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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um post trivial

Semana passada, conclui o estagio intensivo de inglês na faculdade. Se tudo der certo, posso dizer que essa foi minha ultima semana na faculdade como graduanda. O curso, apesar de cansativo, foi interessante. A professora praticamente nao ensinou nada de gramatica, mas nos estimulou bastante para que conversassemos em inglês com os colegas do lado. Claro que ninguém respeitava a regra e todo mundo conversava em francês mesmo. Quando a professora notava, ela reforçava o pedido para que as pessoas falassem em inglês. Toda vez que isso acontecia, tudo o que eu conseguia ouvir ao meu redor, era um dialeto esquisito e incompreensivel: franceses extremamente convencidos de que sabem falar inglês. Eu nao saberia reproduzir a forma deles falarem, mas é mais ou menos assim. Lindo.

O tema do dia era "trivia". Como ninguém sabia do que se tratava, a professora explicou que trivia é uma informaçao... trivial, algo curioso, mas sem importância. "O elefante nao consegue pular", por exemplo. Eu sentei na frente de duas meninas que eram amigas e que falavam pelos cotovelos. Uma delas, além da deficiência no inglês, era, digamos assim, tapada mentalmente lenta. 

- O que é uma trivia?
- Uma informaçao curiosa, mas sem importância.
- ???
- Olha, peguei uns exemplos nesse site e...
- Aaaah, trivia é um site! :D
- Nao. Burra. Trivia é um fato, uma curiosidade insignificante sobre algo ou alguém.
- Ah, entendi! 

Entao, ela se vira pra amiga e diz gritando:

- Tu é uma trivia! Hahahahaha Trivia! Trivia!

Aff.

Quanto mais eu explicava, mais a menina ficava confusa. A amiga dela ja tinha desistido. Buda ja teria dado um tapa. Mas eu sou uma pessoa iluminada, altruista e queria fazer com que ela entendesse o que era uma trivia porque iamos fazer um trabalho juntas porque eu queria que ela voltasse pra casa mais preparada pra continuar o estagio. 

Hora de fazer o trabalho: "pergunte ao seu colega se ele conhece alguma trivia". Ela me perguntou e eu dei o exemplo do elefante. Eu:

- E tu, conhece alguma trivia? 
- Conheço: "as pessoas que bebem café, fumam". 
- Err... eu nao acho que iss... (suspiro). Ah, deixa pra la...
- :D

Como eu sou sortuda, a professora perguntou pra mim um exemplo de trivia. Eu, nervosa, acabei lendo a "trivia" da songa-monga colega e a professora, claro, disse que eu tava errada. Toin! Mas até aih, tudo bem. Tenso mesmo foi quando a gente teve que fazer uma pequena entrevista entre a gente em inglês sobre nossos idolos. Eu, mais uma vez:

- Quem é seu idolo e por que?
- Zhsyeru ggsemgj iss Fulana de Tal badshsa zeahqqb euutt caersshh shtee xaiisetion!
- ...
- ...
- Eh o que, homi?

Aih ela repetiu a frase do mesmo jeito, so que cinco vezes mais alto. No dia seguinte, claro, procurei sentar ao lado de outra pessoa. Encontrei uma argelina bastante simpatica, da minha idade. Na condiçao de estrangeiras, a gente tinha muita coisa em comum e conversamos como se nos conhecessemos ha anos. Quando ela soube que eu era babah, fez um monte de perguntas sobre meu trabalho e perguntou se eu estava interessada em cuidar da filha dela. Como era justamente nos dias em que eu nao trabalho com os guris, disse que, por mim, nao haveria problema. Eu so nao esperava que...

- Tu toma conta de quantas crianças?
- Duas.
- Tu ganha quanto?
- O salario minimo: 7€ por hora.
- Isso da 3,5€ por criança...
- Eh...
- Humm, que legal. Entao, na sexta-feira tudo pode de que horas?

Peraih, oi? Sera que ela ta pensando que eu vou cuidar da filhota dela por três euros e cinquenta centavos por... hora? Nem se eu fosse uma pessoa iluminada e altruista. Mas deixei a conversa seguir para confirmar minha desconfiança sem precisar perguntar diretamente a ela o que ela estava pensando. Mas ela acabou desistindo da ideia quando soube que eu nao poderia cuidar da menina na minha casa. 

Feliz por ter concluido o estagio. 


domingo, 2 de outubro de 2011

Historinhas

1. Finalmente tomei vergonha na cara e mudei de médico. Minha nova médica se chama Lapica. Lapica tem sorte de nao ter nascido no Brasil, vocês nao acham?

2. Minhas aulas começaram. Uma disciplina é sobre a historia da India e a outra é sobre a historia do livro. Era o que tinhamos para o momento. A professora de Historia da India parece ser bem legal, apesar de um pouco desorientada. 

- Os textos religiosos indianos sao infinitos! Infinitos!
- (...) 
- Ok, talvez nao infinitos. Mas eles sao milhares! Milhares!

Tudo bem, professora, a gente entendeu que "infinito" era modo de falar. Em um momento, ela quis saber, sabe-se la porque, se alguém da turma falava chinês. Uma menina disse que teve curso durante a escola. Foi o suficiente pra professora virar pra ela e, com voz anasalada, começar a falar em chinês. Chang chuan chang chuan! Chang? A cara da menina: 


Acho que vou me divertir com essa professora. Para a outra disciplina, temos dois professores que se alternarao durante o semestre. A professora desse curso é assustadoramente magra, vocês nao tem idéia. Eu passei as 4h de aula observando ela, aflita, vendo a hora dela cair no chao de fraqueza. Vou levar um prato de sopa pra ela na proxima aula. 

