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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Terror durante voo França-Brasil

Senti a necessidade de retomar o blog quando me dei conta de que eu recomecei a transformar todos os fatos do meu cotidiano em uma historia pro blog. Além do fim do casamento, o Guri entrou no maternal, eu fiz amiguinhos franceses, fiz amiguinhos brasileiros, fui pro Brasil duas vezes, fui pra Inglaterra, Portugal, Espanha, recebi a visita da minha mae aqui, cortei meu cabelo curtinho, pintei meu cabelo de vermelho, de preto - nao ao mesmo tempo -, entrei no mestrado, minha patroa engravidou do terceiro moleque (moleca! ♥), minha patroa anunciou minha demissao, meu irmao se casou e, no entanto, eu nao sei sobre o que escrever. 

Pensei em olhar pra qualquer objeto a minha volta e puxar um post ninja dali, mas depois de ter a visao da minha toalha secando no aquecedor da sala, achei melhor começar do começo. Ou do meio!

Primeira ida pro Brasil do ano passado. Eu, depois de dois anos sem pisar na América, em plena crise sentimental, tendo um tumor alojado na minha barriga, os hormônio tudo doido, chorando a cada pio de passarinho, entrei no aviao com sede de descanso. Depois de mostrar a passagem, dei um deficiente sorriso a aeromoça e fui procurar meu assento.

Ouvi distraidamente o barulho das turbinas trabalhando. A medida em que fui chegando perto da minha poltrona, percebi que o barulho foi ficando cada vez mais forte, quase ensurdecedor. Pela sorte que tenho, imaginei que eu fosse viajar pendurada em uma das turbinas, tipo assim, "janela", soh que do lado de fora. Mas foi pior, meus amigos. O barulho vinha de um bebê. Mas era uma espécie de bebê-gorila, porque o choro nao era coisa de Deus. Nao. Era uma coisa meio gutural, sabe. Tipo "OOONNN OOONNNN" ao invés de um meigo "ueen ueen" sussurado. Claro que vocês ja entenderam tudo e ja imaginaram que o bebê estava pertinho de mim. Pois erraram: o bebê estava no meu assento. Como proceder? Com o bilhete na mao e um sorriso gentil, me inclinei e disse educamente:

- Com licença, senhorrrr... inho?, mas acho que esse é o meu assento.
- OOOOONNN OOOONNN!
- Por fav...
- OOOOONNNN! 

Segurando fortemente a vontade de sentar de uma vez naquela mini-cabeça, lancei um olhar maligno para os pais na esperança de alguma reaçao sensata. Foi quando descobri que nao se tratava de apenas um bebê, mas de dois. Nas quatro cadeiras do meio do aviao, estavam dispostos: (pessoa-sofredora-aleatoria) + (pai) + (mae + bebê 1) + (gorilinha). Olhei pro céu com os olhos semi-cerrados e disse "Deus, se isso é mais uma provaçao, aviso que ja aprendi muito com Godz". Dito isso, como que por magia, a mae removeu imediatamente aquela criança do meu banco e fez uma careta como se estivesse me fazendo um favor dificil. 

Revendo a cena hoje, acredito piamente que o bebê entendeu que aquilo se tratava de uma imensa injustiça porque ele dobrou a intensidade dos gritos. Firme e forte, pensei "se esse bebê estiver pensando que com isso eu vou ceder e procurar outro lugar, ele estah muito enganado". Entao, eu cedi e fui procurar outro lugar. Perguntei ao aeromoço se havia algum outro assento vago e ele, lançando um olhar de profundo desprezo em torno de si, disse "se você encontrar algum, é seu". 

Tive uma ideia genial e lembrei do vaso sanitario, unico assento disponivel no momento. Fui sorrateiramente até la mas, quando abri a porta, dei de cara com o bebê em cima do sanitario. OOOOOOONNNN OOONNNN! Fechei a porta do banheiro e sai correndo, esbarrando nas pessoas, nas malas, até que finalmente encontrei o aeromoço que estava de costas atendendo um passageiro. Toquei seu ombro e, quando ele se virou, vi que era o bebê que fez OOOOOOOONNNN! Sai correndo, tropeçando nos meus proprios pés e, antes que pudesse gritar por socorro, encontrei uma poltrona vazia. Peguei minha mochila e, assim que eu abri o cofre, o que eu vi? Nada. Entao, joguei minha mochila la dentro, sentei na poltrona e decolamos. OOOOOONNNN!

(Esse ultimo "on" nao é nada além da minha tentativa de enganar o cérebro de vocês fazendo-os pensar que o bebê também  estaria dentro do cofre. Nao estava).

Pois bem. Bunda instalada, checo vizinho da direita, direito. Checo o vizinho da esquerda e... checo de novo e choco: era um homem que vestia uma camisa onde havia uma bandeira do Brasil. Olha, minha intuiçao é foda, sabe. Nao tenho intuiçao pra ganhar na loteria, nem pra prever quando o Guri vai desmantelar a irma com um chute, mas pressinto quando algum mala vai puxar conversa comigo. Até pensei em me levantar pra sentar ao lado do baby-gorila. Foi quando senti um leve toque no meu braço.

- Oi! Tudo bom, amiguinha? De onde você vem? :D
- (Do inferno). Da França.

