comprar uma luva de pata de urso à 1€? Eu tinha meu cartao numa mao e uma cestinha na outra. Entrei naquele galpao e sai pescando tudo o que meu cérebro reconhecia como de necessidade vital: meia, anel, linha de costura, pinça, cinzeiro, chaveiro, muleta, mascara de leao, bengala, adesivo do Shrek, extintor, pano de chao, bocal de lâmpada, martelo, cueca, coador.

Mentira, peguei nada disso.

Quer dizer, pegar, eu peguei, mas eu sou uma mulher comedida e tirei a bengala e a muleta do carrinho. E todo o resto. Na verdade, eu soh levei cinco pares de meia (cada um a 1,30€), sete aneis feios (que, apesar da feiura, agora tem dedos para chamarem de seus, mas somente porque me custaram 0,95€ cada) e um pacote com dez linhas de costura. Eu nem sei costurar, mas o pacote era tao colorido! E custava somente 0,50€. Vai que um dia eu precise costurar algo. Alias, esse dia ja apareceu. Vai que um dia eu aprenda a costurar algo.

Depois das compras, fomos pra casa preparar a ceia de Natal. Achei que seria dificil seguir minha dieta na casa dos outros, mas a familia de Camilo ta me dando o maior apoio, sempre que vao cozinhar me perguntam sobre o que eu posso comer ou nao. Cunhado chegou mesmo a preparar meu mojito sem açucar. Nao, eu nao posso beber alcool durante o regime, mas eu liguei o foda-se e tomei umas cinco doses de Rhum ontem. Acho que isso contribuiu pra minha noite estranha. Porque sempre tem que ter uma palhaçada quando eu vou dormir na casa dos pais de Camilo. Da ultima vez, eu mijei na cama. Dessa vez, acordei no meio da noite pra fazer xixi, mas nao consegui abrir a porta. Tentei tantas vezes! E quando ja estava prestes a mijar de novo nas calças, acordei e me encontrei de quatro ao pé da parede tentando abri-la. Quando me dei conta de que estava tentando atravessar a parede, despertei e, bom... me senti um pouco ridicula. O importante é que consegui levar minha bexiga cheia até o banheiro.

Camilo acertou em cheio nos presentes (viu, amor, como é facil me agradar?). A familia de Camilo acertou em cheio nos presentes. Mas nada comparado ao que veio no dia seguinte: a mae de Camilo me pergunta se eu tenho algum tipo de alergia à brincos ou colares. Respondi que nao. Eis que ela me surge do quarto com meia duzia de brincos de prata e estes dois colares:



Quase caih pra tras quando vi que eram pra mim. Desculpa, gente, tou me sentindo meio idiota em ser tao exibida, hihi mas eu pirei muito nesses colares. Foram presentes de amigos comprados em algum buraco da Africa cujos fechos provocavam alergia na minha sogra. Pra minha tamanha sorte. Valeu, coceira de pescoço da sogra! Colares do gênero sao coisas que eu amo, mas que minha situaçao financeira nao pode dar conta, afinal, sou uma menina Noz. Uma menina Noz que vai terminar o 2011 cheia de presentes. Afinal, pra que serve o Natal?


sábado, 30 de outubro de 2010

Arte culinaria = França

O show de Hindi Zahra foi otemo! Mas um pouco diferente do esperado. No album, as musicas sao tranquilas, toque de jazz, aquela coisa soft. No show, houve guitarra suficiente pra fazer o Metallica parecer Balao Magico. A moça devia ter dois palmos de altura, porque, mesmo usando salto alto, via-se que ela era bem nanica - o contrabaixo tinha sete vezes o tamanho dela (depois desse paragrafo, alguém mais duvida que eu sou uma pessoa exagerada?).

Ela entrou com seu vestido de oncinha, pouco falante. Mal se mexia. Depois, foi se empolgando e, la pra metade do show, incorporou a pomba-gira e ficou com ela até o final do espetaculo. De vez em quando, ela fazia umas dancinhas que deviam ter sido coreografadas por Scheila Carvalho em parceria com Regan MacNeil. Ora ela descia até o chao com as pernas abertas, ora ela se tremia toda ao mesmo tempo em que revirava os olhos. Essa mulher sabe mesmo o significado da palavra espetaculo. 