3. Coloquei um piercing ontem. Havia alguns meses que eu planejava isso, mas o momento era sempre adiado. Ora devido à falta de companhia para a empreitada, ora pela... preguiça. Aproveitei entao, a presença de uma amiga que ta de passagem em Lyon e fui me furar. Adorei! Eh uma pena que eu soh tenha duas orelhas, porque eu gostaria de ter mais piercings.

Um dia, o guri viu meu piercing do umbigo e disse que queria um também. Fui toda sorridente contar isso à mae dele no melhor tom "criança diz cada uma!". Quando ela ouviu, virou pro guri, segurou os ombros dele e disse "filho, Luciana é o exemplo de tudo o que a gente nao quer nessa casa: tatuagem e piercing :)"

Luci: :O
Mae: :)
Luci: :O
Mae: :)
Luci: ¬¬





quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sobe. Desce.

Minha universidade deveria se chamar Université et Cirque Lumière Lyon 2 onde o palhaço é você, estudante. Minha vida estudantil tem mais reviravolta que... uma vida cheia de reviravolta. Maria do Bairro perde. O professor responsável pelo curso convocou os mentalmente incapazes alunos que ficaram de recuperaçao para apresentar o novo sistema de disciplinas. Tive varias surpresas nessa reuniao:

1. Nao vou precisar fazer a disciplina do coronel Landa. Obrigada a tod@s que enviaram pensamentos positivos, que desejaram a morte do meu professor e também àquel@s que propuseram toda sorte de macumba e tragédia no intuito de me ajudar. Vocês sao demais! E obrigada também à secretária do curso que disse que eu nao tinha outra opçao de disciplina além dessa, me fazendo viver, assim, longos dias de angustia e sofrimento. 

2. A segunda surpresa foi quando o professor pegou minhas notas e disse que eu deveria refazer também a disciplina de inglês. O tempo parou, meu coraçao congelou e um olhar maligno foi lançado à supracitada secretária que me disse, semestre passado, que eu nao precisava fazer a recuperaçao de inglês. Valeu pela informaçao correta. 

3. Entao, fui me inscrever na disciplina de inglês e o responsavel do curso disse que eu perdi a inscriçao, que era tarde para mim porque o curso ja tinha começado. "Agora você deve esperar o final do semestre (janeiro) para fazer uma recuperaçao". Ou seja, nem fiz o curso e ja estou de recuperaçao! :D

Se a preguiça permitir, farei um post informativo sobre a faculdade, porque confiar nessa secretária pode ser um pouco arriscado. Ja em mim... 



domingo, 4 de setembro de 2011

O mal estah de volta

Eu tenho noticias boas e noticias cu pra dar pra vocês. Qual vocês querem primeiro? 

Eu sabia. 

A primeira noticia cu do dia: nao passei em duas disciplinas na faculdade. Isso significa nada de mestrado pra Luci esse ano. Significa tooodo um ano escolar perdido pra mim por causa de duas disciplinas. Me disseram que faculdade nao dava futuro, mas eu nao acreditei. Duas disciplinas. Entao, vou refazer essas duas disciplinas no proximo semestre (que vai de setembro à janeiro). Se eu passar, terei meu diploma e uma entrada direta pro mestrado. Se eu nao passar, suidicio de brasileira frustrada em Lyon serah noticia nos jornais. 

Mas felizmente...

Como quem nao quer nada, mentira, pedi uma bolsa junto à um orgao do governo. Qualquer trocadinho estaria de bom tamanho, mentira. Entao, passei meus dados, revelei o quanto ganhei no ano passado e isso deve ter sensibilizado o pessoal que calcula o valor das bolsas, porque eu acabei sendo agraciada com a bolsa de maior valor. "Nossa, que pessoa pobre. Vou ajuda-la". E pimba. Agora promoverei festas milionarias no meu iate, regadas à alcool e dorgas. Estarao todos convidados. Menos os amigos pobres, beijos.  

Mas infelizmente...

Eu soh teria dois dias livres na semana pra escolha das disciplinas na faculdade (os dias em que os guris estao na creche). "Nao é possivel que as disciplinas nao caiam nesses dois dias". Mas, né, foi possivel. Vivi 24h de afliçao pensando no que eu deveria abandonar: faculdade ou emprego. 

Mas felizmente...

Os pais dos guris sugerem uma mudança no horario de trabalho deles ou no horario da creche. Muito amor.

Mas infelizzZZZZzzz...

"Te vejo em setembro, Luciana"
E essa é a pior noticia do mundo inteiro: vou ter aula com um mesmo CUZUDO do semestre passado. O Maligno que me fez passar pelo pior momento da faculdade. O Cruzeta que quase me fez chorar em sala de aula durante um seminario com perguntas gênero "MAH COMEH QUE VOCÊ NAO SABE DESSO, PELAMOR DE DELS?!" Pensei, "mas Luciana, veja pelo lado bom: nao tem". E eu nao refarei a disciplina por nao ter passado, eu passei! Mas como preciso absolutamente fazer alguma matéria em Geografia, e esta é a unica matéria de Geografia disponivel nesse semestre, eu tenho que refazê-la. Semestre passado, eu estava gargalhando e abrindo garrafas de champagne no meu quarto em comemoraçao ao fato de nao ter que ver mais nunca este homem na minha vida. Deus, você é um sadico


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nota sobre as notas

Amiguinhas, amiguinhos e gente do mal. Estou vivendo um dia lindo e fantastico. Possivelmente, o melhor do ano, até aqui. Explico sem mais delongas: recebi minhas notas ontem e, gente, eu passei de semestre!

Ooohhh!