Daih, ele contou, sem que eu perguntasse, que ele morava em Lisboa e que estava indo ao Brasil numa "viagem de negocios" (sempre que eu ouço essa expressao, me veem à cabeça mafiosos com maletas cheias de dolares na mao). Ele tinha as orelhas esfoladas e, apesar da minha grande curiosidade, preferi brincar com os fones de ouvidos oferecidos pela companhia aerea - que estavam com defeito. O problema, é que, por mais que minha natureza de bicho-do-mato preferisse a distância dos seres humanos, resolvi seguir o exemplo de Monique que, umas duas semanas antes, me apareceu com um amiguinho que ela fez no trem Paris-Lyon. Pensei "puxa, que legal! Pessoas 'abertas' tem mais chances de fazer amigos". Entao, decidi fingir que eu era uma pessoa sociavel.

O cara era baixinho, do tipo achatado, careca, extremamente musculoso e se esforçava para "falar bonito". Numa tentativa sofrivel de impressionar, ele usava palavras pomposas para formular uma frase simples. Resultado: nao entendi nada.

- Luciana... Lu! Você como pessoa, você se sente bem na França?
- (Como pessoa, sim, mas meu lado cadela precisa de amigos). Na verdade, sinto falta de ter amigos.

Pegando-na-minha-mao ele disse:

- Pois, Lu, você pode nao ter amigos na França, mas você acaba de fazer um em Lisboa.
- (Quem?)

Meda. Sabe aqueles momentos em que você nao sabe como reagir? Tentei me emocionar, nao consegui. Tentei apenas sorrir, nao consegui. Tudo o que eu fiz foi retirar delicamente minhas maozinhas dali e me virar de volta. Mas ja era tarde demais. Quando as luzes do aviao foram desligadas, coloquei um filme qualquer, os fones e, adivinhem, o cara ficou puxando papo. Gente, eu juro! E Deus, que nesse momento ja estava bem mais perto da gente, estah de prova! Foi horrivel! La, sim, eu senti medo. Mas o pior estava por vir: ele me chamou de bebê. Be-bê!

uén

Nesse momento, voltei a me transformar em Luci e decidi nunca mais ser sociavel novamente na minha vida. Entao, pra nao dar a oportunidade de um desconhecido me chamar de bebê novamente, tive outra ideia brilhante e decidi antecipar meu cochilo. Ele nao ousaria perturbar o sono alheio. O problema é que eu nao durmo em avioes e meu cochilo durou 45 segundos. Quando minhas palpebras tentaram se abrir, ouvi o homem tomando fôlego pra recomeçar a falar entao, rapidamente, fechei os olhos e fiquei imovel. Decidi que quando o aviao pousasse, eu desembarcaria de olhos fechados.

Descemos todos em Salvador para uma escala e o cara, sem que eu perguntasse, disse que tinha um terreno pra vender no Brasil que valia um milhao (ele frisou bem esse detalhe). Mas consegui me livrar do milionario dizendo que iria encontrar um tio meu. O problema é que eu sai da area onde eu deveria ter recuperado minhas bagagens, entao, tive que ficar esperando, junto com outra menina na mesma situaçao, alguém que pudesse nos acompanhar ao tapete que faz as malas circularem.

Enquanto esperavamos, começamos a puxar conversa (sim, quebrei minha promessa). Ela perguntou porque eu estava indo pro Brasil, entao, falei do divorcio e do tumor. Ela olhou pra mim bem séria e perguntou se eu era crente. Antes que eu pudesse sair correndo responder, ela disse:


"Meu deus, é um sonho? Tarô?!" Olhei desconfiada pro lado esperarando o Pé Grande surgir, sei lah!, mas ao invés disso, ouvi uma voz familiar gritando "bebeeeê!". Eh um pesadelo. Meu "amigo" lisbonense voltou das cinzas e eu o apresentei a louca do tarô. Em dois minutos eles estavam discutindo ferozmente sobre... Chiclete com Banana.

Nao me perguntem.



Alias, o que acontece com o vocalista dessa banda? O cara tira o bigode, mas nao tira esse lenço da cabeça. Acho que no dia em que ele o tirar, o topo da cabeça dele cai podre no chao. Mas enfim. Daih que sentamos numa mesa, os três, e o cara explicou à cartomante, que ele iria vender um imovel no Brasil que valia quatro millhoes. Fiquei impressionada com a valorizacao dos imoveis no Brasil e decidi que ia vender a casa dos meus pais assim que eu chegasse nela.

De Chiclete com Banana, passamos para "violência doméstica". Foi quando ouvi a seguinte frase sair da boca do milionario (pessoas de bom coraçao, se vocês estiveram almoçando, nao leiam isso):

- Mas... bom... se é feito dentro de casa, nao tem problema.

Na minha cabeça, eu subi na mesa, dei um bicudo na cara dele e fui pro portao de embarque. Fora da minha cabeça, eu sorri, olhei pro lado e pedi pra menina tirar o tarô pra mim. Eu nao lembro direito o que ela disse, mas eram coisas bem genéricas tipo...

"Você se arrepende de algo!". Olha, eu nem tava arrependida de nada na minha vida, mas pela sugestao, eu comecei a me arrepender de muita coisa, inclusive de ter mudado de lugar no aviao. Entao, disse "sim, é verdade, me arrependo bastante de algo". E ela la, toda feliz.

Esperamos juntos pelo meu voo durante três horas. Três fucking horas! Entrei no segundo aviao com medo dos passageiros, mas... no babies, no friends. A moral? Nunca dê moral. 



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Quanto vale teu vale?