Adorei!

A estadia na casa dos pais de Camilo me fez bem, apesar de eu nao ter feito muita coisa por la. O meu momento mais produtivo foi uma mijada na cama. Por aih vocês tiram. Como o aniversario da mae de Camilo foi esse mês, resolvemos comemora-lo num almoço na casa da avoh assassina dele. Um ano e meio na França e eu sempre vou achar curiosa a forma de comer desse povo. Eh tanto protocolo que as vezes eu fico sem saber se posso me servir de algo sem agredir as regras.

No Brasil, a gente faz um prato de comida soh, com tudo o que tem direito, e é feliz. Aqui, pra ser feliz num jantar mais formal, temos que respeitar o demorado ritual do "aperitivo - entrada - prato principal - salada - queijo - sobremesa - digestivo". No Brasil, a gente mistura tudo e come qualquer coisa a qualquer hora. Aqui, ja me estranharam quando eu disse que comia presunto no café da manha - o café da manha do francês é doce: o mais perto que eles chegam do salgado é quando colocam manteiga no pao. Outro dia, fui comer queijo de cabra antes do almoço e meu roommate me olhou como se eu tivesse me servindo de um prato de vermes. "Você vai comer queijo de cabra ANTES do almoço?" Exatamente, observe.

No Brasil... Todo santo dia tinhamos, na hora do almoço, arroz, feijao, purê, macarrao e carne. Soh como feijao aqui quando eu faço (ou seja, nunca). E parece pecado comer macarrao com outra coisa. Pensei uma vez em fazer feijao e macarrao e escutei de outra roommate: "isso tudo?! Mas vai ficar muito pesado!" - frases que me fazem pensar que os franceses nao passaram pelo mesmo processo de evolucao do resto do pessoal do mundo no que diz respeito ao seu sistema digestivo. Porque eu acho que eu soh nao digiro cimento.

Chuchuzinho da mamae
Mas tivemos outras pequenas aventuras culinarias. Aprendi a fazer um cake de azeitona que é tao simples quanto gostoso! Fizemos também uma pequena bomba de gordura e calorias que, por aqui, se chama fondue. E ganhamos da mae de Camilo um "cuiseur vapeur" (a maquina pra cozer os alimentos). Olha, você sente as mudanças na sua vida através da sua satisfaçao em relaçao aos presentes que ganha. Quando eu era criança, eu gostava de ganhar brinquedos. Na adolescência, eu curtia ganhar CDS. Agora fiquei super feliz de ganhar... um eletrodoméstico. Eh o fim. 

sábado, 23 de outubro de 2010

Vinte e cinco anos de sonho, sangue... e urina

(Post escrito no 22 de Outubro, também conhecido como "ontem").

Um dos irmaos de Camilo ta morando temporariamente na Polônia. Como a familia dele costuma passar os natais juntos, meus sogros ja garantiram as passagens pra congelarem a bunda na Polônia. Mas como eu sou uma pessoa pobre, nao vamos poder viajar com eles. E quando eu digo pobre, é isso: Camilo, ha cinco minutos: "coloquei grana na tua conta porque tu tava com - 15€". Hihi Portanto, resolvemos antecipar nosso encontro natalino passando esta semana na casa dos pais de Camilo, em Chateaubriant, que é de onde eu vos escrevo nesse exato momento. 

Tou toda contente porque, ha umas semanas, conheci uma cantora através de uma amiga. Ela se chama, a cantora, Hindi Zahra. Eh uma marroquina que mora na França e faz um som bem tranquilinho, perfeito pra uma pessoa que anda intranquilinha. Gostei tanto do album dela que fui no seu site oficial procurar por algum show em Lyon. Nem previsao. Mas eis que vejo que teria um show em Chateaubriant esse mês. "Seria muita sorte se fosse bem na semana em que estaremos la". E adivinhem... O show é hoje. Uh!