Eu tou anunciando isso, mas ainda nao tou acreditando. Entendam. Minhas notas em pelos menos duas disciplinas estavam muito ruins (um oito e um seis quando a média exigida é dez). Eu precisava me sair muito bem nos exames escritos pra compensar essas notas. O problema é que essas notas ruins foram de trabalhos que eu havia feito no aconchego do meu lar, tendo sido revisados por um francês (ou seja la o que Camilo seja). Entao, a probabilidade de eu fazer uma prova escrita e obter uma boa nota que pudesse compensar as ruins era bem pequena e, como eu viria a saber, isso seria mesmo impossivel: tirei notas tao ruins quanto as anteriores. Hihi

Mas Luci, como entao você passou? 

A Amanda disse que foi porque ela orou bastante nos momentos em que eu fazia as provas.  E, mesmo que eu ache essa explicaçao muito razoavel, eu acho que o fato de eu ter obtido boas notas nas outras disciplinas fez com que eu pudesse compensar as notas ruins. Sistema francês, seu lindo! Eu ja tava conformada em ter que repetir essas disciplinas, em ver as detestaveis caras dos meus professores no proximo semestre, mas aconteceu algo grandioso: a matéria em que tirei sete, por exemplo, foi compensada pelo 14 de outra disciplina. Nao é lindo? 

Mas vou parar por aqui, até porque essa boa noticia nao significa muito: ainda tenho as recuperaçoes do semestre passado (onde precisarei mesmo fazer uma prova de uma disciplina que eu jamais vi), e nenhuma garantia de diploma, mas soh de pensar que eu nao precisarei mais ver a cara dos seis professores que tocaram o terror na minha vida nos ultimos três meses, ja me sinto feliz. Muito. 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Futuro mais-que-perfeito

Semana passada, uma das minhas professoras decidiu arruinar minha vida: a monstra desse post. Sabe aquele trabalho sobre Abbé Pierre/Emmaus? Pronto, eu tirei oito. Isso seria uma noticia maravilhosa se a média das notas escolares francesas nao fosse dez (a nota maxima é vinte). Mas o problema nao foi a nota, foram os comentarios super motivadores. 

Ela disse que eu nao dominava o francês (o que de maneira alguma representou uma surpresa pra mim. Oi, eu estou na França ha quase dois anos e nao sei conjugar os verbos no subjuntivo) e ficou me questionando sobre o que eu pretendia fazer depois da graduaçao. Ela me chamou atençao e me questionou sobre coisas absolutamente normais, mas enquanto ela ia falando, as pessoas à minha volta foram se calando e as observacoes dela sobre minha habilidade com a lingua foram sendo ouvidas pouco a pouco pelos outros alunos até o momento em que eu me encontrei completamente constrangida, sobretudo quando eu tive que responder que o que eu gostaria de fazer em seguida era um mestrado. Foi chato. Foi chato escutar tudo aquilo e foi chato ver que o que ela disse me atingiu tanto que, assim que ela deu as costas, eu comecei a chorar. E se fosse so isso! Comecei a avaliar todas as dificuldades que eu teria num possivel mestrado com esse meu francês capenga e mimimi, o choro foi aumentando, mimimi, o que é que eu tou fazendo nessa faculdade, mimimi, ela tah certa, mimimi, eu nao vou tentar o mestrado. Olha, nem queria descrever meu estado de espirito naquele momento. TPM, baixa auto-estima, complexo de inferioridade e cansaço se deram as maos e massacraram este pobre coraçao durante as horas que se seguiram.

Entao, pra minha extrema surpresa, a Luci forte foi convocada e disse pra Luci patética  "a unica pessoa que tem o direito de sabota-la é você mesma, amiga, nao uma professora que ta com a vida ganha e que ta pouco se fudendo com você". Entao, a nuvem de medo se dissipou e eu voltei a sorrir e a reconsiderar todos os meus planos. Acho que vou escrever um livro de auto-ajuda. "Como matar seu eu patético". Vendera milhoes. E sera escrito em francês. Sem o uso do subjuntivo, é claro. 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ao mestre com carinho

Professor piscante: bom sinal

Como eu disse aqui, hoje eu deveria apresentar um seminario sobre o Abbé Pierre. Na verdade, nao era bem sobre o cara, mas isso nao importa. O que também nao importa é que, como a sala é numerosa e nem todas as pessoas podem apresentar os seminarios, a professora divide os temas entre dois ou três alunos e, no dia da apresentaçao, ela faz um sorteio pra escolher quem deve apresentar. Aqueles que nao foram escolhidos pra fazer a apresentaçao devem entregar um trabalho escrito sobre o tema. Dessa forma, todo mundo se prepara pra o seminario. 

A professora dessa disciplina tem a fama de ser muito exigente. Exigente = grossa. Entao, eu que ja sou medrosa sem motivo, cheguei hoje na aula rezando forte pra nao ser a escolhida. A reza deu resultado. No meu lugar, uma coitada foi à frente da turma falar sobre Abbé Pierre e cia. No final da apresentaçao, a professora respirou fundo e começou:

"Vocês precisam deixar de lado essa mania de falar no futuro. Vocês sao historiadores, nao jornalistas. Como assim 'Abbé Pierre farah isso, farah aquilo'? Ele 'fez' isso, ele 'fez' aquilo. (...) Você fala demais 'personne'. E sua problematica? Nao tem nada a ver com uma problematica! (...)  Sua introduçao esta completamente confusa, você se perdeu entre dados e numeros. E sua conclusao nao corresponde ao que você disse durante o seminario"

Ela criticou ainda a menina por ela nao ter visto um filme que fala sobre o Abbé Pierre, disse que ela nao tinha se "doado pro trabalho". E ainda reclamou pelo fato da menina ter esquecido certas datas. Minha gente, vinte minutos seguidos de critica. Quando olhei pra menina, ela tava com cara de choro. Eu quase levantei da cadeira pra ir dar um abraço nela. Soh digo uma: me livrei de ter pago um micao chorando na frente de todo mundo. Foi duro. Inclusive, ela havia comentado comigo que mandou um email pra professora pedindo algumas dicas de livros pra fazer o trabalho e a resposta da professora foi simplesmente: "você nao tem capacidade de fazer uma pesquisa bibliografica?"

