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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Disque L para lesar

Vocês devem nao andar se perguntando onde foram parar as historias da casa em que eu morava com mais dez pessoas. Pois bem, ha mais de três anos, eu mudei de casa e de bairro. Agora, eu moro no bairro mais popular de Lyon: a Guillotière. Esse bairro tem tanto macho assediador de beira de calçada, que eu ja dediquei um post sobre o assunto ha quatro anos, antes mesmo de morar no bairro. "Luci, se o bairro é tao foda assim, por que você escolheu morar la?" Gente, deixa eu escolher pelo menos o bairro onde eu vou morar! "Ah, entao nao reclama". Olha, o blog é meu, eu reclamo se eu quiser. Alias, eu nem sei com quem eu tou discutindo... Entao, continuando. 

Tem um bando de desocupado pelas calçadas. Eles passam o dia todo la, vendendo haxixe e marlboro falsificado. Alias, esses sao os menos desocupados. Os desocupados profissionais, te cantam quando você passa. Mas atençao, nao é aquela "cantada" de brasileiro quero-te-colocar-de-quatro-e-ripa-na-chulipa. A cantada é mais estilo "você é muito charmosa", "bom dia, hmm", o que leva muito macho a achar que estamos exagerando quando nos indignamos com esses tratamentos. Mas creiam-me: quando você escuta isso com frequência, você ja sai de casa botando sangue pelos olhos! Ou soh sou eu que reajo assim? Siiiim, soh você, Virgem Maria dos anos 90.

Diferentona

Alias, quando eu era criança, eu morria de medo dessas historias de Virgem que chora, de colchao que pega fogo sozinho. Um dia minha mae saiu de casa e eu fiquei vendo Gugu com meu irmao mais velho. O programa falava sobre uma estatua da Virgem que chorava sangue. Olha, eu tava tao tensa, que se meu irmao tivesse espirrado na hora, eu nao estaria aqui agora escrevendo besteira pra vocês, teria passado dessa pra melhor, morta de susto. Enfim, divago. O caso é que eu passei a reagir com certa frequencia às cantadas, à medida em que os anos foram passando. 

Entao, ha duas semanas, la estava eu tranquilamente andando na calçada com a criança tranquila que tomo conta, numa tarde muito tranquila. Estavamos voltando pra casa quando, de repente, um homem que estava dentro de um carro estacionado me chamou pra pedir uma informaçao. Eu fui com certa cautela, sem me aproximar muito. Por que? Porque quando eu era pequena, eu lembro de estar brincando na rua com meus irmaos/amigos e de um cara ter parado num carro pedindo informaçao. Ele queria saber onde tinha uma farmacia no bairro, porque ele tinha levado uma picada de abelha. Eu deixo vocês imaginarem onde ele tinha levado a picada. Pois é. Os anos 90 foram recheados de Caverna do Dragao e trauma. Inclusive, la vai mais um sobre o tema. 

(Aquele momento em que você usa seu blog como terapia) 

Eu tava andando pelo bairro com uma amiga e a prima dela. A gente devia ter uns 9/10 anos, no maximo. De repente, numa tarde muito intranquila, um bigodudo de boné passa de bicicleta pela gente mostrando as vergonhas dele. A vista daquele bigode pendurado me chocou bastante. Os bigodes eram muito comuns nos anos 90. Tinha até na televisao, assim, no domingo à tarde, pra qualquer criança ver. 

Mas voltando pra semana passada, eu fui andando com cautela até o carro do cara que queria a tal informaçao. Peguei a criança pela mao e fiquei ha uma distância de pelo menos dois metros dele. O cara pediu a informaçao aos cochichos achando que eu iria me aproximar. 

- Shhhffftiijjjj?
- EH O QUE, OMI?
- Eh... Onde fica o Sixième?
- Fica praquele lado la, oh.
- Ah ok. (...) Você é muito charmosa!



Coroi. Ele disse essa, acelerou e foi embora. Eu queria ter tido alguma coisa pra arremessar naquele carro, mas eu soh tinha a criança comigo, achei melhor nao. Eu voltei pra casa bufando, passei um péssimo dia. Dois dias depois, às 8h30 da manha, fui trabalhar e, quando tava entrando pela porta do prédio da guria, um cara passa por mim dizendo algo e fazendo cara de quem nunca viu mulher na vida. Claro que eu mandei ele calar a boca e claro que ele veio atras de mim. 

(Insira meu pânico aqui)

Entrei no prédio rapidamente, fechei a porta de madeira maciça, passei pela segunda porta, de vidro. Ele abriu a porta de madeira com um chute, eu abri a porta do elevador e paramos ali. Ele abriu a boca, mostrou os dentes e, com os olhos, gritou: "Sua promiscua! Putéfia!" (Optei pela traduçao que iria choca-los menos). "Zoupeira, croia!" Sem esperar que ele descobrisse que a porta de vidro nao tranca, eu peguei o elevador, toda cagadinha.

No dia seguinte, eu começaria o trabalho no mesmo horario. Fiquei com medo do insano estar me esperando no mesmo lugar, mas o Céu foi clemente e era dia de chuva. Chuva = guarda-chuva = Luci-dissimulando-o-rosto-com-guarda-chuva. Dai la estava eu na minha cautela tao caracteristica, andando e escondendo a cara, andando e colocando o guarda-chuva entre mim e os passantes, qualquer um, pra evitar antigas e novas confusoes. Dois caras vinham se aproximando no sentido oposto. Eu fui avançando em direçao a eles e, quando iamos nos cruzando, eu coloquei discretamente a umbrela entre a gente pra evitar qualquer contato. Foi quando um deles se jogou na minha frente, se agachou, avaliou meu rosto, sorriu e disse "ah sim ! Ela é linda!" e foi embora com o amigo sorrindo. Aih meus olhos foram chuvendo até o trabalho.

A verdade é que no dia em que o doido entrou no prédio, eu decidi me inscrever nas aulas de Krav Maga PORQUE VIOLENCIA A GENTE RESOLVE COM VIOLENCIA porque eu queria ter um pouco mais de auto-controle. Pra isso, eu tinha que ter um certificado médico provando que eu era apta pra atividades fisicas. Fui no médico, aquele mesmo que diagnosticou minha tosse de louco, e tivemos o seguinte dialogo:

- Dotô, eu queria um certificado médico.
- (escrevendo de cabeça baixa) Pra quê?
- Pra praticar uma atividade fisica...
- (escrevendo de cabeça baixa) Qual?
- Krav Maga.
- (cabeça baixa) Por que?
- Porque eu fui agredida na rua por um cara e...
- (para de escrever e levanta a cabeça com um sorriso) Aaah! Entao você quer bater nos homens?!

Pra falar a verdade, eu gostaria muito de estripar uns dois ou três, mas poder me defender em caso de ataque ja ta bem bom! Aih ele perguntou o que os caras me diziam. E é foda contar, né, porque, primeiro, isso nao vem ao caso, segundo, isso nao vem ao caso mesmo. Mas como eu falo pra caralho, eu disse que os caras soltam uns clichês e/ou fazem uns barulhos com a boca.

- Que tipo de barulhos?
- Ah, sei la!
- (assoviando) Fiu-fiu? 

Haha Meu filho, nin-guém faz fiu-fiu hoje em dia! A gente soh vê isso em propaganda de creme solar ou de cerveja. Na vida real os caras trincam os dentes e chupam a saliva. Arfam com a lingua do lado de fora.