::

(Narrador da Globo mode on) Tenho vivido aventuras muito loucas desde que saimos de Lyon. Por conta da greve, somente dois de cada três trens estao circulando. Como somos de sorte, nosso trem foi cancelado, mas a bagunça é tao grande, que poderiamos pegar qualquer trem pra qualquer lugar da França desde que, claro, houvesse vaga nele. 

Planejamos um Lyon - Paris e depois Paris - Rennes (que fica perto de Chateaubriant). Deu certo. Chegamos em Paris e pegamos um metrô (pra irmos à estaçao de onde partiria o segundo trem). No metrô, fui abordada por uma mulher com um mapa na mao: "da pra você me indicar aqui onde fica a linha 6?". Eu odeio dar informaçao. Nao porque nao goste de ajudar o proximo, ja que minha formaçao catolica nao permite tal pecado. Mas porque

eu-nao-consigo. 

Eu entro numa especie de minipânico e acabo sempre dando a informaçao errada, tipo: tou subindo no ônibus, indo pro centro. Nego chega junto: "vai pro centro?" e eu respondo "nao" e ainda sorrio. Nao é maldade, é abestalhamento mesmo. Entao, prefiro dizer que nao sei antes mesmo de ouvir a pergunta, ainda mais se a informaçao tem que ser passada em outra lingua, sobre uma cidade que eu nem conheço! Soh que a mulher perguntou a todas as pessoas do metrô onde diabos estava a linha 6. Finalmente, ela disse: "é porque tou escrevendo um romance e queria saber a reaçao das pessoas à minha pergunta". A reaçao de todas as pessoas foi a mesma. Se eu soubesse, teria feito uma mimica.

Uns minutos depois, o metrô foi parado devido a um pacote suspeito na estaçao em que desceriamos. Em Lyon aconteceu o mesmo essa semana. Olha, se eu fosse um terrorista, ficaria muito chateado com essa banalizaçao dos pacotes suspeitos. Um dia, ninguém mais vai dar crédito ao pacote abandonado no canto do metrô (e nesse dia, eu nao quero estar por perto, porque vai ser justamente esse que vai fazer catapum). 

Seja como for, chegamos ao nosso destino. Tou muito satisfeita de ter uma semana de férias pela frente, mesmo se eu sei que devo estudar durante esse periodo. Aproveitei hoje pra dormir até tarde, descansar bastante. Mas acho que exagerei na relaxada: hoje eu fiz xixi na cama. 

(Pausa).

O meu tem funcionado
bem, obrigada
Tou falando sério, minha gente. Eu-fiz-xixi-na-cama. E pior: eu nao tenho dois anos de idade. Eu sonhei que eu queria fazer cocô, na verdade, mas como eu nao conseguia, fui consultar minha querida mae que me aconselhou: "quando você for a um banheiro, você vai conseguir" - até entao eu tava tentando cagar sei la onde. Entao, fui ao banheiro e... "Que porra é essa que eu tou fazen..? Ah, meu deus, mas o qu...?! Puta que pariu!". Acordei assim, divina. 


- Amor!
- zzZZZzzz... Hum...
- Eu fiz xixi na cama.
- E foi?
- Foi...
- Coisa linda!

O caba tem que ta mermo muito apaixonado pra chamar de linda uma pessoa que mija na calcinha aos 25 anos. Enfim. Ja vinha suspeitando de que eu nao estava numa boa fase da minha vida. Preciso de um psicologo. E de fraldas. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Terremoto, guerra e festa

Quando comecei a escrever o meu ultimo post, eu não pretendia falar somente sobre vômito. Eu ia explicar que, no meio daquela ressaca toda, eu tive que enfrentar um dia torturante de trabalho e finaliza-lo numa viagem de 7h de trem + 1h de carro rumo à casa dos pais de Camilo, no norte da França.

O motivo dessa viagem foi a festa de aniversario do pai de Camilo, esse senhor simpatico da foto, que fez 70 anos. "OHMEODEOSDOCEO, o pai de Camilo tem 70 anos?! MANAOEHPOSSIVEO". Pois é, minha gente, é possivel. E o melhor é que o irmão mais novo de Camilo tem somente 15 anos. Ou seja, o véi tah em forma. E, não, ele não tinge o cabelo. Espero que Camilo esteja esbanjando essa saude aos 70 - calma, amor, isso não é pressão, é soh uma prece.