Meda.

Pra minha paz, essa nao é a unica professora que da coice. Mas da outra professora eu nao reclamo, porque a disciplina dela é feminismo puro, do começo ao fim, é lindo! Mas eu nao ouso abrir minha boca. Ela vive cortando os alunos, mas de uma forma grosseira mesmo. 

Outro dia, um desavisado foi inventar de dizer o que ele pensava sobre determinado assunto que estava sendo discutido. Infelizmente, a opiniao dele nao correspondia à opiniao da professora. Entao, ela olhou pra cara dele e disse:

- E o que você sabe sobre isso?!
- Eu nao sei, eu soh acho que...
- "Acha"? Acha o que? O que você sabe sobre isso?!
- O_o
- Você por acaso leu sobre isso?
- Nao... eu...
- Entao! 

Cri cri cri. 

O mesmo aluno, antes disso, tava comendo um sanduiche dentro da sala e ela disse "quando você vai terminar seu pic nic?". 

Uma aluna tava guardando o material dela quando a professora parou a aula e disse "mademoiselle, a aula ainda nao acabou, tenha respeito". E eu, louca, quando ainda nao havia testemunhado nada disso, fui perguntar a ela se eu poderia entregar um trabalho escrito no lugar de apresenta-lo como seminario.

- ...porque eu sou estrangeira, mimimi.
- E dai? Você pode fazê-lo mesmo assim! 
- Mimimi?
- Ok.

Eu devo ter feito cocô na calcinha depois que dei as costas a ela. Tenso! A de hoje foi ela escrachando os estrangeiros que entregam trabalhos com erro de ortografia. "Vocês tem o corretor! Coloquem no corretor!" Ela te corta se você fala, se você nao fala, se você come, se você respira, se você. 

Entao, é com muito orgulho que eu anuncio que eu ganhei uma piscadinha dela! Hihi Ela tinha falado de um mestrado lindo que eu queria muito fazer ano passado sobre trabalho e gênero, mas por haver a necessidade de um intercâmbio, eu desisti da idéia (desisti da idéia = nao passei :D). Mas o mestrado vai abrir na Lyon II e nao serao somente cinco vagas. Entao, achando que eu tinha alguma chance, fui falar com ela durante o intervalo da aula. Falamos durante uns dez minutos. Ela explicou o que eu precisava fazer. 

Quando voltamos à aula, uma menina começou a apresentaçao de um seminario sobre a Barbie (pois é...) e comentou que algumas até falavam. "Tem uma Barbie que diz que blablabli e isso deixou algumas feministas furiosas". Como eu nao entendi a frase, me virei pra Lucie e perguntei baixinho o que ela havia dito. A professora percebeu, levantou da cadeira e foi ao quadro escrever pra mim o que ela tinha dito: "a matematica é muito dificil". Quando eu li o que ela escreveu, olhei pra ela e ela deu um sorriso e uma piscadinha pra mim. Um SORRISO e uma PISCADINHA. Foi muita emoçao, meu povo. Pensando agora, acho que ela ta afim de mim. No final, os professores so querem que a gente mostre esforço e interesse pelo curso - e que a gente nao coma, nao fale e nao respire. 


quarta-feira, 9 de março de 2011

"Presente"

A Borboleta pediu a alguns amiguinhos pra que eles fizessem alguns posts tematicos pra comemorar seu aniversario. Eu fui uma das escolhidas (tou me achando?) e, como o tema era livre, decidi falar de um drama pelo qual estou passando ha algumas semanas. Preparem os lenços.

::

Do caso do professor que nao tinha voz


E os visigodos conquistaram a Penin… bérica. Com a che… dos abbassides, em seissen… …renta e nove, ess… região vai se de…volver por um perio…

É assim que tem me chegado as informações da disciplina de Historia Medieval. O professor tem um pequeno probleminha de voz que não o permite falar todas as palavras, a voz dele falha completamente em certos momentos. Detalhe importante: faço essa graduação na França, então, além do esforço que tenho que fazer pra entender o que esta sendo dito, tenho agora que me esforçar pra saber aquilo que não esta sendo. "Tina", por exemplo, é Palestina. Não que ele erre sempre e exatamente nas mesmas silabas/palavras, mas a repetição é freqüente e Palestina virou Tina varias vezes.

(Para continuar lendo, clique aqui). 



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

#200

Post super rapido soh pra levar pra longe as lamentaçoes do post passado. Xô! E pra agradecer os comentarios de apoio. Tao lindos! Eu sempre fico emocionada com vocês, minha gente, sempre. Obrigada, de verdade.

Dentro das preocupaçoes, a universidade trouxe uma coisa boa: uma academia. Fiquei sabendo que havia um ginasio e que eu poderia me inscrever por miseros dez euros. Trarei mais informaçoes sobre esse evento fabuloso quando o ânimo chegar. 

Ah, chegamos aos 200 posts. Obrigada pela companhia!



Xau

As notas da faculdade sairam. Das cinco disciplinas que fiz, passei somente em três e com notas deprimentes. Como ja tava esperando ter ficado em recuperaçao nas outras duas, o golpe nao foi tao duro. Até que... até que vi um pequeno detalhe na lista das notas: uma sexta disciplina na qual eu nao sabia estar inscrita. Ou seja, eu, que nunca faltei uma aula, que sequer chego atrasada, perdi toda uma disciplina por nao saber que estava matriculada nela. Olha, é preciso ter muito talento pra conseguir isso. Isso foi o que eu precisava pra dar inicio a uma sessao de choro e auto-flagelaçao. Tou completamente desmotivada aqui, mergulhada num sentimento de fracasso nojento. Como posso pensar num mestrado se eu nao consigo nem mesmo fazer uma dissertaçao? 