- Nhé... eles dizem fiu-fiu... é... isso mesmo.
- Ta bom. Entao, vamos pra sala de exame. Tire somente a blusa e o sutia.
- Certo.
- Fiu-fiu! he-he-he

Juro. A pessoa tem que jurar no caralho desse blog, mas é verdade. O cara simplesmente assoviou. Bom, ele fez isso assim que eu levantei, antes que eu me despisse, mas ainda assim: achando que essa seria uma PIADA MUTCHO LOKA! Selo Gentili de aprovaçao. E depois ele ainda disse que era loucura se "inflamar" porque "homem é assim mesmo, sempre foi". Magina, broder! A mulher vai no seu consultorio traumatizada pelo pedofilo que tem ataque anafilatico peniano, pelo homem de bigode na bicicleta, pelos insanos da Guillotière e dezenas de outros ainda. Ela ta traumatizada a ponto de resolver fazer um esporte de combate pra se defender no caminho da propria casa e você, seu médico pessoal, depois de ouvir tudo, decide o quê? O quê? Fazer uma piada com assédio e ainda justifica-lo. Claro. Pensando bem, era bem inofensivo essa Virgem que menstrua pelos olhos. Sdds. 


::

E pra quem é de feici:

.caso.me.esqueçam.




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Toda cura para todo mal

- Como escrever um post de agradecimento sem ser brega ?
- E por que evitar a breguice, Luci ? Seja brega, nao se reprima.

Credo, que mensagem de
agradecimento horrivel
Esse foi o dialogo entre mim e meu eu-menudo minutos antes de escrever esse post. Porque eu até entendo que as pessoas possam se solidarizar com alguém que anuncia uma doença, mas eu nao esperava, sinceramente, pelas mensagens recebidas nas ultimas semanas. Os telefonemas, os emails, as mensagens no blog, as cobranças no FB: nao importou o tamanho, a frequência ou o meio: tudo, cada mensagem me deixou feliz, de olho marejado. Gente que nunca me viu na vida dizendo estar preocupada, oferecendo ajuda. Eh demais pro meu coraçao de banana.  Call me deslumbrada, mas eu acho isso fantastico e me emociono mesmo. Sou mole sensivel. Entao, obrigada. Obrigada mesmo. 

Mas vamos falar do meu parto. 

Assim que cheguei ao Brasil (19 de maio), fui a todos os médicos e fiz todos os exames possiveis para dar inicio ao processo cirurgico. Mas toda semana, a cirurgia era marcada e desmarcada devido à falha na aprovaçao do material da cirurgia que custava em torno de 5 mil reais. Quase escrevi à UNIMED dizendo que eu aceitaria ser operada com uma tesorinha de plastico sem ponta, desde que a operaçao fosse aprovada rapidamente. Eu era a personificaçao da ansiedade, nao via a hora de extirpar Godzilla. 

Entao, um dia, confirmaram a cirurgia. Nunca na historia desse pais uma pessoa ficou tao maravilhada com a ideia de ser aberta por um bisturi. Angela Bismarchi me entenderia. A cirurgia estava marcada para às 10h, mas maqueiro soh chegou depois do meio-dia. Sim, o "maqueiro". Nao sei vocês, mas eu desconhecia a existência desse profissional. Quando ele chegou, me perguntou: "seu coraçao acelerou quando me viu?". Poderia ter acelerado se seu nome fosse Freddy e seu sobrenome fosse Krueger, fora isso, sem chance. Ele ainda disse, com certa dose de orgulho, "o coraçao dos pacientes sempre acelera quando eles me veem". Foi aih que eu lembrei de ficar nervosa, mas nao consegui. 

Chegando na sala de cirurgia, encontrei o cirurgiao, o anestesista e mais duas figuras cuja serventia eu desconhecia. Foi quando ouvi alguém dizer "eu soh fiz duas cirurgias em supra-renal". Quase que levanto da maca no melhor estilo UEPAAAA! Para tudo! Maquistoria é essa de somente DUAS cirurgias? Eu rezei pra que fosse o maqueiro que tivesse dito isso, mas nao pude ter certeza. A anestesia ja estava fazendo efei... hudedz... hnj q;;77§ès !r fie jfgn id ufijr,f...

Limbo.

"Deixa eu ver" foi minha primeira frase (consciente) depois da cirurgia. Eu ainda estava grogue, mas queria ver aquele que me deu tanto pesadelo. Lembro de ter visto no potinho uma coisa redonda dentro de uma agua turva. Era mais ou menos assim: 

Fui levada, como previsto, pra UTI onde fiquei uma noite. Era importante que eu fosse pra UTI pra ser monitorada de perto caso minha pressao caisse (o que normalmente aconteceria devido a supressao repentina do cortisol). Na minha cabecinha inocente, a UTI deveria ser um local de paz e tranquilidade destinado à convalescença dos enfermos. A UTI que fiquei tava mais pra Feira da Sulanca: milhoes de pessoas passando pelo corredor, de maqueiro à eletricista, uma velha que gritava e um grupo de animais, digo, pessoas, que acharam bonito conversar à porta do meu quarto.

Eu ja estava ha 15h sem comer quando uma enfermeira sadica colocou uma bandeja de sopa, suco e gelatina numa mesa inalcançavel e saiu sem dizer nada. "Sera que ela espera que eu mova essa bandeja com o poder da mente, MEU DEUS?" Fixei meu olhar na bandeja acreditando que o pos-cirurgico pudesse ter me dado poderes sobrenaturais. Nao deu.

Eh soh uma mancha
Em seguida, uma dupla de enfermeiras entra no meu quarto dizendo que vai fazer minha higiene (meda). Uma delas me descobre, olha pro meu peito e pergunta horrorizada: "MEODEOS, o que é isso no seu peito?!". Eu ia responder "mamilo", mas pela cara de horror dela, ela deveria estar se referindo a outra coisa. Como meu campo de visao se limitava ao teto, eu imaginei que nao poderia ajuda-la a encontrar a resposta, apesar de eu estar igualmente preocupada.

A segunda enfermeira encarou meu peito e, de maneira passiva e precisa, diagnosticou: "é soh uma mancha". Soh uma mancha?! Em casa eu pude averiguar que nao se tratava soh de uma mancha. Parecia que eu tinha levado uma surra. Infelizmente, a pudicicia me impede de mostra-los a foto da "mancha". Mas eu posso garantir que meu corpo ta bonito. So que ao contrario. Fizeram quatro incisoes na minha barriga, cada uma tem no minimo três pontos. Eu tou parecendo um pirata.

Mas um pirata feliz. Feliz e agradecido.




quinta-feira, 8 de março de 2012

Um passo à frente

Pais dos guris programaram passar dez dias de férias no chalé da familia da mae que fica em Montgenèvre, perto da fronteira com a Italia. Gentis como sao, resolveram levar a babah deles na mala. E entre ficar em casa coçando o saco que eu nao tenho e viajar, bom, vocês sabem. Foi uma escolha dificil. E por falar em dificil, eu vou contar uma historia para vocês. 

Para chegar em Montgenèvre, eu tinha que pegar um trem em Lyon e ir pra Uma Cidade que Eu Esqueci o Nome. Numa Cidade que eu Esqueci o Nome, eu esperaria 40 min e pegaria em seguida um segundo trem pra Oulx, na Italia. La, finalmente, eu pegaria um ônibus para Montgenèvre onde meus patroes normalmente estariam me esperando. Mas dessa forma, tudo seria muito facil e a vida exige  emoçao.

As cinco pessoas que desceram comigo do trem desapareceram nos carros aquecidos de suas familias. Entrei na estaçao, pedi um bilhete para Montgenèvre mas, devido um pequeno atraso de 30 min do meu segundo trem, acabei perdendo o ônibus. O ultimo ônibus. Eram 20h e nevava como nos filmes de Natal. Perguntei que de outra forma eu poderia chegar à Montgenèvre e o cara do guichê deu de ombros, mas depois respondeu, grosseiramente, que, talvez, de taxi. E quanto custaria esse taxi? "30 euros". Eu teria resolvido meu problema se tivesse taxi na estaçao. E se eu tivesse dinheiro comigo. 