Acho que eu nunca contei aqui o quanto eu adoro o ambiente que envolve os pais de Camilo. A cidade, a casa deles, as historias. Vou tentar* contar a historinha dos pais dele, que eu acho muito legal.

O pai de Camilo é salvadorenho e a mãe, francesa. Aos 20 aninhos, a mãe de Camilo, que é enfermeira, foi embora da França rumo a El Salvador através dos Médicos sem Fronteiras porque o pais passava por uma guerra civil (1980 - 1992). O pai de Camilo, por seu lado, atuou numa radio clandestina, ao lado dos revolucionarios, claro - do contrario eu não o admiraria.

O curioso é que eles não se conheceram em El Salvador, mas sim em Paris, algum tempo depois. Dai, nasceu meu futuro marido, que foi com seus pais pra El Salvador. No pais, nasce um dos irmãos de Camilo. Fugindo da Guerra, que ainda tava rolando, a familia vai pra Nicaragua, onde nasce o terceiro e ultimo irmão de Camilo (pois é, minha sogra também não tinha fronteiras pra parir). Depois, eles voltam pra El Salvador, mas precisam deixar o pais novamente por causa dos terremotos. Então, é simples: França - El Salvador - Nicaragua - El Salvador - França. Voila!

Trinta anos depois:

Agora eles moram na pequena Chateaubriand, numa casa lindamente decorada com artesanatos recolhidos nas viagens que eles fizeram e nos lugares em que eles moraram na América. Soh recentemente me dei conta que esse pequeno detalhe contribuiu enormemente pra que eu me sentisse em casa nessa terra fria.

Mas voltando à festa...

Quanta diferença! Nas festas da familia materna de Camilo, à la francesa, eles servem sonifero na bebida dos convidados. Pelo menos essa é a unica explicação que eu tenho pra justificar uma festa sem ruido. E, uma vez à mesa, as pessoas não se levantam mais: se empanturram até a morte. Isso não é necessariamente ruim, claro, porque os pratos são de fazer chorar de alegria. E o mais impressionante é que não são pratos esdruxulos, com perninha de sapo ou melequinha de caracol. São somente combinações diferentes daquilo que você (eu) come no dia-a-dia arranjadas de uma forma ousada. E apos o aperitivo, a entrada, o prato principal, a salada, o queijo e a sobremesa, as pessoas tomam o digestivo (dose de algum alcool forte e ruim), também conhecido como vomitivo (ok, essa eu escutei na festa, deve ter sido uma piada).

Imaginei que uma festa dada pelo pai de Camilo fosse diferente e acertei. Os pais de Camilo tem amigos muito fiéis: vieram pessoas de Paris, da Bélgica e mesmo de El Salvador pra essa festa. Como foi o caso do violeiro ao lado. Quando ele soube que eu era brasileira, ele tirou um objeto esquisito do bolso e me fez cheirar. O cheiro da cachaça bateu fundo na emoção.

- Porra, isso é cachaça!
- Eh, você é brasileira mesmo.

Craru que sou. Perguntei porque ele andava com cachaça no bolso. Ele parou e, apos alguns momento de reflexão, disse bem sério "é que as vezes minha garganta arranha". Depois dessa razoavel explicação, fomos aos mojitos:

Lindinho, eu e o mojito que eu deixei do lado, afinal...


...meu negocio é cerveja, mano

Camilo se ocupou, bem ocupadamente, como vocês podem ver, do churrasco. Dei graças aos céus, apesar de não ter recebido atenção durante o momento em que ele geria a carne. Mas quem conhece a maneira francesa de tratar a carne vai entender do que eu tou falando. No Brasil, a carne é ou "bem passada" ou "mal passada". Ponto. Mas francês inventa, então, aqui tem quatro tipos: bleu, saignant, a point e bien cuit. Mas o que isso quer dizer, Luci? Bom, pro francês isso quer dizer:



- Bien cuit = bem cozida
- A point = ao ponto
- Saignant = sangrento
- Bleu (azul) = crua

Mas pra mim, brasileira, isso quer dizer:

- Bien cuit = crua
- A point = crua
- Saignant = crua
- Bleu = crua

Camilo ja tinha me prevenido, porque eu tenho verdadeiro horror à carne (semi) crua, mas aqui é quase impossivel fugir dela. Bastou Camilo entrar na casa pra pegar mais carne pra assar, que um francês (de branco na foto) correu pra grelha e saiu resgatando os pedaços de carne na brasa. Malandrinho.


