quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os passaros

Semana passada, Camilo me perguntou se eu gostaria de passar o fim de semana em Côte d'Azur. Apesar de se tratar do meu ultimo fim de semana de estudo antes das provas (que estao rolando essa semana), nao levei muito tempo pra me decidir. 
Do alto do meu pescoço, pensei "por que nao?", afinal, Côte d'Azur = mar. E Luci gosta de mar. Luci nao via mar ha mais de um ano. Luci gosta de falar na terceira pessoa. Mas Luci vai parar. 

A casa em que ficamos é de uma colega de trabalho de uma menina que mora com a gente. Uma coisa assim, impressionante. Perguntei à Camilo e a uma colega dele o quanto ela, a casa, valeria. Chutei dois, três milhoes, mas eles disseram que era bem mais que isso, que nao tinha nem como calcular. Enfim, casa de um povo que nao passa aperto. 

Em uma das disciplinas de geografia da faculdade, a gente estuda as regioes francesas e a distribuiçao de riqueza entre elas (é bem interessazzZZZzzz). Professor disse que o sul era o lugar dos velhinhos, que os franceses aposentados iam pra la gastar suas aposentadorias. Pois bem, pude confirmar isso. A gente ficou na cidade de Saint Raphael. Minha gente, parecia um mundo paralelo dominado por velhos. Velho, velho, velho. Se eu fosse investir nesse lugar, com certeza apostaria em farmacias, hospitais e cemitérios. 

Fomos comprar pao pro café da manha e vimos no caminho dezenas de velhinhos fazendo ciclismo. Aqui na França, é muuuuito comum ver equipes de ciclistas, com uniforme e tudo, fazendo... ciclismo. Quando chegamos na padaria, tinha um velhinho ciclista comprando pao. A caixa perguntou "oh, você anda com uma nota desse valor enquanto faz esporte?" Era uma singela notinha de 100$. Esperei que ele fosse dizer a ela "fique com o troco", mas nao rolou. Pois é, pessoas que compram pao com notas de 100€. 

Pra minha sorte, choveu durante todo o sabado, entao nao foi realmente um sacrificio ficar dentro do quarto estudando. Mas no domingo...

Aqui os caranguejos sao felizes


Gordo lindo bocejando


A outra perna ta debaixo do chapéu


:(

No sabado, um amigo foi pegar ouriço. Que coisinha nojentinha e fedorenta! Mas essa nao era a opiniao da gaivota que apareceu por la. A gaivota tava completamente enlouquecida atras dos ouriços deixados na varanda. Ela dava uns voos rasantes e tinha um olhar maligno. A gente espantou ela, mas a marvada voltou no dia seguinte, determinada. Colocamos a mesa na varanda e, à mesa, um delicioso prato de quiche. Em dois minutos, tinhamos um passaro comendo nosso almoço. Enquanto a gaivota se fartava, uma das meninas gritava. Fiquei sem saber se eu espantava o passaro ou se eu batia na menina pelo escândalo. 

Depois de compartilharmos o que sobrou da comida, tive a excelente idéia de tomar banho de mar. O que poderia ter sido um maravilhoso mergulho em aguas mediterrâneas, se revelou uma sessao de tortura. Tirei o biquini da mala. Peguei minha toalha. Lambuzei a cara de protetor solar e desci toda serelepe pra praia. Quando coloquei minhas patinhas na agua, descobri que a vida nao é tao bonita assim. A agua tava gelada e, 15 min depois, eu ainda estava na mesma posiçao tentando arrumar coragem, enquanto Camilo ja devia ter feito Saint Raphael - Malta à nado. Quando finalmente entrei no mar, fiquei me debatendo, engoli agua... e sai cinco minutos depois. Phino. 


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Solo

La vai.