Ontem foi um dia, como eu diria?, especial. Tinha tudo para ser um dia feliz ja que, além de ser aniversario de Camilo, eu iria ver amigos que estavam em Lyon. Mas os efeitos da macumba lançada por algum ser das profundezas terrestres ja começaram a se manisfestar logo pela manha: chegando na casa dos guris para trabalhar, Chefia anuncia que os guris pegaram piolho. Repentinamente, minha cabeça começa a coçar. Ele diz que lavou quase todas as roupas dos guris, os lençois das camas, as capas dos sofas e que eu deveria passar ferro em tudo "rapidamente" para garantir que os possiveis piolhos ninjas que possam ter sobrevivido à lavagem na maquina morram. 

Quando abri o quarto onde as roupas estavam estendidas, tive palpitaçoes e uma leve tontura. Minha gente, pela quantidade de roupas, ele deve ter lavado até as cuecas do vizinho. Nao tinha um soh objeto dentro do quarto que nao tivesse uma toalha, uma calça ou um lençol pendurados. Até os bichos de pelucia foram lavados e deveriam ser passados. Passei roupa nessa tarde até o braço perder o movimento, depois continuei a sessao usando o pé direito. E ainda falta.

Nessa ultima semana, ao sair pra bares com alguns amigos, eu, safadamente, tomei uma cerveja. Duas. Eu tomei algumas cervejas. Abri uma exceçao no regime, tudo em nome da sociabilidade. E, por ser aniversario de Camilo, eu iria novamente fazer o sacrificio incomensuravel de beber algumas cervejas junto a ele e aos amiguinhos citados. Mas pelo cansaço, pela preguiça e pelo peso na consciência por estar sabotando meu regime, desmarquei de ultima hora a saida ao bar. Sorry, folks. 

Ma que porra é essa, Deus? Daqui essa porra.
Mas qual é o décimo primeiro mandamento divino? Aquele que estah registrado la no finalzinho da tabuleta de Moisés? Nao fuleiraras com teus amigos. Resultado: fui castigada. Saih do trabalho e fui encontrar Camilo (que estava perto do bar) para voltarmos para casa juntos. Quando passei meu cartao de transporte, e assim que entrei na estaçao, senti algo na minha mochila. "Meu Deus, minha mochila mexeu. Estas viva, mochila?", questionei. Instintivamente, apalpei a mochila e vi que ela estava aberta. Tive palpitaçoes e uma leve tontura. Olha, eu vou largar essa vida de babah e me registrar na associaçao dos super herois anônimos porque, minha gente, eu pressinto o perigo. 

Abre parênteses.

Quando estive no Brasil da ultima vez, deixei meu passaporte em segurança na casa de um amigo. Nao quis levar para casa dos meus pais, pois o caminho entre o ponto de ônibus e a casa deles era (é.) meio tenso. Somente no dia de voltar para França, eu coloquei o passaporte na bolsa e fui para casa dos meus pais pegar minha mala. E o que foi que aconteceu, amiguinhos? Um xovem rapaz passa por mim numa bicicleta tao tranquilo quanto um passarinho que banha suas plumas na fonte da praça. Ele passou em sentido contrario ao meu e nem mesmo me olhou. Foda foi quando o passarinho se transformou em gaviao, fez meia-volta e tentou raptar minha bolsa. Por que ele nao conseguiu? Porque eu sou cobra criada (ok, parei com a metaforas de merda hihi) e segurei com todas as minhas forças a bolsa que ele tentou puxar. Mas essa é uma outra historia.

Fecha parênteses.

Quando vi que minha bolsa estava aberta, procurei minha carteira e nao encontrei. Olhei em volta, identifiquei o possivel autor do furto e, rapidamente, dei um salto e me pus diante do meliante. Puxei minha espada da bainha, ele fez o mesmo e entao travamos um duelo sangrento. Camilo chorava copiosamente no lenço de seda branco que eu havia ofertado a ele quando do nosso matrimônio. Mas no final, o bem triunfou sobre o mal! A proposito, eu sou o bem, caso vocês tenham ficado na duvida. 

Mas ha uma outra versao sobre essa historia. Quando vi que minha bolsa estava aberta, procurei minha carteira e nao encontrei. Olhei em volta, identifiquei o possivel autor do furto e... E pensei "legal, nao tenho tempo de verificar se a carteira pode estar escondida entre os outros objetos da bolsa, mas também nao posso deixar passar a oportunidade de abordar aquele homem que tem a maior cara de quem ta com minha carteira". Era um cara que parecia vir da Europa do leste. Beijos pro meu preconceito, porque quando abordei o cara, ele tinha minha carteira e a devolveu sem dizer nada. Eu agradeci e disse que "isso era importante pra mim". Happy End. Ou nao.

Este blog acaba de ganhar uma nova tag: vive la souffrancePorque continua.

Chegando em casa, Camilo abre uma garrafa de champanhe, gentil presente dos pais dos guris. Soh que minha criança aniversariante, ao tentar ver a resistência da taça, "eu sempre faço isso...", quebrou o copo e cortou um dedo. Achei que seria mais seguro para todos nohs se aquele dia acabasse logo, entao, fui dormir. 

Como presente, comprei para Camilo ingressos para uma apresentaçao do Cirque du Soleil. Na verdade, o presente foi para mim, porque, posso ser brega?, obrigada, sempre tive esse "sonho" de ver o Cirque du Soleil. Sempre. Sempre que via algum video, eu deixava escorrer uma lagriminha de emoçao. Hihi Entao, pensei, por que comprá-lo, por que não comprá-lo? Comprei-o! Aceite, é de coração, sem o menor interesse... 