Aqui, o dia seguinte à festa.
Camilot, moi (com meu supersorvete delicioso de sei-la-o-que),
o irmão caçula de Camilo, pessoa e Papi.

*Lindo, me corrija se eu tiver me equivocado

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Juliana vai à Chateaubriant

Pela primeira vez na vida, eu entendi o real sentido da palavra férias. No Brasil, férias somente era a prolongação da vida cretina que eu ja levava normalmente (casa - mesa de bar - faculdade - mesa de bar - casa)*. Nossas férias duraram apenas 11 dias, mas foi o suficiente pra um pequeno tour na França (vide mapa).

Passamos o Natal na casa dos pais de Camilo, em Loire-Atlantique (norte), na pequena commune de Chateaubriant. Eu queria não fazer a cretinice de comparar a pequena Chateau de 12 mil habitantes a qualquer pequena cidade brasileira, mas é impossivel não se surpreender. Ou fazer comentarios matutosos. Por exemplo, não importa onde você va, que rua ou estrada pegue, por qual vale ou montanha ande, ou o quão pequena seja a cidade, todas as ruas francesas são asfaltadas. Não "calçadas", asfaltadas. E se ela não for asfaltada, é na intenção de conservar o pavimento historico sob nossos pés. Louvavel.

Quando Camilo me falava sobre a cidade, eu imaginava que iria encontrar as casas separadas por quilômetros, uma pequena venda perdida em alguma rua e as cabras pastando entre as casas. Mas a pequena Chateaubriant tem, além de um castelo (chateau = castelo), ruas asfaltadas, ladeadas de flores. Tem um cinema de porte médio (dez filmes por semana), um teatro abrigado por um prédio de vidro, conservatorio de musica, dança e arte dramatica, mediateca, biblioteca, boliche, piscina olimpica etc. Os bares tampouco aparentam fazer parte da estrutura de uma pequena cidade: estilo pub inglês, com decoração estilosa e barman tatuado dos pés a cabeça. Eh, não lembra muito Cajazeiras...

Chegamos exaustos e ja nos sentamos à mesa pra Ceia de Natal. Comer na França é uma coisa quase cansativa. Uma refeição festiva aqui pode durar facilmente cinco horas. Francês é um povo que come muito e come bem. As porções de passarinho no prato tem uma explicação: você começa pelos aperitivos, passa pra entrada, vai ao prato principal (pode ter um, dois...), depois vem a salada, os queijos e, por fim, a sobremesa. Ao final, meu amigo, você estara seguramente farto. Quer dizer, satisfeito.

No dia 27, fomos ao almoço de familia organizado pela voh assassina de Camilo. O troço começou depois do meio-dia e terminou no começo da noite. Eu começo a entender porque Camilo tem me chamado de gordinha. Antes do almoço, passei duas horas tentando relembrar o nome de todas as tias e primos e maridos de sei la quem pra que, ao final, eu fosse chamada de Juliana pela tia de Camilo. So não a sacrifiquei porque minha ira foi aplacada por uma caixa de chocolate que ela nos ofertou. Humana!

*"Mesa de bar" pode ser trocado por "cinema" e "casa" pode ser trocado por "casa dos outros"

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O presente

Numa passagem rapida pelas coisas que aconteceram nesses ultimos tempos, me parece que tenho coisas legais pra contar. Legais pra mim, claro. Mas vamos por partes.

Dia 08 desse mês, fomos de novo à Chateaubriant. Dessa vez, para a festa que a mãe de Camilo estava planejando havia meses. O motivo, como eu acho que ja disse, era os 50 anos da mãe dele, os 20 anos do irmão e a comemoração do nosso casamento. Tivemos uma festa entre os amigos (de Camilo) no dia em que nos casamos, 09 de janeiro, mas essa nova festa seria para a familia (de Camilo) se inteirar dos acontecimentos. Bolamos até um diaporama pra apresentar nossa historia as pessoas. Quando puder, posto aqui.