Bom, as aulas começaram segunda e ja tenho a data de pelo menos três seminarios. Acho que ter ficado em recuperaçao nessas disciplinas me fez ver que meu desespero e todo o sofrimento que passei no semestre passado foram de graça. Agora o mote vai ser o "foda-se". Se chorar me fizesse tirar boas notas, eu seria doutora. Vou levar como eu posso esse semestre e deixar de visualizar o diploma pra ver se me livro dessa pressao. Ainda bem que nao sou chinesa. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diario de férias - parte I


...mas podem me chamar de Rai 

Sim, férias! Mas nao férias safadas como as de dezembro, em que eu tive que estudar pras provas de janeiro. Nao, sao férias sinceras: o semestre finalmente acabou. Mas os ultimos momentos, claro, foram tensos, senao a vida fica sem graça. 

Eu tinha duas provas escritas pras disciplinas de Historia da Africa e Historia Antiga. O conteudo de Africa era uma abordagem politica e social de alguns paises do continente africano colonizados pela Europa, até os dias atuais. O professor de Africa nao é nada exigente. 

- Professor, eu sou obrigada a apresentar o trabalho?
- Que nada! Você é estrangeira, pode entregar por escrito.
- :D

Claro que eu poderia dizer "o senhor por acaso esta sugerindo que eu, na condiçao de estrangeira, nao tenho capacidade de seguir o curso tal qual o faz um aluno francês? Pois saiba o senhor que eu..."

Que eu vou entregar o trabalho por escrito. Obrigada.

Escolhi Moçambique como tema. Semanas depois, antes de entregar o trabalho ao professor, mostrei à minha nova coleguinha francesa (eu tenho uma coleguinha francesa, iupi!) meu trabalho e ela perguntou, "Luciana, tu nao ia fazer sobre Moçambique? Por que fizesse sobre Madagascar?" 

Taih uma pergunta pertinente.

Sei la. Porque era tudo com "M"? Porque eles estao proximos? Ok, nao foi por isso. Acho que eu tou sofrendo algum tipo de demência leve nesses ultimos tempos.  Peguei um livro na estante pra ler no metrô. Quando cheguei nele, percebi, ao abrir o livro, que eu ja o tinha lido. Derrotada, guardei o livro na bolsa e continuei o trajeto. Desci do metrô, olhei em volta e me perguntei pra onde eu estava indo: tinha que ir pra universidade e fui pro trabalho! Era o dia da prova de Antiga. Sai bem cedo de casa pra nao chegar atrasada e me atrasei 15min. Dois dias antes, peguei o metrô, fui pra direçao certa e ia esquecendo de descer na estaçao. Quando as portas estavam dando o sinal sonoro de que se fechariam, eu dei um salto sobre a cabeça das pessoas e consegui descer. Abestalhamento: trabalhamos. 

Finalmente, nao sei nada sobre a colonizaçao de Moçambique, mas imagino que teria sido mais interessante que a de Madagascar. Moramos com um malgaxe que se chama Toky Rakotomalala, mas respirei fundo quando me deparei com nomes como o do Primeiro Ministro da Ilha: Rainivoninahitriniony. E o que dizer de Andrianampoinimerina? Como eu disse no twitter, fico imaginando o apelido carinhoso desse povo. "Andrianampoinimerinazinho, venha comer, meu filho!" A namorada dele precisava de uma sequoia e 45min pra talhar o nome dos dois.


Enfim, divago. O importante é que decorar nomes nao esta entre minhas habilidades (que sao respirar e dormir), entao, num voo até meus tempos de escola, peguei meu dicionario francês-português e sai escrevendo nas paginas todos os nomes, conceitos e datas que eu poderia precisar na hora do exame (Professor, se o senhor estiver lendo isso, por favor, nao me reprove, eu sou estrangeira). 

Como o sistema deu certo (ninguém me pegou em flagrante), repeti a dose na prova de Antiga. Mas essa mereceu. Essa professora tocou o terror na minha vida nesses ultimos quatro meses. O conteudo da disciplina trata do Alto Império Romano (no Oriente, de - 31 até 235). Entao, ela passou meses falando do que aconteceu em cada provincia romana nesse periodo, sob o governo de cada imperador, deu o dia, mês e ano dos acontecimentos, a arvore genealogica das personagens envolvidas e... Meu deus. 

"Em 22, em 17 e em 13: grande revolta dos Besses sob direçao do seu rei Vologese. Os Besses vao tirar  Rhoimetalkes I do poder e fazer sumir o filho de Cotys V, Rhescuporis II. Os romanos intervem durante três anos e, em 11, ha a pacificaçao da Tracia. Rhoimetalkes I é nomeado rei de toda a Tracia". 

"No Egito, sob reino de Tibério: ha somente duas legioes estacionadas em Nicopolis. Sob o reino de Trajano: uma terceira legiao é adicionada: a II Traiana. Entre 106 e 123, a III Cyrenaique é enviada à Bostra e em 135, a XXIII Deitoriana é desfeita, ficando somente uma legiao no Egito, a II Traiana". 