Saquei meu celular para ligar pros patroes, mas ele nao tinha sinal: eu estava na Italia. Pensei "gente, é agora que chega um estuprador pra comer meu pipiu?" Atravessei a rua e entrei no unico estabelecimento aberto da regiao, um bar. "Est-ce que vous parlez français?" Nao, eles nao parlavam français. Ok, Luciana, nao priemos cânico, veja isso como uma boa oportunidade de por em pratica seu  inglês. 

- Eu, I... I où est-ce que... I... There's un hotel par ici? 
- Sim. Você sai do bar e ha um à esquerda, à duas portas. 

Sai do bar, dobrei à esquerda e encontrei um hotel fechado. Neve, neve, neve. Apertei a campainha e uma mensagem automatica em italiano disse me disse que "piasccia netcha di vionglorio mercredile sue pitto!". 

Eh o quê, homi?!

A mensagem, como eu viria a saber depois, dizia que o hotel fechava nas terças. Era uma terça. Voltei pro bar disposta a vender meu corpo em troca de um lugar para dormir. Com a sorte que eu estava, acho que nem o estuprador da cidade aceitaria. Mas otimismo é tudo. "Moço, tem outro hotel por aqui?" Tem. "Você vai direto, chega até o final da rua, dobra à direita, dobra à esquerda, passa pela ponte, entra no beco escuro, depois desce, depois sobe, depois desce, depois dobra. E cuidado com o lobo". 

Sai do bar e uma figura malassombrada me perguntou se estava tudo bem, se eu queria um taxi. Olhei em volta e nao havia taxi nenhum. Recusei gentilmente o taxi inexistente e fui ao encontro do desconhecido. Subi, desci, subi, desci, subi, desci (minha gente, eu minto muito, o caminho era facil) e, finalmente, encontrei o tal hotel. Fechado. Respirei fundo, mas nao pra ficar calma, mas pra pegar fôlego pra gritar. Gritei em português, em francês, em italiano e em inglês. Mas gritei com tanta desespero fé que a dona do hotel apareceu. Meu nome: Luciana Alivio Aquino. Prazer. 

So me restava esperar o dia seguinte. Fiquei imaginando o quanto os pais estariam preocupados, afinal, nao se fazem mais babas como eu, e morta, eu nao sirvo pra muita coisa. Mas eu nao tinha muito o que fazer. O pior da noite foi ver que nao havia pasta de dente no banheiro. Gente, foi horrivel.

No dia seguinte, pedi o computador da dona do hotel e mandei mensagens desesperadas a quem conhecia para que alguém pudesse contactar Camilo, que contactaria os pais, que me contactariam. Deu certo, ja vivia emoçoes demais.

A primeira pergunta que os pais me fizeram quando me encontraram: e por que tu nao ligasse do bar pra gente? Errr... Nao sei.




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Espalhando fluidos ou o primeiro post de 2012

Antes de tudo: feliz 2012, leitores queridos do meu coraçao! Queria agradecer todas as mensagens desejentas de amor, paz e saude que vocês deixaram, mas da proxima vez, desejem dinheiro. Obrigada.

Nesse exato momento, Camiloulou e eu estamos em Roma. Resolvemos passar o Reveillon aqui. Ta sendo bem legal, tudo é muito curioso. Assim que chegamos, fomos ao supermercado. Vimos alguns gladiadores fazendo compras, tinha alguns imperadores levando seus cachorros pra passear... Também ja visitamos alguns monumentos importantes, mas ainda falta muito pra ver.

Demos muita sorte e ficaremos alguns dias no apartamento de uma amiga de Camilo. O apartamento, nesse momento, esta vazio, mas na noite em que chegamos (30/dez), uma das colocs da amiga de Camilo estava aqui. O quarto da amiga de Camilo é super legal, mas a porta é meio problematica. Eh uma porta de correr de madeira bem pesada que emperra o tempo todo e faz o maior barulho quando mexemos nela, o que me garantiu um certo problema: como a dieta exige que eu beba, no minimo, 1,5l de agua por dia, vivo visitando o banheiro de madrugada. 

Primeira ida ao banheiro da madrugada: levanto da cama completamente desnorteada, tento abrir a porta do quarto pra sair, mas tudo o que consigo é fazer com que ela ranja violentamente. Com medo de acordar a coloc da amiga de Camilo, resolvi tentar sair pelo pequeno espaço aberto. Fiquei de lado, sequei a barriga, parei de respirar e, enquanto passava, coloquei a lingua pra fora num movimento involuntario e acabei lambendo o vao da porta. Olha, sei nao. O importante é que eu consegui sair do quarto e que agora eu conheço o gosto do imobiliario romano. 

Mijei e voltei pro quarto (na volta, guardei bem a lingua na boca).

Até os 26 anos, eu espero
Segunda ida ao banheiro da madrugada: nao houve, mijei na cama mesmo. "Nao, Luci, você so pode estar brincando. De novo?! Você nao tem vergonha nao?". Vergonha eu tenho, o que eu nao tenho é controle sobre essa bexiga. Ha dois anos, foi na cama do cunhado. Tou começando a achar que minha uretra tem algum problema pessoal contra mim. Uretra, querida, a gente poderia resolver nossas diferenças de outra maneira. O que você acha? Porque é meio deprimente saber que a criança de dois anos e meio que eu cuido mija menos na cama do que eu.

Na verdade, pra minha sorte (ou pra sorte da dona da cama, nao sei), eu consegui levantar antes de despejar o xixi na cama e a grossa calça que eu usava pra dormir absorveu tudo. Daih que foi super legal lavar calça mijada as 5h da manha. Entao, no dia em que eu for dormir na casa de vocês (se é que alguém vai querer, diante do meu historico), podem providenciar lençois e fraldas. Pampers é moh legal. A medida é + 26, se liguem. 

E foi assim, em grande estilo, que me despedi de 2011.
2012: veinimim!


domingo, 2 de outubro de 2011

Historinhas

1. Finalmente tomei vergonha na cara e mudei de médico. Minha nova médica se chama Lapica. Lapica tem sorte de nao ter nascido no Brasil, vocês nao acham?

2. Minhas aulas começaram. Uma disciplina é sobre a historia da India e a outra é sobre a historia do livro. Era o que tinhamos para o momento. A professora de Historia da India parece ser bem legal, apesar de um pouco desorientada. 

- Os textos religiosos indianos sao infinitos! Infinitos!
- (...) 
- Ok, talvez nao infinitos. Mas eles sao milhares! Milhares!

Tudo bem, professora, a gente entendeu que "infinito" era modo de falar. Em um momento, ela quis saber, sabe-se la porque, se alguém da turma falava chinês. Uma menina disse que teve curso durante a escola. Foi o suficiente pra professora virar pra ela e, com voz anasalada, começar a falar em chinês. Chang chuan chang chuan! Chang? A cara da menina: 


Acho que vou me divertir com essa professora. Para a outra disciplina, temos dois professores que se alternarao durante o semestre. A professora desse curso é assustadoramente magra, vocês nao tem idéia. Eu passei as 4h de aula observando ela, aflita, vendo a hora dela cair no chao de fraqueza. Vou levar um prato de sopa pra ela na proxima aula. 