Não nego que eu estava um pouco (MUITO!) nervosa, porque eu ia conhecer familiares que o proprio Camilo não via ha mais de 10 anos. Se seria estranho/novidade pra ele, imagina pra mim! A primeira pessoa que conheci foi Tia Renne, a tia-avô de Camilo, irmã da "mulher-maravilha" do post passado. Gostei dela. O engraçado é que Amanda, em um dos posts passado, comentou que os avos de Camilo deviam ter muita historia pra contar sobre a II Guerra ("ainda mais morando no Norte da França", ou coisa que o valha). Pois bem, Amanda, Tia Renne contou sobre um episodio que aconteceu durante a Segunda Guerra em que ela estava numa igreja no momento em que os Alemães invadiram a cidade dela e começaram a atirar "em tudo que se mexia". Ela disse que as balas passavam zunindo pelo ouvido dela, mas que ela conseguiu se salvar. Não teve a mesma sorte o namorado da irmã.

Eu fiquei me contorcendo de curiosidade! A vontade era de sentar no colo da velha e metralha-la, finalmente, de perguntas. Fiquei revoltada quando mudaram de assunto, como se aquele fosse qualquer um. Eu fico muito triste de pensar que, dos meus avos, eu nunca saberei nenhuma historia legal porque, quando eu finalmente atingi a maturidade pra conversar com meus avôs, eles morreram. Falta a avô materna. Mas creio que, pela distância que nos separa atualmente, a unica coisa que eu vou saber sobre ela é a noticia do obito.

Conheci as tias e maridos das tias de Camilo. Conheci os primos, os filhos dos primos, os amigos do colégio, as namoradas dos amigos do colégio, os amigos da mãe, os filhos dos amigos da mãe, a tia-avo. Isso me proporcionou a oportunidade incrivel de decorar em torno de quarenta nomes franceses. Isso me deu a oportunidade de conhecer Anette.

Ah, Anette!

Anette é um ser que, provalmente, não tem mais de três anos de idade e, assim como eu, Anette não domina o francês. Assim como eu, Anette não conhecia ninguém na festa. Vocês estão vendo que situação perfeita para nascer uma linda amizade? Anette jogou o seu elefantinho de pelucia na minha cabeça e assim começamos um joguinho saudavel onde ela procurava arremessar o bicho em mim (pela força não era para mim, era em mim mesmo). No entanto, percebi que Anette não poderia ser minha amiga quando ela quis ir ao banheiro e eu tive que limpar a bunda dela. Eh estranho ter uma amiga da qual você limpa a bunda. Mas tudo bem. Momentos depois, um primo de Camilo queimou a pobrezinha com o cigarro sem querer e eu fui lavar o braço dela. Diante dessa bonita historia de amor, a mãe pediu pra Anette tirar uma foto comigo.

A maior parte da festa foi somente constrangedora. Quando as pessoas perguntavam se eu sabia falar francês, a mãe de Camilo se adiantava e dizia, numa tentativa de me estimular e dar apoio, que sim. Mas a festa não foi de todo ruim, afinal, uma festa de casamento que se preze tem presentes. E os presentes que escolhemos foi dinheiro: para esse atual momento-liseu não poderiamos ganhar nada melhor. Ganhamos uns patês (que eu não vou comer), ganhamos umas orquidias (que deixamos no trem), uns porta-retratos (que esquecemos em Chateaubriant) e uns pratos LINDOS (que tivemos que deixar la por ja estarmos carregando peso demais). Tou feliz.


Anette é boa gente.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O terrivel destino dos coelhos

Ha um mês Camilo e eu fomos à Chateaubriant, cidade onde moram os pais dele, no norte da França, para provindeciarmos junto à mãe dele os detalhes de uma festa tripla: comemoração do nosso casamento, dos 50 anos da mãe e dos 20 anos do irmão do meio. Aqui na França se costuma antecipar ou retardar esse tipo de comemoração de maneira que aconteça nas estações quentes. Acho que eu e Camilo somos o unico casal de Lyon que casou perto dos 0°.