Eu e meus irmaos crescemos ouvindo, quase que diariamente, que estavamos abaixo intelectualmente das outras pessoas. Ouvindo de quem? Do nosso querido genitor. Eu sempre fui comparada à filha do gerente do banco em que ele trabalha, à filha da vizinha, às minhas primas, às minhas melhores amigas... Todo mundo era mais esperto e mais capaz do que a gente. Essas pessoas faziam Medicina ou Direito e estavam em cargos publicos de salarios exorbitantes. E eu... eu era soh uma aluna de Historia. Uma "vagabunda". Quando você tem 25 anos e escuta coisas desse tipo, você nem mesmo pensa em ouvir o sermao até o fim. Mas quando você tem 12 anos, brother, isso te afeta. E quando esse se torna o mantra do seu pai, ja era. Cresci assim: acreditando que eu nao podia. Me convenceram disso. Me convenceram realmente que eu sou inferior à qualquer criatura. Mas eu escuto, nao raramente, inclusive do meu pai, que eu sou forte. Que eu sou forte por estar aqui na França, por estar numa faculdade no "estrangeiro", por estar enfrentando todos os problemas que a distância da terra natal pode trazer. Mas eu nao levo esse reconhecimento em consideraçao, pelo menos nao ao ponto de ter uma postura mais positiva em relacao às minhas capacidades. Eu nao quero desistir de nada porque isso seria confirmar tudo aquilo que meu pai pensa de mim. Meu complexo de inferioridade, meu medo e minha timidez ainda nao impediram que eu colocasse em pratica as coisas que eu planejo. Mas isso nao quer dizer que eu nao faça essas coisas me cagando de medo. Eu sou chorona, admito. Eu choro muito, eu choro por qualquer coisa. Eh uma forma nada original de escape da qual eu dependo. E eu tento me convencer de que isso nao me faz necessariamente uma pessoa fraca. Eh que eu ando com o coraçao na mao, assim, ao vento. Eh por isso que quando alguém me diz alguma coisa ruim, eu me sinto destruida, mas o efeito inverso vem pra equilibrar minha vida: basta eu escutar algo positivo, qualquer palavra de afeto, e eu me derreto. E, olha, eu gosto de ser assim. Eu pretensiosamente acho que vivo mais que muita gente. Minha vida nao é a mais fantastica, minha rotina se limita à "casa-faculdade-trabalho", mas eu sinto tanto que as vezes fico cansada. E, por algum misterio que eu ignoro, eu consegui reunir ao meu redor, sem perceber, um bom numero de pessoas que sao mais ou menos assim, intensas. Eh isso que torna minha vida, apesar de todos os probleminhas que eu possa ter, florida. Linda. 

O impulso que me levou a escrever esse post, foi um email que acabei de receber, da dona desse blog aqui (e que me fez chorar, claro). Eu nunca vi essa mulher na minha vida! E, de repente, sei la, ela se tornou muito mais compreensiva e preocupada comigo como jamais meu pai sera (e isso nao vem de hoje). E a cadeia de eventos que me ligou à ela (através dos nossos blogs) me ligou também a outras pessoas e, meu deus... Como agradecer a vocês? Na verdade, como celebrar isso tudo, como mostrar meu agradecimento sem ser brega (tarde demais?) ou de forma eficaz? Alias, nao acho que a questao se limita somente à agradecer todas as palavras e comentarios positivos que me chegam. A questao é mesmo "que puta sorte eu tenho por ter essas pessoas". Vou deixar de ser cagona? Dificilmente. Mas da pra respirar mais tranquilamente quando penso que eu sou RYYYYCA em recursos humanos (hihi). As vezes da vontade de engolir o mundo. E eu adoro dividir essas coisas com vocês. Obrigada!  




terça-feira, 26 de abril de 2011

Futuro mais-que-perfeito

Semana passada, uma das minhas professoras decidiu arruinar minha vida: a monstra desse post. Sabe aquele trabalho sobre Abbé Pierre/Emmaus? Pronto, eu tirei oito. Isso seria uma noticia maravilhosa se a média das notas escolares francesas nao fosse dez (a nota maxima é vinte). Mas o problema nao foi a nota, foram os comentarios super motivadores. 