3. Coloquei um piercing ontem. Havia alguns meses que eu planejava isso, mas o momento era sempre adiado. Ora devido à falta de companhia para a empreitada, ora pela... preguiça. Aproveitei entao, a presença de uma amiga que ta de passagem em Lyon e fui me furar. Adorei! Eh uma pena que eu soh tenha duas orelhas, porque eu gostaria de ter mais piercings.

Um dia, o guri viu meu piercing do umbigo e disse que queria um também. Fui toda sorridente contar isso à mae dele no melhor tom "criança diz cada uma!". Quando ela ouviu, virou pro guri, segurou os ombros dele e disse "filho, Luciana é o exemplo de tudo o que a gente nao quer nessa casa: tatuagem e piercing :)"

Luci: :O
Mae: :)
Luci: :O
Mae: :)
Luci: ¬¬





domingo, 28 de agosto de 2011

Divulgaçao


Um post curto pra divulgar dois eventos bloguisticos que se darao nos proximos dias:

1. Um sera no Dia do Blog, 31 de agosto, onde, segundo a Walqui, a única coisa que você precisa é fazer uma foto, um texto, um poema ou poesia, relacionando-se ao mundo da blogsfera, e se puder, claro, indicar cinco blogs que você gosta. Simples, nao? Mais informaçoes, aqui.

2. O outro evento é o concurso que a Somnia, outra querida borboleta, ta realizando no blog dela: uma foto, mil lembranças. Troço mais simples ainda: basta criar um texto baseado numa foto pessoal. Qualquer ser humano interessado pode participar! Para saber mais, aqui

Adoro essas idéias, porque é exatamente dessa forma que blogs e pessoas super interessantes surgem. Soh falta eu tomar vergonha na cara e participar. 

Recado dado!


domingo, 24 de julho de 2011

Finalmente


Fujam para as montanhas! Amanda estah vindo! 

Nao pretendia mais postar sobre o fim de semana que passamos em Paris em razao do pic nic (alias, parecia que eu nao pretendia postar nunca mais), mas olhando as fotos, vi que queria dizer que foi muito bom! E coisas assim merecem ser registradas.

Chegamos em Paris na sexta de manha (08 de julho). Amandao foi pegar a gente na estaçao e depois fomos matar o tempo num jardim aih à beira do Seine. Sinto muito, eu nao guardo nomes. Nesse momento, fomos brutalmente atacados por passarinhos famintos que visavam os farelos do nosso pao. Paris estah cada vez mais perigosa. 

Algumas horas depois, pude realizar um desejinho antigo: conheci dona Maria Ritalice, o motivo que deu surgimento ao pic nic, na minha opiniao. Graças ao primeiro abraço, passei três horas com o perfume dela em mim, nao sei se pelo esfregamento grande ou pela potência do dito, mas Rita, nao mude de perfume. E, gente, sim!, ela é a pessoa bonita que parece ser no blog. Por isso, ainda sinto a vergonha de ter deixado passar a oportunidade de vê-la no domingo, mas ela ha de perdoar. 

No final da tarde, depois da Amanda mirim ter capotado de sono (de rosa, na foto abaixo), nos despedimos da familia Paschoalin. Ainda na foto abaixo, Rita recebendo explicaçoes duvidosas de Amanda. Atentem pro detalhe da banana. Descobri que esse ser de blusa roxa tem banana como base alimentar. Quando ela teve em Lyon da ultima vez, comprou uma penca de banana e soh comeu isso. Achei esquisito, mas respeitei. 


Em Paris, enquanto todo mundo queria croissant, Amanda foi de banana. O problema é que ela nao respeitou o aviso...


 


Amanda e todo seu charme banânico



- Luci, onde você escondeu minha ultima banana?
- Menina, nem tchi conto!

Mas como eu ia dizendo, fomos a um bar magavilhoso. Ele nao tinha nada de especial, mas um lugar onde se vende cerveja é sempre maravilhoso. Respeitemos. Foi aih que eu conheci Maitê. Agora eu entendo porque as duas se tornaram amigas de infância! Maitê é muito legal, minha gente, gente sem frescuras! Basta dizer que a noite começou assim:



Phinas



E foi ficando assim...



Benzina recebendo a pomba-gira



Alguns copos mais tarde... 
A postagem dessa foto é a prova de que eu nao prezo pela minha imagem, beijos. 



Benzina com cara de quem perdeu a mae e Camilo, O Revoltado

No aguardado sabado, fomos ao Parque sei la o quê - desculpem, eu nao guardo nomes - pro pic nic. Eh legal demais poder ver a cara dos autores dos blogs que eu leio ha anos. Conheci a Adélia do Pedalando em Paris, a Drixz do Café Velho e a Helena do Certain Regard. Foi lindo! Soh achei o tempo curto, Drixz foi embora muito cedo, conversei pouco com elas. Culpa minha que estava trabalhando no modo timida. Aline do Sao-Paulo-Paris-Dakar (que teve alguns problemas com crocodilos) e a Mari do Agora nem sei mais sao velhas de guerra e eu ja conheço de outros carnavais pic nics. Também teve a Alê e a Adriana que, até onde sei, nao tem blogs, nao? Faltou a Carol. 




Faltou ela



quarta-feira, 27 de abril de 2011

Solo

La vai.

Eu e meus irmaos crescemos ouvindo, quase que diariamente, que estavamos abaixo intelectualmente das outras pessoas. Ouvindo de quem? Do nosso querido genitor. Eu sempre fui comparada à filha do gerente do banco em que ele trabalha, à filha da vizinha, às minhas primas, às minhas melhores amigas... Todo mundo era mais esperto e mais capaz do que a gente. Essas pessoas faziam Medicina ou Direito e estavam em cargos publicos de salarios exorbitantes. E eu... eu era soh uma aluna de Historia. Uma "vagabunda". Quando você tem 25 anos e escuta coisas desse tipo, você nem mesmo pensa em ouvir o sermao até o fim. Mas quando você tem 12 anos, brother, isso te afeta. E quando esse se torna o mantra do seu pai, ja era. Cresci assim: acreditando que eu nao podia. Me convenceram disso. Me convenceram realmente que eu sou inferior à qualquer criatura. Mas eu escuto, nao raramente, inclusive do meu pai, que eu sou forte. Que eu sou forte por estar aqui na França, por estar numa faculdade no "estrangeiro", por estar enfrentando todos os problemas que a distância da terra natal pode trazer. Mas eu nao levo esse reconhecimento em consideraçao, pelo menos nao ao ponto de ter uma postura mais positiva em relacao às minhas capacidades. Eu nao quero desistir de nada porque isso seria confirmar tudo aquilo que meu pai pensa de mim. Meu complexo de inferioridade, meu medo e minha timidez ainda nao impediram que eu colocasse em pratica as coisas que eu planejo. Mas isso nao quer dizer que eu nao faça essas coisas me cagando de medo. Eu sou chorona, admito. Eu choro muito, eu choro por qualquer coisa. Eh uma forma nada original de escape da qual eu dependo. E eu tento me convencer de que isso nao me faz necessariamente uma pessoa fraca. Eh que eu ando com o coraçao na mao, assim, ao vento. Eh por isso que quando alguém me diz alguma coisa ruim, eu me sinto destruida, mas o efeito inverso vem pra equilibrar minha vida: basta eu escutar algo positivo, qualquer palavra de afeto, e eu me derreto. E, olha, eu gosto de ser assim. Eu pretensiosamente acho que vivo mais que muita gente. Minha vida nao é a mais fantastica, minha rotina se limita à "casa-faculdade-trabalho", mas eu sinto tanto que as vezes fico cansada. E, por algum misterio que eu ignoro, eu consegui reunir ao meu redor, sem perceber, um bom numero de pessoas que sao mais ou menos assim, intensas. Eh isso que torna minha vida, apesar de todos os probleminhas que eu possa ter, florida. Linda. 