Na ocasião dessa visita à Chateau, conheci a casa dos avos de Camilo. Os avos dele, juntos, tem (têm) mais de 180 anos. A avoh é aquela mulher-maravilha que faz tudo (ela propria se auto-intitula une femme a tout faire). Apesar de estar perto dos 90, corta lenha com um machado maior que ela, é impressionante. Na propriedade dela, tem pé de uns 15 tipos frutas. Tem galinha, pato, coelho (pra consumo pessoal) e umas plantações que eu esqueci de que eram.

Com essa idade, acredite, ela sabe muito sobre as coisas que cuida. Quando ela era pequena, enquanto cuidava das vacas da familia, ela transplantava galhos de uma planta para outra e o resultado era uma planta melhorada. Ela pega um galho de um tipo de maçã, por exemplo, junta com outro tipo e dai sai uma maçã mais bonita (ou uma rosa mais bonita, o que seja). Camilo diz que ela não é a pessoa mais humilde que existe, que ela vive se elogiando, mas isso não me incomoda. Primeiro porque, com essa idade e com as coisas que ela sabe, eu acho mesmo que ela merece elogio. Depois porque eu não entendo porra nenhuma do que ela diz, então, tanto faz.

Mas, na ocasião dessa visita à Chateau, além de eu ter conhecido a casa dos avos dele, eu quase conheci uma Luci vegetariana. A mãe de Camilo disse que iriamos até a casa dos pais dela pra comermos coelho. Beleza, eu nunca tinha comido coelho na minha vida. Alias, acho que se eu algum dia na vida comi alguma carne que não fosse de vaca ou de frango, foi porque me enganaram e me cozeram um gato, porque eu não sou muito fã dessas iguarias.

Chegamos na casa dos velhinhos e, assim que eu entrei na cozinha, me deparei com minha proxima refeição morta em cima de um prato, banhada de sangue, com os olhos negros esbugalhados e os dentes de fora. Não dava nem pra entender como um coelhinho fofo e saltitante tinha se transformado naquela coisa bizarra. Eu tive aquele choque instantâneo e fiquei parada observando o coelho me observar. Ali, parada. Luciana - pensei - não crie caso, querida, você vai ter que comer essa porra de coelho, então, pare de olhar pra ele.

Então, fomos dar uma volta e Camilo me chamou pra vermos os outros coelhos (vivos). Quando eu tava entrando no galpão, vi uma das patas do coelho-jantar decepada no chão. Ai soltei um gritinho de nojo pra mãe de Camilo. Foi quando eu vi a outra pata pendurada bem perto da minha cara. Foi foda. A mãe de Camilo riu e contou que, quando o irmão de Camilo era pequeno, a avoh matou um coelho e disse pra Manuel "olha como eu tiro o pijama dele" e puxou a pele do bicho de uma vez. Show de sensibilidade.


Quando voltamos à casa, o coelho estava virando churrasco. Quando foi posto no meu prato, o coelho estava virando minha barriga. A avoh pôs a cabeça do bicho no prato - que ja não estava tão assustadora, visto que agora os olhos estavam fritos, e os dentes, quase imperceptiveis. Eu peguei uma pata. Ou o resto dela. A avoh deu a ordem de comer usando as mãos. Ou seja, o cenario estava feito: mata o coelho, tira a pele, sangra, joga no fogo, pega com as mãos, como verdadeiros selvagens, e mastiga a carne do bicho.

Sai do ritual achando que eu nunca mais comeria carne na vida. Na verdade, eu nunca mais quero ver o que acontece com o bicho antes de ele estar no meu prato. Não, não é (somente) falta de consciência, é questão de praticidade mesmo: ainda não cheguei ao ponto de achar que posso manter uma dieta rigida que exclue a carne. Por questões ambientais, temos comido menos carne, mas nada além disso.

De qualquer forma, acho que essa familia não gosta muito de coelho (vivo). Ontem mesmo Camilo atropelou um. "Pô, esse foi o segundo". Tsc.

Talvez

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