Ela disse que eu nao dominava o francês (o que de maneira alguma representou uma surpresa pra mim. Oi, eu estou na França ha quase dois anos e nao sei conjugar os verbos no subjuntivo) e ficou me questionando sobre o que eu pretendia fazer depois da graduaçao. Ela me chamou atençao e me questionou sobre coisas absolutamente normais, mas enquanto ela ia falando, as pessoas à minha volta foram se calando e as observacoes dela sobre minha habilidade com a lingua foram sendo ouvidas pouco a pouco pelos outros alunos até o momento em que eu me encontrei completamente constrangida, sobretudo quando eu tive que responder que o que eu gostaria de fazer em seguida era um mestrado. Foi chato. Foi chato escutar tudo aquilo e foi chato ver que o que ela disse me atingiu tanto que, assim que ela deu as costas, eu comecei a chorar. E se fosse so isso! Comecei a avaliar todas as dificuldades que eu teria num possivel mestrado com esse meu francês capenga e mimimi, o choro foi aumentando, mimimi, o que é que eu tou fazendo nessa faculdade, mimimi, ela tah certa, mimimi, eu nao vou tentar o mestrado. Olha, nem queria descrever meu estado de espirito naquele momento. TPM, baixa auto-estima, complexo de inferioridade e cansaço se deram as maos e massacraram este pobre coraçao durante as horas que se seguiram.

Entao, pra minha extrema surpresa, a Luci forte foi convocada e disse pra Luci patética  "a unica pessoa que tem o direito de sabota-la é você mesma, amiga, nao uma professora que ta com a vida ganha e que ta pouco se fudendo com você". Entao, a nuvem de medo se dissipou e eu voltei a sorrir e a reconsiderar todos os meus planos. Acho que vou escrever um livro de auto-ajuda. "Como matar seu eu patético". Vendera milhoes. E sera escrito em francês. Sem o uso do subjuntivo, é claro. 

domingo, 10 de abril de 2011

Um exemplo de perspicacia

Aconteceu uma coisa tao ridicula hoje que vale a pena postar de novo. 

Pra ir à universidade, eu pego um metrô no sentido contrario à ela pra depois pegar o tramway que me levara a faculdade. Esse percurso é feito em uma boa meia hora (com o plus do tramway estar sempre lotado). Mas eu sempre soube que havia um outro caminho pra universidade que passava por dentro do parque Parilly, que fica a cinco minutos da minha casa, onde eu gastaria somente 15 minutos indo de bicicleta, mas eu estava sem bicicleta desde setembro, entao, ignorei essa opçao. Soh que um dos caras que mora comigo, me disponibilizou uma bicicleta (que provavelmente eu comprarei, pois esta à venda) entao hoje, como eu fui correr no parque, resolvi dar uma olhada no novo caminho pra ir à universidade. Camilo me explicou qual caminho eu deveria pegar pra atravessar o parque, mas ele nao sabia me indicar a segunda parte do caminho, uma vez que eu estivesse fora do parque.



Fiz o percurso de sempre na corrida e cheguei no limite do Parque. Pensei "ok, soh falta conhecer agora o resto do caminho" (que eu faria no dia seguinte, com a bicicleta). Eu ja estava me virando pra voltar pra casa quando me deparei com uma placa indicando "Université Lyon 2" e uma setinha pra direita. Minha gente, de repente, a universidade brotou do chao e apareceu na minha frente! Ela estava ALI o tempo todo! Eu morava a 15 min da porra da universidade e nao sabia. Eu passei seis meses pegando dois transportes, um deles lotado, todo-santo-dia, quando bastava eu atravessar o parque! Olha, eu ri. Mas nao é modo de falar. Eu ri muito na calçada. Porque agora, ao invés de passar pelo tormento descrito, eu vou de bicicleta pra universidade, nesse tempo lindo que ta fazendo, vou ver o parque todo dia e ainda ganhar preciosos minutos de sono. Mas que foi ridiculo, foi.