O impulso que me levou a escrever esse post, foi um email que acabei de receber, da dona desse blog aqui (e que me fez chorar, claro). Eu nunca vi essa mulher na minha vida! E, de repente, sei la, ela se tornou muito mais compreensiva e preocupada comigo como jamais meu pai sera (e isso nao vem de hoje). E a cadeia de eventos que me ligou à ela (através dos nossos blogs) me ligou também a outras pessoas e, meu deus... Como agradecer a vocês? Na verdade, como celebrar isso tudo, como mostrar meu agradecimento sem ser brega (tarde demais?) ou de forma eficaz? Alias, nao acho que a questao se limita somente à agradecer todas as palavras e comentarios positivos que me chegam. A questao é mesmo "que puta sorte eu tenho por ter essas pessoas". Vou deixar de ser cagona? Dificilmente. Mas da pra respirar mais tranquilamente quando penso que eu sou RYYYYCA em recursos humanos (hihi). As vezes da vontade de engolir o mundo. E eu adoro dividir essas coisas com vocês. Obrigada!  




terça-feira, 26 de abril de 2011

Futuro mais-que-perfeito

Semana passada, uma das minhas professoras decidiu arruinar minha vida: a monstra desse post. Sabe aquele trabalho sobre Abbé Pierre/Emmaus? Pronto, eu tirei oito. Isso seria uma noticia maravilhosa se a média das notas escolares francesas nao fosse dez (a nota maxima é vinte). Mas o problema nao foi a nota, foram os comentarios super motivadores. 

Ela disse que eu nao dominava o francês (o que de maneira alguma representou uma surpresa pra mim. Oi, eu estou na França ha quase dois anos e nao sei conjugar os verbos no subjuntivo) e ficou me questionando sobre o que eu pretendia fazer depois da graduaçao. Ela me chamou atençao e me questionou sobre coisas absolutamente normais, mas enquanto ela ia falando, as pessoas à minha volta foram se calando e as observacoes dela sobre minha habilidade com a lingua foram sendo ouvidas pouco a pouco pelos outros alunos até o momento em que eu me encontrei completamente constrangida, sobretudo quando eu tive que responder que o que eu gostaria de fazer em seguida era um mestrado. Foi chato. Foi chato escutar tudo aquilo e foi chato ver que o que ela disse me atingiu tanto que, assim que ela deu as costas, eu comecei a chorar. E se fosse so isso! Comecei a avaliar todas as dificuldades que eu teria num possivel mestrado com esse meu francês capenga e mimimi, o choro foi aumentando, mimimi, o que é que eu tou fazendo nessa faculdade, mimimi, ela tah certa, mimimi, eu nao vou tentar o mestrado. Olha, nem queria descrever meu estado de espirito naquele momento. TPM, baixa auto-estima, complexo de inferioridade e cansaço se deram as maos e massacraram este pobre coraçao durante as horas que se seguiram.

Entao, pra minha extrema surpresa, a Luci forte foi convocada e disse pra Luci patética  "a unica pessoa que tem o direito de sabota-la é você mesma, amiga, nao uma professora que ta com a vida ganha e que ta pouco se fudendo com você". Entao, a nuvem de medo se dissipou e eu voltei a sorrir e a reconsiderar todos os meus planos. Acho que vou escrever um livro de auto-ajuda. "Como matar seu eu patético". Vendera milhoes. E sera escrito em francês. Sem o uso do subjuntivo, é claro. 

domingo, 10 de abril de 2011

Pra ficar social

Sei que vocês andam sentindo minha falta nos vossos blogs (NAO ANDAM?), mas minha explicaçao pra essa ausência é aquela de sempre: faculdade cuzuda e sem fim. Ontem passei parte do meu lindo e ensolarado sabado dentro de uma opressora biblioteca lendo sobre coisas das quais eu nao gosto e nao entendo. Mas a gente compensa: fui encontrrar Camilo e duas garrafas de vinho na beira de um dos rios de Lyon. Que emoçao! Centenas de cabeças sobre a grama e sob o sol. A França teve recordes de temperatura pra uma começo de primavera: Paris, 24°, Lyon, 26°, Outro Lugar que eu Esqueci o Nome, 30°! Ok, vocês no Brasil estao se lixando pro sol, mas é que depois de seis meses de frio, a emoçao desse lado é grande. O dia foi lindo, estavamos bêbados e felizes. Voltando pra casa, no metrô, sentei do lado de um homem e fiquei fazendo careta pra ele quando ele nao estava olhando. Maturidade: trabalhamos. Depois ele percebeu o movimento. Ai eu virei pra ele e perguntei "o que é que tu fizesse hoje? :D"

Gente bêbada é uma merda.

Camilo disse que eu fico muito sociavel quando bebo. Eh por isso que eu bebo, pô, pra ficar social.



O céu de hoje e as glissines do nosso pergolado

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curriculo sincero

Oi, meu nome é Luciana, tenho 25 anos e sou viciada em memes. 

Leia pra entender: Estrada Anil 

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Meu curriculo sincero

Idade: tou grandinha, ja passei da idade de beber até vomitar. Mas a gente vomita mesmo assim. 

Objetivos: ser professora de Historia e mudar o mundo. Ok, pelo menos o mundo de alguém. Vamos começar humildemente.

Disponibilidade para o trabalho: se o trabalho for muito trabalhoso, nenhuma.

Atuaçao: atriz, quando tenho que ler as historinhas de Tchoupi; Super-Homem, quando tenho que atravessar o parque voando pra aparar o menino da queda; escudo humano, quando o bebê resolve direcionar o jato de vômito pro chao (o estranho zelo pelo chao vem do fato do chao ser limpo por mim); faxineira, quando a atuaçao como escudo-humano falha.

Diferenciais: eu sou a unica pessoa pontual que eu conheço. Mas pontualidade nunca empregou ninguém. 

Experiências anteriores: oi?

Periodos: 1985 - 2008: papi pagava; 2008 - 2011: marido paga; 1989 - 2011: Luci estuda. 

Linguas estrangeiras: conheço uma muito bem e a amo! Na verdade, eu a amo tanto que casei com o dono dela. 

Conhecimentos: (resposta vazia por falta de criatividade da blogueira)

Capacidade de liderança: todos me obedecem. Afinal, so é respeitado quem tem o poder de intimidar. #bolsonarofeelings.   

Pos-graduaçao ou cursos complementares: para o céu e avante!

Ou nao.

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"O cargo é seu": Brabuleta 

domingo, 27 de março de 2011

Menstru... açao! - o resultado

Indo direto ao ponto: o coletor menstrual foi um sucesso. Tentei seguir todos os conselhos que recebi e mantive em mente todos os problemas que eu poderia ter. Entao agora, irmaos, vou dar meu testemunho sobre o produto. 

Escaldei o coletor numa panela com muita agua (pra evitar que o troço grudasse e derretesse no fundo dela). Eh uma etapa chata, visto que a probabilidade de uma das 862875367963 pessoas que moram comigo se deparar com meu coletor menstrual boiando numa panela é grande. Mas eu nao sou pudica e isso nao é problema meu.

Tomei banho, tchururu, peguei meu coletor, tchururu, e deitei na cama. O fabricante recomenda o uso de lubrificante nas primeiras vezes, entao eu, gênia, peguei o KY e ("Para você, amigo telespectador, que acabou de sentar no sofah, estamos falando de coletores menstruais, nao de outra coisa") e peguei o KY e lambuzei a parada. Crianças, nao tentem isso em casa: o negocio ficou sambando na minha mao, mas tal qual Crocodilo Dundee com seus crocodilos, consegui dominar meu coletor e dobra-lo. 