Querendo dar outro presente, mas sem ter dinheiro, decidi ofertar algo que eu pudesse fazer de graça. Ui! Resultado: 

Gente, ele nem deu bola pros ingressos, mas adorou o vale. Ofereci dois, na verdade, o outro é um vale massagem, valido para o mesmo periodo. Se algum dia vocês quiserem me oferecer algum desses, eu gostaria de receber o vale dinheiro. 




domingo, 18 de setembro de 2011

A velha Nova


O Groselha News tem feito nas sextas-feiras criticas às matérias bem intencionadas da revista Nova. Uma das ultimas te ensina Como virar uma musa em 50 liçoes.
Para ser amada pelos homens e invejada pelas mulheres, estas armas de alto poder de encantamento são tiro e queda. E não se assuste se estenderem o tapete vermelho por onde você passar.
Eh, eu sei, uma revista com esse nome deveria ter um perfil menos antiquado e publicar matérias que correspondam à realidade da mulher moderna. Seja la o que "mulher moderna" signifique. Mas como essa é uma revista de humor, como vocês irao perceber a seguir, o nome irônico cai como uma luva. Vou sugerir algumas situaçoes alternativas pra enriquecer as dicas.

Encantar para ser um ima de homens

Quando eu ler as dicas da Nova,
magnetizarei também homens
Tropeçar contra o peito de um bonitão e comentar “Nossa, você é tão forte que tive a impressão de bater na parede!”

- Tudo bem, minha avoh também tem labirintite. 

Pedir àquele lindo que está perto da jukebox que ajude você a colocar uma música para tocar.

"Depois de ouvirem a musica na jukebox, procure sua maquina do tempo e volte pros anos 2000, nao esqueça". 

Convocar o fofo da mesa ao lado para fazer um dueto no karaokê com você. Fale que seu feeling diz que ele é carismático.

- Você é carismatico. Vamos cantar?
- Nao.

Comentar a roupa de um cara falando algo do tipo “Um homem precisa ser muito macho para usar rosa — eu adoro”

- E uma mulher precisa ser muito sexista pra achar que rosa é coisa de mulher.

Dizer ao lindo que está sozinho na balada: “Me juraram que nesta festa teria um monte de gatos. Até agora só encontrei um”.

- Eh, deve ser o meu namorado. 

Na academia, puxar papo com o gato da esteira ao lado: “Estou impressionada com a dificuldade do seu treino!”

- E eu com seu peso.

Sair da pista de dança e arrumar o decote. Ui, será que o Ricardo Mansur cover sentado no bar pegou você fazendo isso?

Ui, nao.

Pedir ajuda ao deus da faculdade de administração para calcular o financiamento de seu apê. E emendar com: “Você é a pessoa que mais entende de finanças que conheço”.

Olha. Nao consigo imaginar nada mais sexy do que "gato, você poderia calcular o financiamento do meu apê?" *piscadinha

Deixo os homens ensandecidos 
quando me coloco nessa 
pose tao natural
E por que se tem sempre que se referir ao cara como "lindo", "gato", "bonitao"? A gente tem que levar em consideraçao que a leitora pode estar apaixonada por um homem feio. Ia ser muito mais humano um texto do tipo "convocar o monstrenguinho da mesa ao lado para fazer um dueto com você" ou "pedir àquele esteticamente desarranjado que está perto da jukebox que ajude você". Acho que isso poderia diminuir a pressao social que as pessoas fazem quando você apresenta em casa aquele seu namorado banguelo. Seria bastante positivo. 

Encantar para ter aliados importantes 

(ou de como ser interesseira)

Ao ser apresentada ao novo chefe, experimentar este gesto: usar as duas mãos para cumprimentá-lo. A direita aperta a mão dele e a esquerda cobre a mesma mão pelo lado de fora.

E se você quiser ser promovida instantaneamente, você coloca o pé esquerdo em cima da mao dele e depois o pé direito. Nao tem como errar, vai por mim. 

Tática para ter tratamento diferenciado no consultório disputado da ginecologista? Depois de olhar para as fotos dos filhos dela nos porta-retratos, perguntar como consegue administrar com sucesso uma família linda e uma carreira maravilhosa 

- Ganhando dinheiro em cima das pacientes.

Seu ficante-quase-namorado leva você a um evento na casa dele. No meio da festa, um parente dá um fora daqueles. Aproveite para cruzar o olhar com o da sua nova cunhada e dar uma piscadinha de cumplicidade.

A criatividade do ser que escreveu isso me emociona. Algumas situaçoes sao tao particulares que é mais facil desistir do gato, quer dizer, do monstrinho, do que esperar por uma situaçao imaginada pela revista. Eh tipo "o tataravô do foferrimo ganha na mega sena acumulada no mês de maio, num dia de chuva de um ano bissexto. Você olha nos olhos dele e diz 'poxa, somente um homem sabio pensaria em jogar no 06 - 09 - 27 - 34 - 46 - 55' Você aproveita e da aquela piscadinha de cumplicidade que ele nao captara devido às cataratas".

Agir como a mais tímida das criaturas se o zelador flagrar você com o short do seu pijama de seda na manhã do sábado.

Ah, taih! Agir como uma banana a mais timida das criaturas com certeza vai te ajudar a transformar o zelador em aliado. Daih, ele com sua vassoura e você com seu... pijama de seda... lutarao juntos contra o malvado sindico do prédio.