Pra ficar social

Sei que vocês andam sentindo minha falta nos vossos blogs (NAO ANDAM?), mas minha explicaçao pra essa ausência é aquela de sempre: faculdade cuzuda e sem fim. Ontem passei parte do meu lindo e ensolarado sabado dentro de uma opressora biblioteca lendo sobre coisas das quais eu nao gosto e nao entendo. Mas a gente compensa: fui encontrrar Camilo e duas garrafas de vinho na beira de um dos rios de Lyon. Que emoçao! Centenas de cabeças sobre a grama e sob o sol. A França teve recordes de temperatura pra uma começo de primavera: Paris, 24°, Lyon, 26°, Outro Lugar que eu Esqueci o Nome, 30°! Ok, vocês no Brasil estao se lixando pro sol, mas é que depois de seis meses de frio, a emoçao desse lado é grande. O dia foi lindo, estavamos bêbados e felizes. Voltando pra casa, no metrô, sentei do lado de um homem e fiquei fazendo careta pra ele quando ele nao estava olhando. Maturidade: trabalhamos. Depois ele percebeu o movimento. Ai eu virei pra ele e perguntei "o que é que tu fizesse hoje? :D"

Gente bêbada é uma merda.

Camilo disse que eu fico muito sociavel quando bebo. Eh por isso que eu bebo, pô, pra ficar social.



O céu de hoje e as glissines do nosso pergolado

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curriculo sincero

Oi, meu nome é Luciana, tenho 25 anos e sou viciada em memes. 

Leia pra entender: Estrada Anil 

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Meu curriculo sincero

Idade: tou grandinha, ja passei da idade de beber até vomitar. Mas a gente vomita mesmo assim. 

Objetivos: ser professora de Historia e mudar o mundo. Ok, pelo menos o mundo de alguém. Vamos começar humildemente.

Disponibilidade para o trabalho: se o trabalho for muito trabalhoso, nenhuma.

Atuaçao: atriz, quando tenho que ler as historinhas de Tchoupi; Super-Homem, quando tenho que atravessar o parque voando pra aparar o menino da queda; escudo humano, quando o bebê resolve direcionar o jato de vômito pro chao (o estranho zelo pelo chao vem do fato do chao ser limpo por mim); faxineira, quando a atuaçao como escudo-humano falha.

Diferenciais: eu sou a unica pessoa pontual que eu conheço. Mas pontualidade nunca empregou ninguém. 

Experiências anteriores: oi?

Periodos: 1985 - 2008: papi pagava; 2008 - 2011: marido paga; 1989 - 2011: Luci estuda. 

Linguas estrangeiras: conheço uma muito bem e a amo! Na verdade, eu a amo tanto que casei com o dono dela. 

Conhecimentos: (resposta vazia por falta de criatividade da blogueira)

Capacidade de liderança: todos me obedecem. Afinal, so é respeitado quem tem o poder de intimidar. #bolsonarofeelings.   

Pos-graduaçao ou cursos complementares: para o céu e avante!

Ou nao.

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"O cargo é seu": Brabuleta 

domingo, 27 de março de 2011

Menstru... açao! - o resultado

Indo direto ao ponto: o coletor menstrual foi um sucesso. Tentei seguir todos os conselhos que recebi e mantive em mente todos os problemas que eu poderia ter. Entao agora, irmaos, vou dar meu testemunho sobre o produto. 

Escaldei o coletor numa panela com muita agua (pra evitar que o troço grudasse e derretesse no fundo dela). Eh uma etapa chata, visto que a probabilidade de uma das 862875367963 pessoas que moram comigo se deparar com meu coletor menstrual boiando numa panela é grande. Mas eu nao sou pudica e isso nao é problema meu.

Tomei banho, tchururu, peguei meu coletor, tchururu, e deitei na cama. O fabricante recomenda o uso de lubrificante nas primeiras vezes, entao eu, gênia, peguei o KY e ("Para você, amigo telespectador, que acabou de sentar no sofah, estamos falando de coletores menstruais, nao de outra coisa") e peguei o KY e lambuzei a parada. Crianças, nao tentem isso em casa: o negocio ficou sambando na minha mao, mas tal qual Crocodilo Dundee com seus crocodilos, consegui dominar meu coletor e dobra-lo. 

Entao, viria a parte mais dificil: enfiar. Alguém disse que a coisa mais importante era relaxar. Entao, respirei fundo, procurei a paz do Senhor e, quando eu ja estava quase desmaiando de tao relaxada, coloquei o troço. Nao achei facil, na minha opiniao ele é meio grande e se você estiver travada, pode esquecer. E ainda estamos falando de coletores menstruais.