Agora vocês entendem porque eu chorava tanto? Esses sao dois pequenos exemplos que eu peguei ao acaso nos resumos, mas eu tive que estudar quarenta paginas disso. Quarenta paginas falando do que fez cada imperador, de quem atacou quem, em tal ano, quem morreu, quem se matou, quem deu tal ordem, bla bla bla. Perguntei desesperada à brasileira se a professora exigia esses detalhes na prova e ela disse que sim. Fiz quase 30 paginas de resumo desenhando mapas, fazendo os caminhos das legioes com setinhas, usando canetinhas coloridas e letras diferentes que pudessem me fazer rememorar meus resumos pra que, no final das contas, a professora desse como tema "as elites municipais nas provincias romanas". Fiz a prova com ajuda do meu super dicionario, mas nao tenho a minima idéia de como me sai, afinal, eu sabia falar sobre o papel das elites municipais, mas nao sei se o fiz em forma de dissertaçao. E aqui nao adianta saber do conteudo, tem que saber a forma e, essa aih, eu nao sei. Oremos. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alguém tem que ceder


Pra quem nao sabe, a França esta em polvorosa por causa de um projeto do Petit Nicolas que pretende elevar a idade pra se aposentar de 60 pra 62 anos e de 65 a 67 pra se ter uma pensao completa. Ha dois anos, Camilo estava me explicando como funcionam as regalias sociais que os franceses tem como remédio de graça, consultas médicas a preços acessiveis, ajuda pra moradia etc. Perguntei como a França tinha tanto dinheiro pra dar conta disso tudo. "Nao tem. A França vai quebrar dentro de alguns anos". 

Agora o Governo ta tentando tapar o buraco em cima dos trabalhadores.  O desespero é grande. O incentivo governamental pros casais franceses terem filhos é enorme. O que mais se vê na rua é bebê e mulher gravida, porque o pais precisa de gente pra trabalhar pra manter os aposentados, mas por enquanto que esse povo nao cresce...

Dai que nos ultimos dias, o pais ta mergulhado em greve e Lyon no caos. Carros foram incendiados, nego foi preso, vitrines quebradas, depredaçao, roubo de lojas, bombas de gas lacrimogênio, enfim, aquela merda toda no meio da rua. Os transportes publicos funcionando uma hora sim, outra nao (levei mais de uma hora hoje pra voltar pra casa. Usei o metro, o tramway, a bicicleta e, finalmente, fiz o percurso final, à pé). Nao tive aula nem ontem, nem hoje (por isso as atualizaçoes no blog!): universidade fechada pra que os alunos possam participar da greve.

Aih você vê as fotos do pessoal responsavel pela destruiçao e nota que eles nao tem porra nenhuma a ver com a greve. Da uma pena do pessoal que tah se mobilizando a favor dela. Enfim, eu nao sei em que pais eu vou me aposentar, entao esse assunto nao me é tao caro quanto o é pros franceses, por isso nao meto meu bico. Mas ontem tava conversando com uma arabe na parada de ônibus sobre o assunto e ela estava revoltada dizendo que ela nao pode ver o marido trabalhando até quase os 70 anos como pedreiro (porque vocês sabem que trabalho de estrangeiro em pais rico é braçal), que "Sarkozy tah procurando merda e ele vai achar". Por enquanto, torçamos pra que esse homem se aposente.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fugitivos

(uma fuga rapida!)

Estou conhecendo uma Luci que eu nao imaginava que existisse: a Luci que estuda nos fins de semana. Jardim de infância, Ginasio, Ensino Fundamental, Médio... Cinco anos de faculdade e nunca na historia desse pais eu abri um livro durante o fim de semana. Mas estudar é preciso, viver nao é.

Mas como eu ja vinha anunciando (na minha cabeça?) que eu precisava ficar bêbada pra nao "péter un câble", como dizem por aqui, fui encontrar Camilo depois do trabalho dele na sexta pra tomarmos um vinho no quai (à beira do rio) e irmos à nossa pizzaria preferida. 

No metrô, vi um cara passar por mim rapidamente com uma roupa de paciente de  hospital, sujo e descalço (eu disse hospital, mas pela cara dele, devia ser hospicio mesmo). Fiquei esperando o médico do cara aparecer e nada! O cara tava super inquieto. Percebi que ninguém parecia se importar com aquela figura maluca. Olhei pro cara da frente, meio gatinho e tal, e ele esboçou o que parecia ser um sorriso, mas faltava, pelo menos, uns cinco dentes naquela boca. Credo. Depois percebi que esse cara tinha uns trejeitos esquisitos, uns tiques, fazia uns movimentos bizarros com a boca. Finalmente o doido era normal e o normal era doido. Isso é Lyon, minha gente. 

Cumpri minha missao naquela sexta-feira. Bebi uma garrafa de vinho de barriga vazia e esqueci metade da noite. Camilo diz que eu bebo feito uma adolescente que nao conhece seus limites. Hihihi "Pelo menos tu fica docil". Docil, minha gente. Como um cavalinho. 

No sabado, teve o SUPER show de Cat Empire! Nada melhor que escutar ao vivo musicas que você adora! E foi aquele show lindo, sabe, onde todo mundo canta à plenos pulmoes e bate palminha junto com o vocalista. Andamos de uma ponta a outra do teatro à base de chutes e empurroes. Levei um murro que ficarah gravado pra sempre em nossos coraçoes. E no meu estômago. Que Deus o tenha. 


Mas quando o sol raia, eu vou pro computador me dedicar à Historia (insira aqui barulho de fogos de artificio e algum hino bonito)!

Eu tou tensa e sensivel até a alma. Chorando por tudo e por nada, es-tres-sa-da, sonhando com a faculdade, com bicho papao, com o guri cagando minha roupa, com as apresentaçoes etc. Nice. Mas minha mae deve rezar com muito afinco, e Deus deve gostar muito dela, porque hoje... Hoje.