Mandar uma mensagem para o celular da mae da sua amiga agradecendo o conselho dela.


Quer que a vizinha receba suas correspondências enquanto estiver viajando? Vez ou outra, leve um doce para ela. 

Em outras palavras: quando alguém faz um favor pra você, é de bom tom retribuir a gentileza. Mas como você é um ser desprovido de bom senso, cara leitora, visto que você leva à sério essa matéria, a gente transforma o obvio numa dica. 

Perguntar à estagiária qual é a balada da moda. E lançar: “Uma garota descolada como você sabe de todos os lugares”.

Essa mulher tem 600 anos? QUEM usa "balada" e "descolada" hoje em dia, meu povo?


Encantar para fazer o ficante virar namorado

Para o encantamento: você vai precisar de duas pernas de aranha, duas gotas de suor de sapo, três pentelhos do seu escolhido e um punhado de ovas de esturjao. Jogue tudo no seu caldeirao e coloque duas gotas dessa poçao na virilha antes de encontra-lo. Se isso nao der certo, temos outras dicas igualmente duvidosas: 

Comprar de presente para ele uma cueca de fibras orgânicas. Só porque ele “trabalhou” duro na noite anterior e merece ser recompensado.

Eu teria colocado as aspas em "duro".

Em um jantar com ele, usar a língua para limpar o restinho de chantilly que ficou em seus lábios.

Nao usar essa tatica em casos de remela no olho. 

No cinema, correr os dedos pelo antebraço do seu amor para cima e para baixo, bem levemente.

Olha, se um carinho tao banal como esse surpreender o seu ficante, experimente correr os dedos pela... coxa dele. 

Ao colocar camisinha no dito-cujo, lançar aquela olhadinha safada para seu bonitão.

Ah, o pudor das revistas femininas! Dito-cujo: também conhecido como pênis. À impudência! Repita comigo, mulher: PENES! PE-NES! 

Pedir ao lindo que pegue uma caixa na estante. A justificativa? “Só um cara forte conseguiria erguê-la”.

Essa foi a técnica usada por Simone de Beauvoir pra conquistar Sartre.

Ou vocês acham que o que ele curtia era meu intelecto? Tolinha.

Como quem não quer nada, colocar a mão no bíceps dele, dar uma boa apertada e dizer: “Uau!”

Reze pra que seu namorado nao tenha auto-estima, do contrario, é muito provavel que ele nao se abale por causa de um... "uau". A nao ser que seu pretendente seja esse sujeito:


Torcer por seu quase namorado na partida de futebol com os amigos dele e depois comentar as melhores jogadas do seu craque da bola.

Pode isso, Arnaldo?

Assistir ao gato preparar aquela macarronada. E dizer que ele é mais sexy que o apresentador do programa Chef a Domicílio, do Discovery Home and Health.

- Quem?

Olhar para o rosto dele e comentar que ele é a cara de um homem famoso - e lindo! - com quem ele se pareça ao menos um pouco.

Ma oe!

Aprender com ele técnicas de sinuca que “só um expert pode saber”. Depois, desafiar outros casais a participar de um campeonato com vocês.

- Momô... Convidei a Lu e o Ju pra um programa em grupo. ;)
- Humm... sua danadinha.
- Um campeonato de si-nu-ca :D


Encantar para ser a preferida

Deixar seu primo mais novo ganhar no Guitar Hero e depois pedir a ele algumas dicas.

"Deixar seu primo mais novo ganhar no Guitar Hero" he-he-he Uma pessoa que usa girias dos anos 50 nao deve precisar fazer muito esforço pra perder do priminho no Guitar Hero. 

Quando estiver na loja de artigos de construção, telefonar para o seu pai e pedir conselhos sobre a reforma que quer fazer em casa.

Veja bem, pra isso você precisa fazer uma re-for-ma na sua casa, entende? Tipo assim, uma coisa bem corriqueira. Uma reforma na sua casa. So pra pedir um conselho ao seu pai e se tornar a preferida. Alguém mais acha isso absurdo? Alguém?

Dar às integrantes da sua turma de amigas um apelido que infle o ego delas, como fashionista e rainha das baladas.

Imagino que "rainha das baladas" deve mesmo inflar o ego de qualquer uma.

Ai, mal posso esperar pela proxima ediçao.




terça-feira, 24 de maio de 2011

De como um anel (nao) legitima relaçoes amorosas

Ontem tava rolando uma discussao no twitter sobre o uso de alianças. Alianças, aquelas coisas que as pessoas costumam colocar no dedo quando se casam. @AmandaLourenco disse que nao reparava nas pessoas que a usavam e que nao sabia nem mesmo qual era a serventia de uma aliança. Eu desconfio que tem algo a ver com dominio. Eu juro que posso entender que algumas pessoas se sintam bem usando alianças sem que isso tenha alguma coisa a ver com minha explicaçao. 

@adelialund disse que usava aliança, mas que seu marido nao usa e que ela nao se importa com isso. Tenho um casal de amigos que, nem sei se usam aliança, mas fizeram cada uma tatuagem igual. Taih, acho uma forma muito mais criativa (e até mais séria) de mostrar uniao e comprometimento com o outro. Mas a grande maioria costuma usar aliança pra mostrar à sociedade que nao esta disponivel ou exige do parceiro o uso da aliança pra esse fim. E é isso que eu acho muito tosco. Acharia muito tosco se Camilo me pedisse pra usar aliança. Sinal claro de que ele nao confia em mim. Mas essa é minha opiniao, claro. 