Entao, viria a parte mais dificil: enfiar. Alguém disse que a coisa mais importante era relaxar. Entao, respirei fundo, procurei a paz do Senhor e, quando eu ja estava quase desmaiando de tao relaxada, coloquei o troço. Nao achei facil, na minha opiniao ele é meio grande e se você estiver travada, pode esquecer. E ainda estamos falando de coletores menstruais.

Tentei verificar com o dedo se o coletor continuava dobrado, mas nao consegui. Entao, apertei o coletor e saiu, junto com o ar, um barulho que teria me comprometido caso eu estivesse acompanhada. "Pronto, agora fixou".  

Nao senti nenhum incômodo, nao precisei aparar o toquinho e nao vazou nada. Iêi! Maaaas... à noite, na hora de tirar, o negocio nao quis sair. Eu puxei, puxei, girei e nada. Pensei "meu deus, esse negocio esta preso à mim, socorro" e lembrei do Dr. Octopus. Tive medo que o coletor ganhasse vida propria e me dominasse e passasse a lançar jatos de sangue nas pessoas e quisesse dominar o mundo. Nao sei, uma coisa assim. Mas eu vou tranquiliza-los: isso nao aconteceu.

O que aconteceu foi que, na segunda vez em que o coloquei, ele ficou dobrado. Eu usei o dedo pra desdobrar e deu certo. Ou seja, Amanda, se você diz que nunca consegue desdobrar o seu, é porque você tem uma micro-vagininha, beijos.

Agora que eu usei e aprovei, vou fazer uma peregrinaçao pelo Sertao, quer dizer, pelo interior da França, propagando os beneficios do coletor. A causa é boa, espero atrair multidoes. Amém. 

sábado, 19 de março de 2011

Menstru... açao!

Depois dos testemunhos (e da aprovaçao) de cinco mulheres que conheço sobre os beneficios do coletor menstrual, decidi economizar a porra do meu dinheiro optar por uma postura mais ecologica e garantir a compra do meu. Nao vou dar minha opiniao sobre o coletor porque ainda nao o utilizei (pois é, tou escrevendo so porque eu sou empolgada). Mas ja achei o troço o maximo! Ele é lindo, é azul, mas eu teria escolhido vermelho, assim a gente adianta logo o serviço. 

Eu sinto, bem dentro do meu ser, que eu vou rir muito manejando esse troço... dentro do meu ser. Pra começar, o negocio parece um balde. Me sinto segura pra ter uma hemorragia se eu quiser. A marca é Lunacopine - nunca ouvi falar - e so custou 22€. O coletor vem com um saquinho super brega pra que você possa conservar o copo em segurança. Brega, mas para a mulher que gosta de discriçao, a opçao é melhor que as embalagens do Always que anunciam aos quatro ventos, no momento em que você tenta sacar discretamente o absorvente da sua bolsa, que você estah menstruando loucamente.  


Segundo esse esquema, o copo tem quatro furos pro ar. Pra quem quer a bacurinha ventilada, fica a dica. Na verdade, nao entendo a necessidade desses furos. Uma das vantagens do coletor nao é justamente a de nao permitir o contato do sangue com o ar (evitando assim o caracteristico e  desagradavel cheiro de sangue oxidado)? Bom.


Mas o que achei o maximo mesmo foi essa tabelinha que sugere o tamanho do coletor de acordo com o... tamanho do colo do utero? "Virgem, adolescente, mulheres jovens com/sem filhos, mulheres com mais de 30 anos com/sem filhos" etc etc e... "micro vagina: onde o colo do utero é facilmente alcançado com um dedo"*. Minha amiga dona de casa, se a senhora possui uma vagininha, melhor esquecer essa coisa de coletor menstrual. Seguinte: os fabricantes dizem que o coletor pode recuperar até 1/3 de todo o sangue vertido durante o ciclo. E vocês sabem por que? Porque o coletor é ga-ran-de-rê. Bucetinha nao tem vez! Fiz um esqueminha cientifico pra que vocês entendam:


Micro vagina (que parece uma folha - e que nem ta tao micro assim - desculpem, eu nao sei desenhar) + coletor-balde-menstrual = era uma vez uma micro vagina. 

Ok! Eu estou exagerando um pouco (eu ja disse que eu sou empolgada?). 

Bom, so sei que a encomenda veio numa boa hora. Terei minhas preciosas regras na semana que vem. Enquanto minha indisposiçao durar, revelarei aqui minha experiência com meu pequeno grande coletor, porque eu sei que vocês estao ansiosos pra saber como eu me viro com minha menstruçao. Eh, eu sei. 

Amigo que deixa Luci pagar mico com traduçoes toscas no blog, sem corrigir, nao é amigo.

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Elas também ja escreveram sobre:



segunda-feira, 14 de março de 2011

Ao mestre com carinho

Professor piscante: bom sinal

Como eu disse aqui, hoje eu deveria apresentar um seminario sobre o Abbé Pierre. Na verdade, nao era bem sobre o cara, mas isso nao importa. O que também nao importa é que, como a sala é numerosa e nem todas as pessoas podem apresentar os seminarios, a professora divide os temas entre dois ou três alunos e, no dia da apresentaçao, ela faz um sorteio pra escolher quem deve apresentar. Aqueles que nao foram escolhidos pra fazer a apresentaçao devem entregar um trabalho escrito sobre o tema. Dessa forma, todo mundo se prepara pra o seminario. 

A professora dessa disciplina tem a fama de ser muito exigente. Exigente = grossa. Entao, eu que ja sou medrosa sem motivo, cheguei hoje na aula rezando forte pra nao ser a escolhida. A reza deu resultado. No meu lugar, uma coitada foi à frente da turma falar sobre Abbé Pierre e cia. No final da apresentaçao, a professora respirou fundo e começou:

"Vocês precisam deixar de lado essa mania de falar no futuro. Vocês sao historiadores, nao jornalistas. Como assim 'Abbé Pierre farah isso, farah aquilo'? Ele 'fez' isso, ele 'fez' aquilo. (...) Você fala demais 'personne'. E sua problematica? Nao tem nada a ver com uma problematica! (...)  Sua introduçao esta completamente confusa, você se perdeu entre dados e numeros. E sua conclusao nao corresponde ao que você disse durante o seminario"

Ela criticou ainda a menina por ela nao ter visto um filme que fala sobre o Abbé Pierre, disse que ela nao tinha se "doado pro trabalho". E ainda reclamou pelo fato da menina ter esquecido certas datas. Minha gente, vinte minutos seguidos de critica. Quando olhei pra menina, ela tava com cara de choro. Eu quase levantei da cadeira pra ir dar um abraço nela. Soh digo uma: me livrei de ter pago um micao chorando na frente de todo mundo. Foi duro. Inclusive, ela havia comentado comigo que mandou um email pra professora pedindo algumas dicas de livros pra fazer o trabalho e a resposta da professora foi simplesmente: "você nao tem capacidade de fazer uma pesquisa bibliografica?"

Meda.

Pra minha paz, essa nao é a unica professora que da coice. Mas da outra professora eu nao reclamo, porque a disciplina dela é feminismo puro, do começo ao fim, é lindo! Mas eu nao ouso abrir minha boca. Ela vive cortando os alunos, mas de uma forma grosseira mesmo. 

Outro dia, um desavisado foi inventar de dizer o que ele pensava sobre determinado assunto que estava sendo discutido. Infelizmente, a opiniao dele nao correspondia à opiniao da professora. Entao, ela olhou pra cara dele e disse:

- E o que você sabe sobre isso?!
- Eu nao sei, eu soh acho que...
- "Acha"? Acha o que? O que você sabe sobre isso?!
- O_o
- Você por acaso leu sobre isso?
- Nao... eu...
- Entao! 