Hoje era aula de Historia Moderna. Hoje eu teria que me meter em um grupo qualquer pra fazer uma apresentaçao oral a ser marcada. Dai, lembrei de uma menina que senta sempre sozinha nessa aula e que parecia ser legal. Estrategicamente, cheguei mais cedo e sentei ao lado da cadeira onde ela costuma sentar. Mas quando a aula começou, ela ainda nao havia chegado. Fiquei decepcionada, porque as pessoas nao costumam se atrasar e achei que ela nao viria mais. Mas eis que ela chegou (apos meia hora). Fiquei feliz de vê-la entrar na sala, mas vi que ela foi rumando pra um outro lado. Aih ela parou, voltou e sentou-se ao meu lado. O plano estava dando certo. Soh faltava eu tomar coragem em pedir a mao dela em casamento pra fazer o trabalho com ela. Mas eu sou uma cagona e nao aproveitei o intervalo pra fazer isso, fiquei enrolando. Quando o intervalo acabou, ela se virou pra mim e disse "olha, tu tem grupo pra esse trabalho? Porque eu queria saber se posso fazer contigo". Hahahaha Minha gente, eu nao me contive, dei um sorrisao e até chamei palavrao. "Putain! Ouais! Bien sûr!" Acho que a menina pensou, Ok, minha filha, é soh um trabalho. 

Agora todas as apresentaçoes estao marcadas pra novembro. Algumas com apenas três dias de intervalo entre elas. Claro que ja comecei a estudar, mas algumas coisas me desanimam. Por exemplo, se me perguntassem qual o tema da aula do professor de hoje, eu nao saberia responder. Nao é o maximo? Passar quatro horas se concentrando numa aula que nao faz o menor sentido pra você? Eu adoro! O foda é que ja faz um mês que ele fala e eu nao entendo nada!

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Saudades das minhas leituras bloguisticas diarias, mas continuarei off por tempo indeterminado dos vossos blogs queridos, queridas. Preciso garantir que nao serei vaiada durante novembro. 

À Historia!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aaaaall byyy myseeelf...

Sei que ainda nao estou à vontade com a faculdade porque ainda tenho pesadelos super bizarros. Essa semana sonhei que era sequestrada e, no dia seguinte, sonhei que estava sendo possuida por um ser diabolico: eu gritava, mas a voz nao saia, tentava tocar Diana (que estava a dois centimetros de mim), mas o braço nao a alcançava. Meus sonhos sao assim, simpaticos. Nada de bruxa ou jacaré. 

De qualquer forma, estou um tequinho menos nervosa, mesmo se o numero de trabalhos pra expor oralmente esta aumentando. Esses trabalhos me tiram o sono por duas coisas: primeiro pelo obvio: eu sou uma pessoa nervosa por natureza. Na UFPB, eu ja tinha ataques de pânico a cada apresentaçao e, com certeza, nao sera diferente agora - ainda mais eu tendo que apresentar os conteudos em uma lingua que eu nao domino. O segundo problema dessas exposiçoes, é que elas sao feitas em dupla/grupo. E, oi, eu nao conheço ninguém. Dos quatro trabalhos que foram marcados até agora, eu estou sozinha em todos, porque ninguém abre espaço. Outro dia, a professora pediu à turma pra que alguém fizesse o trabalho comigo (que era em dupla) e ninguém se candidatou.

- Gente, ela nao pode fazer sozinha.
- ...
- Gente, ela é estrangeira, nao vai conseguir fazer tal e tal coisa*.
- ...
- Ninguém quer ajuda-la? 
...
- Entao, ta bom...

Juro. Ela pediu umas quatro vezes e nenhuma das quarenta pessoas quis fazer trabalho comigo. Olhe, eu tentei, mas nao consegui nao me sentir idiota diante daquele silêncio. 

Tem uma disciplina na segunda-feira que é ministrada por um professor muito chato, maluco, cheio de complexo. Um DOIDO (falo dele depois). Ele também passou um trabalho em grupo, mas dessa vez eu tava disposta a chegar em alguém e me meter no grupo dela: nao posso me fuder assim, esperar que alguém caia do céu. Dai, eu tinha percebido novas caras na aula e decidi arriscar achando que eram novatos tao perdidos quanto eu. Eu tava errada, mas aconteceu algo melhor:

- Sera que eu poderia fazer trabalho com vocês duas?
- Er... Claro!
- Desculpa me oferecer assim, mas eu nao conheço ninguém aqui.
- Sem problema, mas tu é de onde?
- Do Brasil.
- Ah, eu também!

Hihihi

- Ah, err... ah! Hum! Er... Ah, é?! De onde?
- Récifi. 

Acho que eu nunca me senti tao feliz ao ver um brasileiro na minha frente. Alias, uma brasileira. De cara, ela ja foi dizendo que eu deveria sentar com elas na aula (a outra é francesa). Ela contou que morava ha alguns anos na França, mas que ja havia voltado ao Brasil por causa de uma depressao gerada aqui. Disse que havia perdido dois anos na faculdade porque nao conseguia seguir o curso e que se sentia a "burrinha" da turma. Disse ainda que ja saiu duas vezes da sala pra chorar nos corredores. Senti uma mistura de pena, alivio e preocupaçao. De qualquer forma, ela foi bem legal, disse que eu poderia ligar pra ela quando tivesse precisando de algo. Infelizmente, soh estou duas horas com ela (das 16h semanais), mas duas horas ja aliviam. E muito!

Aproveito o post pra dizer que, infelizmente, vou ter que ficar um pouco distante do blog. Vou tentar postar e ler meus blogs queridos, mas os comentarios ficarao prejudicados, porque preciso de todo o tempo que puder pra deixar as leituras em dia. Nao tenho conseguido, entao... Paciência. Nao podemos ter tudo. 

*Aparentemente se tratava de algo cujo sistema eu nao conhecia. 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As exploraçoes começa

O dia de ontem soh nao foi mais estressante porque soh durou 24h. Acordei de madrugada (6:40h) e, cheia de preguiça, fui pro meu primeiro dia de aula na faculdade. Desde que soube que fui aprovada, em julho, ignorei o fato de eu nao saber falar francês direito, fingi que esse seria mais um dos tantos momentos tranquilos da minha vida na França, que tudo daria certo.