Usar uma aliança como soluçao pra manter possiveis paqueras longe é a saida mais inocente do mundo pra mim. Porque, primeiro, existem as pessoas como Amanda, que sequer percebem esse detalhe na mao do cidadao. Segundo, porque existem pessoas que nao estao muito preocupadas no status amoroso de alguém que elas estejam afim. E, terceiro, se você estiver disposto a trair, nao vai ser um anel que vai te impedir de fazer isso, certo? Ja trai e ja fui traida suficientemente pra saber que essa questao nao se resolve através do uso de um anel. 

Tenho um amigo que namora ha dez anos uma menina e que estava sendo paquerado no trabalho por uma amiga. Perguntei se essa menina sabia que ele tinha namorada e ele respondeu "ela deve saber, eu uso um anel prateado de 1cm". Oh, meu deus! Se eu visse um anel prateado de 1cm na mao de um homem, eu ia pensar que se trata de... um anel prateado de 1cm na mao de um homem, e nao que ele namora sei la quem ha uma década. 

No começo de 2010, eu tava no Brasil e fui curtir meu carnaval em Olinda (Camilo ficou na França porque tava trabalhando). Fomos (uma amiga, um amigo e eu) pra Olinda de carona com um cara que conhecia as pessoas da casa em que iamos nos hospedar - ele ficaria igualmente hospedado lah. Na viagem de ida, notei que o cara ficava me sacando de uma forma esquisita, mas ignorei. Quando chegamos em Olinda, nao sei como, a conversa que vinhamos tendo acabou tendo como tema meu casamento e o cara sugeriu que eu tava ali pra trair Camilo. Eu disse que nao, que nao era porque eu tava em Olinda que eu nao respeitava (ou nao poderia respeitar) meu marido. Entao, todo indignado, ele lembrou que eu estava sem aliança e sem marido. Porque é isso: a gente so respeita o macho se ele tiver colado do lado. Nesse caso, eu soh poderia ser respeitada se tivesse uma aliança. A noite, o cara continuou investindo e chegou ao ponto de sentar ao meu lado e roçar as pernas cabeludas dele nas minhas pernoquinhas lindas de meu deus. Tomah-no-cu! Fiquei muito puta!* O cara sabia que eu era casada, mas continuou dando em cima. Agora pergunto: se eu tivesse uma aliança ele teria me respeitado? Algo me diz que nao. O pior dessa palhaçada é que fiquei com sentimento de culpa. Alias, como ficamos sempre, é de praxe. 

Chegando em Joao Pessoa, comentei o caso com minha mae que, contrariadissima com a historia, perguntou por que diabos eu nao usava uma aliança. (suspiro) Nem preciso dizer que Camilo, ao saber da historia, nao exigiu que eu começasse a usar uma coleira aliança, nao é? De vez em quando, minha mae chegava pra mim "ô, minha filha, por que você nao usa uma aliançazinha, hein? Pode ser uma bem discretazinha". Naozinho, maezinha, obrigadinha. Soh usaria uma aliança se ela viesse com um raio-laser capaz de abrir no meio gente sem noçao. Aih valeria a pena. 

- Como é você quer que eu respeite você, se você vem sem aliança e...
- ZEEEEEUUM! 

Cabou-se. 

* Antes que eu alguém pense que eu tou me fazendo passar de ultimo bastiao da honra em pleno carnaval, adianto que eu nao tenho problemas em ser paquerada. A minha indignaçao nesse caso foi (também) a de ter que aguentar as investidas de um babaca machista que achava que poderia dar em cima de mim pelo fato de eu nao usar aliança em pleno carnaval. Contexto é tudo nessa vida, nao é mesmo?


segunda-feira, 14 de março de 2011

Ao mestre com carinho

Professor piscante: bom sinal

Como eu disse aqui, hoje eu deveria apresentar um seminario sobre o Abbé Pierre. Na verdade, nao era bem sobre o cara, mas isso nao importa. O que também nao importa é que, como a sala é numerosa e nem todas as pessoas podem apresentar os seminarios, a professora divide os temas entre dois ou três alunos e, no dia da apresentaçao, ela faz um sorteio pra escolher quem deve apresentar. Aqueles que nao foram escolhidos pra fazer a apresentaçao devem entregar um trabalho escrito sobre o tema. Dessa forma, todo mundo se prepara pra o seminario. 

A professora dessa disciplina tem a fama de ser muito exigente. Exigente = grossa. Entao, eu que ja sou medrosa sem motivo, cheguei hoje na aula rezando forte pra nao ser a escolhida. A reza deu resultado. No meu lugar, uma coitada foi à frente da turma falar sobre Abbé Pierre e cia. No final da apresentaçao, a professora respirou fundo e começou:

"Vocês precisam deixar de lado essa mania de falar no futuro. Vocês sao historiadores, nao jornalistas. Como assim 'Abbé Pierre farah isso, farah aquilo'? Ele 'fez' isso, ele 'fez' aquilo. (...) Você fala demais 'personne'. E sua problematica? Nao tem nada a ver com uma problematica! (...)  Sua introduçao esta completamente confusa, você se perdeu entre dados e numeros. E sua conclusao nao corresponde ao que você disse durante o seminario"

Ela criticou ainda a menina por ela nao ter visto um filme que fala sobre o Abbé Pierre, disse que ela nao tinha se "doado pro trabalho". E ainda reclamou pelo fato da menina ter esquecido certas datas. Minha gente, vinte minutos seguidos de critica. Quando olhei pra menina, ela tava com cara de choro. Eu quase levantei da cadeira pra ir dar um abraço nela. Soh digo uma: me livrei de ter pago um micao chorando na frente de todo mundo. Foi duro. Inclusive, ela havia comentado comigo que mandou um email pra professora pedindo algumas dicas de livros pra fazer o trabalho e a resposta da professora foi simplesmente: "você nao tem capacidade de fazer uma pesquisa bibliografica?"