Cri cri cri. 

O mesmo aluno, antes disso, tava comendo um sanduiche dentro da sala e ela disse "quando você vai terminar seu pic nic?". 

Uma aluna tava guardando o material dela quando a professora parou a aula e disse "mademoiselle, a aula ainda nao acabou, tenha respeito". E eu, louca, quando ainda nao havia testemunhado nada disso, fui perguntar a ela se eu poderia entregar um trabalho escrito no lugar de apresenta-lo como seminario.

- ...porque eu sou estrangeira, mimimi.
- E dai? Você pode fazê-lo mesmo assim! 
- Mimimi?
- Ok.

Eu devo ter feito cocô na calcinha depois que dei as costas a ela. Tenso! A de hoje foi ela escrachando os estrangeiros que entregam trabalhos com erro de ortografia. "Vocês tem o corretor! Coloquem no corretor!" Ela te corta se você fala, se você nao fala, se você come, se você respira, se você. 

Entao, é com muito orgulho que eu anuncio que eu ganhei uma piscadinha dela! Hihi Ela tinha falado de um mestrado lindo que eu queria muito fazer ano passado sobre trabalho e gênero, mas por haver a necessidade de um intercâmbio, eu desisti da idéia (desisti da idéia = nao passei :D). Mas o mestrado vai abrir na Lyon II e nao serao somente cinco vagas. Entao, achando que eu tinha alguma chance, fui falar com ela durante o intervalo da aula. Falamos durante uns dez minutos. Ela explicou o que eu precisava fazer. 

Quando voltamos à aula, uma menina começou a apresentaçao de um seminario sobre a Barbie (pois é...) e comentou que algumas até falavam. "Tem uma Barbie que diz que blablabli e isso deixou algumas feministas furiosas". Como eu nao entendi a frase, me virei pra Lucie e perguntei baixinho o que ela havia dito. A professora percebeu, levantou da cadeira e foi ao quadro escrever pra mim o que ela tinha dito: "a matematica é muito dificil". Quando eu li o que ela escreveu, olhei pra ela e ela deu um sorriso e uma piscadinha pra mim. Um SORRISO e uma PISCADINHA. Foi muita emoçao, meu povo. Pensando agora, acho que ela ta afim de mim. No final, os professores so querem que a gente mostre esforço e interesse pelo curso - e que a gente nao coma, nao fale e nao respire. 


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Maracugina


Fiapo no dente! Aaahhh!


Nao é preciso me conhecer muito bem pra saber que eu sou uma mulher bruta. Ja sofri e fiz sofrer muita gente por causa disso. Ultimamente, tou mais calminha (essa frase deve ter feito Camilo rir). Seja como for, a cavala que habita em mim é um verdadeiro ursinho de pelucia perto do meu roommate. 

Antes dele morar aqui em casa, perguntei a duas pessoas que o conheciam bem se ele era legal. O dialogo foi o mesmo com as duas:

- Ah, ele é otimo! Eh engraçado, é atencioso...
- Otimo, porque ele vai morar com a gente.
- Morar?! Ah, nao, pra morar nao!

Nao era o que eu queria ouvir. Também nao demorou muito tempo pra eu descobrir o porquê disso. O cara é um pouco esquentado. Uma vez, conversando com sua mae ao celular, uma chinesa, ele ficou muito puto e chutou um negocio de ferro que fez o pé dele abrir e dar um banho de sangue na casa. Na ocasiao, ele também quebrou o celular no chao. 

Outra vez, ele foi acordado por um pessoal que estava conversando perto da janela do quarto dele. Como resolver essa situaçao?

Pessoa normal: "por favor, vocês poderiam conversar em outro lugar, porque eu estou tentando dormir. Obrigado".

Ele: foi no quintal, mandou todo mundo tomar no cu, estirou dedo, depois quebrou uma cadeira e uma xicara. Outro dia, sei la pelo quê, quebrou uma mesa. O bom é que geralmente eu fico sozinha com ele em casa, entao, quando eu começo a me apavorar com as pancadas que ele faz enquanto destroi a casa, eu me lembro que pode ser ele nas suas atividades e deixo pra la. Até porque, ja falei do detalhe que ele é faixa preta no Kung Fu? Pois bem, ele é. 

So que essa semana, Pai Mei passou um pouquinho dos limites. Camilo, feliz e contente, mandou um email pra todos os seus contatos convidando o pessoal pra sua festa de aniversario. A gente sabe como é dificil manter controlado os convidados bêbados, principalmente aqueles que nao conhecem o dono da festa e usam o momento pra fazer merda (na ultima festa que houve aqui em casa, mijaram num colchao que fica no subsolo). Entao, Camilo, inocentemente, disse ao final do email que nohs tinhamos um chinês que fazia Kung Fu e que nao ia tolerar as pessoas que viessem quebrar a casa. 

Pra que?

Eu, que no momento em que lia o email, estava em casa, comecei a ouvir umas pancadas fortes vindo do quarto dele, algo como batidas de porta, mas de maneira muito mais alta e intensa. Fiquei apavorada, apesar de saber do que se tratava (e talvez por isso). Finalmente, um outro morador da casa chegou e perguntou a Pai Mei o que porra ele tava fazendo. Nao escutei a explicaçao, mas quando chegou à noite, entendi o motivo: encontrei Camilo num restaurante e ele disse que o estressado havia respondido ao email quatro vezes. As mensagens sao bem carinhosas: ele manda Camilo tomar no cu, diz que vai bater nos amigos dele, que vai bater em Camilo, inclusive, que vai matar Camilo e que vai fazer realmente isso pra Camilo ver que ele nao ta brincando. Dai vocês me perguntam: por qual motivo ele vai fazer isso? E quem sabe! Eu fiquei tao assustada que disse que Camilo nao ia ficar sozinho com ele quando voltasse pra casa pra conversar com ele.

No final das contas, aconteceu o que a gente sabia que aconteceria: ainda por telefone, ele pediu desculpas a Camilo e depois teve uma conversa muito sincera sobre o quanto ele estava errado e sobre o quanto ele deveria mudar. Nohs, os estressados, violentos, temos consciência absoluta da nossa ignorância e do quanto isso afeta nossos relacionamentos. E o pior: justamente aqueles que sao os mais proximos e, consequentemente, os mais queridos. Eh uma maldiçao. Mas tudo acabou bem e Pai Mei ta pensando em deixar a casa em fevereiro.

PS. nao estranhem se eu deletar esse post dentro dos proximos dias. Seguro de vida: nao temos. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diario de férias - parte I


...mas podem me chamar de Rai 

Sim, férias! Mas nao férias safadas como as de dezembro, em que eu tive que estudar pras provas de janeiro. Nao, sao férias sinceras: o semestre finalmente acabou. Mas os ultimos momentos, claro, foram tensos, senao a vida fica sem graça. 

Eu tinha duas provas escritas pras disciplinas de Historia da Africa e Historia Antiga. O conteudo de Africa era uma abordagem politica e social de alguns paises do continente africano colonizados pela Europa, até os dias atuais. O professor de Africa nao é nada exigente. 

- Professor, eu sou obrigada a apresentar o trabalho?
- Que nada! Você é estrangeira, pode entregar por escrito.
- :D

Claro que eu poderia dizer "o senhor por acaso esta sugerindo que eu, na condiçao de estrangeira, nao tenho capacidade de seguir o curso tal qual o faz um aluno francês? Pois saiba o senhor que eu..."

Que eu vou entregar o trabalho por escrito. Obrigada.