Nao deu.

Eu era toda nervosismo. Tomei meu café da manha, tomei meu banho e tentei controlar meus pensamentos pra nao deixar um rastro de cocô de casa até a sala de aula. A unica coisa que me deixava tranquila, era o fato de que eu entendo francês. Mas até isso tiraram de mim!

A primeira aula de ontem foi de Historia Moderna I. As pessoas sacaram seus computadores e cadernos e começaram a escrever loucamente tudo o que o professor dizia. Eu, claro, quis fazer o mesmo: eu escrevia tudo o que eu entendia (ou seja, metade das coisas) mas como nao era rapida o suficiente mesmo pra escrever o que eu entendia, metade das frases que eu entendi ficou pela metade. Tcharam! Sinceramente, achei que eu tivesse arrasando, porque eu tinha quase uma folha completa escrita, mas quando fui lê-la, me deparei com coisas desse tipo:

"A cirurgia progressa. As descobertas e exploraçoes começa. As religioes sao conservadores. Tudo é vontade de Deus. Isso justifica todas as inegalidades sociais, mas no 19o ha o desenvolvimento do pensamento. (...) Os judeus se integram a essa pratica. (...) O pensamento é legal".

Gente.

Isso é anotaçao de quem ja fez faculdade? Traduçoes ao pé da letra, falta de concordância, falta de sentido (os judeus se integram a essa pratica. Que pratica, meu deus?!). O pensamento é legal. Realmente. Mais legal ainda é escrever certo. Mas tudo bem, continuei fingindo que tudo estava correndo bem (até quando o professor fazia piada e eu soh entendia que era piada quando as pessoas riam).

O cara citou o Brasil umas quatro vezes durante a aula. Falou de uma faculdade, dos bandeirantes, do futebol, de Copacabana e depois, que ja tinha dado aula la "em francês". No intervalo, levantei e fui choramingar junto a ele, tirar minhas duvidas e explicar que eu era brasileira e que...

- BRASILEIRA! Ah! Que maravilha! "Ftscdoe glsrpei"? :D
- Eh o que, homi?! Hum rum! (Interpretei essa frase bizarra como sendo "tudo bem?" e confirmei com um sorriso amarelo).
- Ah, mas você fala muito bem!
- Obrigada, professor, mas ta sendo dificil, é justamente sobre isso que eu queria fal...
- Ah, mas você é de onde?
- Joao Pessoa.
- Onde?
- Perto de Recife. Eu g...
- Aaaaaahhh! Que legal!
- Entao, professor, eu gostaria de...
- Ah, entao você mora perto de Olinda!
- Mizera, deixa eu falar.

Minha gente, eu soh queria perguntar onde eu poderia encontrar os textos. Acabei falando sobre o Brasil e sai sem nenhuma resposta! Ele soh disse que eu teria que me juntar com algum grupo pra fazer um trabalho oral (mais uma da série "Frases que nao podem ser retiradas de contexto"). Eh fogo! Eu ODEIO trabalho em grupo. Odeio! De todo o meu coraçao! Ainda mais nessa situaçao, em que vou ter que pedir pra ser aceita em algum grupo, porque, claro, depois de dois anos de curso*, todo mundo ja tem seus amiguinhos e seus grupinhos.

*Pra quem nao entendeu: eu ja sou formada em Historia pela UFPB, entao, por possuir esse diploma, fui diretamente pro terceiro e ultimo ano do curso de Historia na Lyon 2.

Eu ja tinha ha tempos desistido de fazer anotaçoes quando a aula acabou. Proximo round: Iniciaçao à Pesquisa em Historia Moderna, ministrada por um professor com voz de adolescente. Sabe quando os guri de 12 anos começam a trocar a voz E A FALAR assim, meio alTO E MEIO BAixo e totalMENTE TOsco? Pronto. Vi uma aula de Historia em diferentes frequências. Fantastico. La pela metade da aula (depois dele ter passado um trabalho em dupla, pro meu sofrimento), ele nos deu um papel com a reproduçao de um documento, como o da foto, escrito no século XVIII. "Agora, decifrem": era aula de Paleografia. Eu ri, né. Ri porque, vejam bem: eu passo quatro horas tomando no meu cu pelo fato de eu nao entender o que esta sendo dito pelos professores. Daih, chega um cara com um documento ilegivel do século XVIII e diz que eu devo transcrevê-lo. Eu nem sei ler o francês contemporâneo! Mas tudo bem, fingi que sabia tudo e, pra minha surpresa, o documento tinha muito mais sentido que minhas anotaçoes da outra aula.

Novamente, fui choramingar dizendo que eu era estrangeira e que precisava de ajuda. Ele disse que eu falava muito bem francês e o professor de hoje disse o mesmo. Foi aih que notei uma coisa: quando eu chego pra alguém mostrando dificuldade (por causa da lingua), as pessoas automaticamente elogiam meu francês tentando levantar minha moral. Quando eu me apresento como brasileira, sem comentar nada além disso, ninguém se manifesta. Utilizando isso como tatica, ja consegui ser liberada de duas apresentaçoes orais. Hihi (e nao quero saber de quem vai dizer que isso nao é bom pra mim. Se eu soubesse que nao corro o risco de ter um ataque cardiaco durante uma apresentaçao pra 40 pessoas, eu a faria).  

Finalmente, sai meio que em estado de choque da universidade. Fui encontrar Diana: era o ultimo dia dela na França. Resumindo lindamente essa segunda parte do dia: fomos deixa-la na estaçao, segurei o choro e, na volta pra casa, fui andando devagar pra nao balançar demais e explodir em lagrimas (coisa que soh fiz quando cheguei em casa). Agora, acabou. 

Talvez

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