Meda.

Pra minha paz, essa nao é a unica professora que da coice. Mas da outra professora eu nao reclamo, porque a disciplina dela é feminismo puro, do começo ao fim, é lindo! Mas eu nao ouso abrir minha boca. Ela vive cortando os alunos, mas de uma forma grosseira mesmo. 

Outro dia, um desavisado foi inventar de dizer o que ele pensava sobre determinado assunto que estava sendo discutido. Infelizmente, a opiniao dele nao correspondia à opiniao da professora. Entao, ela olhou pra cara dele e disse:

- E o que você sabe sobre isso?!
- Eu nao sei, eu soh acho que...
- "Acha"? Acha o que? O que você sabe sobre isso?!
- O_o
- Você por acaso leu sobre isso?
- Nao... eu...
- Entao! 

Cri cri cri. 

O mesmo aluno, antes disso, tava comendo um sanduiche dentro da sala e ela disse "quando você vai terminar seu pic nic?". 

Uma aluna tava guardando o material dela quando a professora parou a aula e disse "mademoiselle, a aula ainda nao acabou, tenha respeito". E eu, louca, quando ainda nao havia testemunhado nada disso, fui perguntar a ela se eu poderia entregar um trabalho escrito no lugar de apresenta-lo como seminario.

- ...porque eu sou estrangeira, mimimi.
- E dai? Você pode fazê-lo mesmo assim! 
- Mimimi?
- Ok.

Eu devo ter feito cocô na calcinha depois que dei as costas a ela. Tenso! A de hoje foi ela escrachando os estrangeiros que entregam trabalhos com erro de ortografia. "Vocês tem o corretor! Coloquem no corretor!" Ela te corta se você fala, se você nao fala, se você come, se você respira, se você. 

Entao, é com muito orgulho que eu anuncio que eu ganhei uma piscadinha dela! Hihi Ela tinha falado de um mestrado lindo que eu queria muito fazer ano passado sobre trabalho e gênero, mas por haver a necessidade de um intercâmbio, eu desisti da idéia (desisti da idéia = nao passei :D). Mas o mestrado vai abrir na Lyon II e nao serao somente cinco vagas. Entao, achando que eu tinha alguma chance, fui falar com ela durante o intervalo da aula. Falamos durante uns dez minutos. Ela explicou o que eu precisava fazer. 

Quando voltamos à aula, uma menina começou a apresentaçao de um seminario sobre a Barbie (pois é...) e comentou que algumas até falavam. "Tem uma Barbie que diz que blablabli e isso deixou algumas feministas furiosas". Como eu nao entendi a frase, me virei pra Lucie e perguntei baixinho o que ela havia dito. A professora percebeu, levantou da cadeira e foi ao quadro escrever pra mim o que ela tinha dito: "a matematica é muito dificil". Quando eu li o que ela escreveu, olhei pra ela e ela deu um sorriso e uma piscadinha pra mim. Um SORRISO e uma PISCADINHA. Foi muita emoçao, meu povo. Pensando agora, acho que ela ta afim de mim. No final, os professores so querem que a gente mostre esforço e interesse pelo curso - e que a gente nao coma, nao fale e nao respire. 


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Barcelona: uma bagunça organizada

No ultimo dia 22, fomos à Barcelona pra uma pequena semana de férias e, olha... eu moraria tranquilamente naquela cidade. Espetaculo! Sabe quando tudo agrada? Cidade limpa, quente, mercados a cada dois metros, comida boa, gente louca, bares aos montes, prédios bem conservados, lojas variadas etc etc. Por isso fico com a descriçao de Camilo sobre a cidade: uma bagunça organizada. 

De cara, coisas que me impressionaram: a semelhança do humor do povo catalao ao francês. Assim que saimos do aeroporto, pegamos um ônibus pra chegar à cidade. Por algum motivo desconhecido, a porta do ônibus estava sendo impedida de fechar. A culpa foi logo direcionada a Camilo que estava perto da porta. Um cara, de forma nada gentil, mandou ele mudar de lugar. Na mesma hora, o motorista se levanta, aponta pra um outro cara no fundo do ônibus e grita com ele pelo mesmo motivo e depois retoma a viagem. Tenso. Camilo, que morou um ano em Barcelona, disse que aquilo era normal, que o povo era meio impaciente. Mas depois da França, meu conceito de "mal humor" mudou bastante. Eh preciso fazer mais do que gritar pra que eu me espante. 

Outra coisa que me chamou a atençao foi a questao drogas/alcool/tabaco. As pessoas tem direito a fumar dentro dos bares. Nao quero ser careta, mas acho uma maldade com os funcionarios. Ao contrario da França, se pode beber com certa tranquilidade no meio da rua. Tem uns paquistaneses vendendo latinhas de cerveja de forma mais ou menos livre, coisa que na França seria impossivel: beber na rua é proibido e, depois das 22h, vender alcool também. Também sentimos varias vezes o cheiro de maconha/haxixe enquanto caminhavamos pelas ruas, fosse de noite ou de dia. E olha que a policia é quase onipresente naquele lugar. 