Escolhi Moçambique como tema. Semanas depois, antes de entregar o trabalho ao professor, mostrei à minha nova coleguinha francesa (eu tenho uma coleguinha francesa, iupi!) meu trabalho e ela perguntou, "Luciana, tu nao ia fazer sobre Moçambique? Por que fizesse sobre Madagascar?" 

Taih uma pergunta pertinente.

Sei la. Porque era tudo com "M"? Porque eles estao proximos? Ok, nao foi por isso. Acho que eu tou sofrendo algum tipo de demência leve nesses ultimos tempos.  Peguei um livro na estante pra ler no metrô. Quando cheguei nele, percebi, ao abrir o livro, que eu ja o tinha lido. Derrotada, guardei o livro na bolsa e continuei o trajeto. Desci do metrô, olhei em volta e me perguntei pra onde eu estava indo: tinha que ir pra universidade e fui pro trabalho! Era o dia da prova de Antiga. Sai bem cedo de casa pra nao chegar atrasada e me atrasei 15min. Dois dias antes, peguei o metrô, fui pra direçao certa e ia esquecendo de descer na estaçao. Quando as portas estavam dando o sinal sonoro de que se fechariam, eu dei um salto sobre a cabeça das pessoas e consegui descer. Abestalhamento: trabalhamos. 

Finalmente, nao sei nada sobre a colonizaçao de Moçambique, mas imagino que teria sido mais interessante que a de Madagascar. Moramos com um malgaxe que se chama Toky Rakotomalala, mas respirei fundo quando me deparei com nomes como o do Primeiro Ministro da Ilha: Rainivoninahitriniony. E o que dizer de Andrianampoinimerina? Como eu disse no twitter, fico imaginando o apelido carinhoso desse povo. "Andrianampoinimerinazinho, venha comer, meu filho!" A namorada dele precisava de uma sequoia e 45min pra talhar o nome dos dois.


Enfim, divago. O importante é que decorar nomes nao esta entre minhas habilidades (que sao respirar e dormir), entao, num voo até meus tempos de escola, peguei meu dicionario francês-português e sai escrevendo nas paginas todos os nomes, conceitos e datas que eu poderia precisar na hora do exame (Professor, se o senhor estiver lendo isso, por favor, nao me reprove, eu sou estrangeira). 

Como o sistema deu certo (ninguém me pegou em flagrante), repeti a dose na prova de Antiga. Mas essa mereceu. Essa professora tocou o terror na minha vida nesses ultimos quatro meses. O conteudo da disciplina trata do Alto Império Romano (no Oriente, de - 31 até 235). Entao, ela passou meses falando do que aconteceu em cada provincia romana nesse periodo, sob o governo de cada imperador, deu o dia, mês e ano dos acontecimentos, a arvore genealogica das personagens envolvidas e... Meu deus. 

"Em 22, em 17 e em 13: grande revolta dos Besses sob direçao do seu rei Vologese. Os Besses vao tirar  Rhoimetalkes I do poder e fazer sumir o filho de Cotys V, Rhescuporis II. Os romanos intervem durante três anos e, em 11, ha a pacificaçao da Tracia. Rhoimetalkes I é nomeado rei de toda a Tracia". 

"No Egito, sob reino de Tibério: ha somente duas legioes estacionadas em Nicopolis. Sob o reino de Trajano: uma terceira legiao é adicionada: a II Traiana. Entre 106 e 123, a III Cyrenaique é enviada à Bostra e em 135, a XXIII Deitoriana é desfeita, ficando somente uma legiao no Egito, a II Traiana". 

Agora vocês entendem porque eu chorava tanto? Esses sao dois pequenos exemplos que eu peguei ao acaso nos resumos, mas eu tive que estudar quarenta paginas disso. Quarenta paginas falando do que fez cada imperador, de quem atacou quem, em tal ano, quem morreu, quem se matou, quem deu tal ordem, bla bla bla. Perguntei desesperada à brasileira se a professora exigia esses detalhes na prova e ela disse que sim. Fiz quase 30 paginas de resumo desenhando mapas, fazendo os caminhos das legioes com setinhas, usando canetinhas coloridas e letras diferentes que pudessem me fazer rememorar meus resumos pra que, no final das contas, a professora desse como tema "as elites municipais nas provincias romanas". Fiz a prova com ajuda do meu super dicionario, mas nao tenho a minima idéia de como me sai, afinal, eu sabia falar sobre o papel das elites municipais, mas nao sei se o fiz em forma de dissertaçao. E aqui nao adianta saber do conteudo, tem que saber a forma e, essa aih, eu nao sei. Oremos. 

sábado, 18 de dezembro de 2010

O que você nao aprende na escola (update)



 Esse nao é um post para os castos.


Eu tava namorando Camilo ha poucos meses quando ele foi à uma consulta no urologista, no Brasil. Ele chegou em casa e começou a me contar como havia sido a consulta. Entre um comentario e outro, ele disse:

- ...e dai eu contei que tinha uma nova namorada e ele me perguntou se eu tinha tirado teu cabaço e...
- O QUE?!
- ?
- Ele perguntou se tu tirasse meu "cabaço"?! Ele usou essa palavra?!
- Sim, por que?

Inocência.

Quem me conhece (e quem nao me conhece também) sabe que eu tou longe de ser uma pessoa pudica. Mas acho um pouco inapropriado um profissional usar termos chulos com seus pacientes. Além disso, é evidente que esse sujeito so usou esse termo depois de perceber a condiçao de estrangeiro de Camilo e sua provavel inocência em relaçao à certas expressoes brasileiras. Fiquei puta, mas tampouco ia pegar na mao de Camilo e tomar satisfaçao com o tal médico doente. Nao sei vocês, mas eu temeria levar meu filho pra uma consulta com uma figura dessas. 

Entao, foi pensando em situaçoes como essa que surgiu a idéia desse post. Eh um post de utilidade publica que vai ensinar você, estrangeiro mané inocente, alguns termos em francês para que você possa se defender, se for o caso, ao ser xingado. 

Pau: bite 

Buceta: chatte ("gata"), moule ("mexilhao")

Xoxota: minou ("gatinha")

Trepar: baiser, tirer

Gozar: jouir

Punheta: se branler, se taper une queue, s'astiquer le bout

Viado: pédé, tapette, pédale, tarlouze, tantouze  

Sapatao: gouine 

Puta: salope, pétasse, trainé, morue

Puto: salop

Pinto: zizi

Vai tomar no cu: va te faire enculer

Vai te fuder: va te faire foutre

Idiota: conne e connasse (mulher), con e connard (homem)  

Chata/chato: chiante, chiant

Chupar (buceta): brouter le minou (brouter é "pastar"), cunnilingus (faire un cunni),  
  
Chupar (pau): sucer, tailler une pipe ("fazer um cachimbo")

Palavroes gerais:

Putain!

(Ça me) fait chier! ("isso me faz cagar")

Ça me caisse les couilles! ("isso me quebra os ovos")

Ça me caisse les burnes!

Racaille: forma pejorativa de tratar pequenos delinquentes ou gente que se encontra à margem da sociedade. Aqui, é geralmente usado pra falar dos jovens arabes. Entao, ainda no intento de fazer vocês nao falarem besteira quando estiverem na França, evitem esse termo perto desse pessoal.

Bom, e por aih vai. Infelizmente, eu acho que preciso dizer que esse post nao tem a intençao de contribuir com preconceitos: eu nao me responsabilizo pela babaquice alheia, soh pela minha.

Estejam à vontade pra aumentar essa lista nos comentarios com qualquer termo que vocês julgarem util à vida em sociedade na França. Hoho.

Talvez

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