Apesar disso, Barcelona é conhecida pelos seus picket pockets. Em um parque, fiquei ouvindo a conversa entre um espanhol e um turista francês onde o turista contou que foi furtado no dia anterior. O comentario do espanhol: "minha esposa também, essa semana". Horas depois, quando estavamos saindo do parque, Camilo foi parado por uma mulher que estava, aparentemente, recolhendo assinaturas pra ajudar sei la que instituiçao. Camilo tentou se livrar dela depois de ter assinado o tal papel, mas ela insistiu muito pra ver algum documento dele. Ele abriu a carteira e a mulher pegou nela e, quando vimos, a mocinha estava fazendo um movimento suspeito em que escondia a parte onde estavam as cedulas de Camilo de modo que ela pudesse pegar as notas sem que ele percebesse (enquanto isso, ela fazia perguntas a ele). Nesse momento ele puxou a carteira, muito puto, e fomos embora. Eh incrivel a sagacidade desse povo. 

Como tou morta de preguiça de escrever, vamos aos fatos com fotos.


As ruas de Barcelona sao lindinhas. A gente ficou na casa de uma amiga dos pais de Camilo que morava bem no centro de Barcelona onde as ruas sao estreitas, verdadeiros labirintos e as varandas cheias de plantas e... burros azuis.



Arco do Triunfo



As bicicletas alugaveis sao iniciativa da Prefeitura. Quase nao se vê ciciclista pelas ruas, em compensação, a quantidade de motos é impressionante. 



Parque Ciudadela 
Piadas engraçadinhas sobre o mamute e meu peso estao proibidas.



Porto Olimpico



Praia mais sem graça do mundo. Mas valeu pelo cheiro de peixe agulha frito que trouxe a infância de volta...



Praça Real e um turista fotografando um traveco.



Na Rambla de Barcelona, a gente pode encontrar esses seres que, na falta de emprego, tem que apelar pra criatividade. E, sim, eles chamam muita atençao. Esse aih peidava quando davam dinheiro a ele. 



A concorrência no mercado leva alguns a desenvolver o poder da levitaçao (eu ainda tou intrigada com esse cara).





Piadas sobre peso liberadas 



Na fonte do traveco, outra lady.



Ninguém duvida



 Rambla



Parque Güell 



Parque Güell 



Parque Güell 



Barcelona vista do Parque Güell 



Uma foto para seduzi-los



Parque Güell 



Muitos caes, caes por toda parte. Flagramos alguns donos recolhendo o cocô dos seus cachorros. Em Lyon, essa pratica nao é muito comum. A pratica de recolher, claro, porque a de cagar...






Castelo de Montjuïc. A noite, ha um espetaculo com luzes e musica na fonte do Castelo. Dura em torno de 20min e vale muito a pena!






Bairro popular. Aih vimos um velhinho mijando no meio da rua, como se estivesse em casa, e uma mendiga doida que tirou o cinto e deu uma surra no chao.



Forte de Montjuïc e Camilo competindo comigo na arte da seduçao. Um dia você chega la.



Basilica da Sagrada Familia. Provavelmente, a construçao mais fantastica de Barcelona, apesar de estar inacabada. Assim como o Parque Guell, a Basilica tem o dedo de um dos maiores artitas da Catalunha, Gaudi. Quando tiver pronta, a Basilica vai ter 170m de altura, mas ja atualmente é impressionante:



O teto da Basilica






Aconselho visitar a Basilica num dia de sol pra aproveitar o efeito que os vitrais produzem.












As entradas (de estudante) + audioguia + acesso aos elevadores nos custaram 30€. Foi o passeio mais caro que fizemos, mas valeu a pena. A vista da Basilica é linda. Da pra ver a construçao falica da cidade (porque, como eu ja disse no post sobre Praga, toda cidade que se preze, tem que ter a sua). Bravo.



Enquanto tudo pra mim era novidade, essa viagem foi um momento de redescoberta pra Camilo. Ele estava super empolgado pra me levar nos lugares que fizeram parte do cotidiano dele ha sete anos, quando ele saiu da casa dos pais e foi morar em Barcelona. Entre esses lugares, esta a famosa Xampanyeria, um lugar onde se vende tapas (comida tipica espanhola). Quando cheguei no lugar, fiquei intimidada pela quantidade de gente num espaço tao pequeno. Pelo visto é um lugar meio obrigatorio pra maiorias das pessoas ali. Pedimos umas tapas (frases estranhas...) e tomamos a famosa cava, um champanhe local que me deixou feliz a noite toda. Recomendo.



Cava



Depois das tapas, fomos pra esse bar tomar o famoso...



Olha, confesso que fiquei temerosa, ainda mais porque o cara nao vendia doses do negocio: uma garrafa, dez euros. Quando bebi o primeiro copo, fiquei ainda mais desconfiada, porque o negocio tinha um gosto muito bom e o alcool passava totalmente despercebido. Perguntei a Camilo se aquilo era alcoolico ou nao. Alguns minutos depois, estavamos dançando lambada no bar. Recomendo (2).



Leite de pantera: um perigo.


E assim, termina o ultimo post do ano. Ano bom de Brasil, tatuagem, Guri, Berlim, Praga, faculdade e Dilma. Que venha o proximo! 

Talvez

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