Tentei verificar com o dedo se o coletor continuava dobrado, mas nao consegui. Entao, apertei o coletor e saiu, junto com o ar, um barulho que teria me comprometido caso eu estivesse acompanhada. "Pronto, agora fixou".  

Nao senti nenhum incômodo, nao precisei aparar o toquinho e nao vazou nada. Iêi! Maaaas... à noite, na hora de tirar, o negocio nao quis sair. Eu puxei, puxei, girei e nada. Pensei "meu deus, esse negocio esta preso à mim, socorro" e lembrei do Dr. Octopus. Tive medo que o coletor ganhasse vida propria e me dominasse e passasse a lançar jatos de sangue nas pessoas e quisesse dominar o mundo. Nao sei, uma coisa assim. Mas eu vou tranquiliza-los: isso nao aconteceu.

O que aconteceu foi que, na segunda vez em que o coloquei, ele ficou dobrado. Eu usei o dedo pra desdobrar e deu certo. Ou seja, Amanda, se você diz que nunca consegue desdobrar o seu, é porque você tem uma micro-vagininha, beijos.

Agora que eu usei e aprovei, vou fazer uma peregrinaçao pelo Sertao, quer dizer, pelo interior da França, propagando os beneficios do coletor. A causa é boa, espero atrair multidoes. Amém. 

sábado, 19 de março de 2011

Menstru... açao!

Depois dos testemunhos (e da aprovaçao) de cinco mulheres que conheço sobre os beneficios do coletor menstrual, decidi economizar a porra do meu dinheiro optar por uma postura mais ecologica e garantir a compra do meu. Nao vou dar minha opiniao sobre o coletor porque ainda nao o utilizei (pois é, tou escrevendo so porque eu sou empolgada). Mas ja achei o troço o maximo! Ele é lindo, é azul, mas eu teria escolhido vermelho, assim a gente adianta logo o serviço. 

Eu sinto, bem dentro do meu ser, que eu vou rir muito manejando esse troço... dentro do meu ser. Pra começar, o negocio parece um balde. Me sinto segura pra ter uma hemorragia se eu quiser. A marca é Lunacopine - nunca ouvi falar - e so custou 22€. O coletor vem com um saquinho super brega pra que você possa conservar o copo em segurança. Brega, mas para a mulher que gosta de discriçao, a opçao é melhor que as embalagens do Always que anunciam aos quatro ventos, no momento em que você tenta sacar discretamente o absorvente da sua bolsa, que você estah menstruando loucamente.  


Segundo esse esquema, o copo tem quatro furos pro ar. Pra quem quer a bacurinha ventilada, fica a dica. Na verdade, nao entendo a necessidade desses furos. Uma das vantagens do coletor nao é justamente a de nao permitir o contato do sangue com o ar (evitando assim o caracteristico e  desagradavel cheiro de sangue oxidado)? Bom.


Mas o que achei o maximo mesmo foi essa tabelinha que sugere o tamanho do coletor de acordo com o... tamanho do colo do utero? "Virgem, adolescente, mulheres jovens com/sem filhos, mulheres com mais de 30 anos com/sem filhos" etc etc e... "micro vagina: onde o colo do utero é facilmente alcançado com um dedo"*. Minha amiga dona de casa, se a senhora possui uma vagininha, melhor esquecer essa coisa de coletor menstrual. Seguinte: os fabricantes dizem que o coletor pode recuperar até 1/3 de todo o sangue vertido durante o ciclo. E vocês sabem por que? Porque o coletor é ga-ran-de-rê. Bucetinha nao tem vez! Fiz um esqueminha cientifico pra que vocês entendam:


Micro vagina (que parece uma folha - e que nem ta tao micro assim - desculpem, eu nao sei desenhar) + coletor-balde-menstrual = era uma vez uma micro vagina. 

Ok! Eu estou exagerando um pouco (eu ja disse que eu sou empolgada?). 

Bom, so sei que a encomenda veio numa boa hora. Terei minhas preciosas regras na semana que vem. Enquanto minha indisposiçao durar, revelarei aqui minha experiência com meu pequeno grande coletor, porque eu sei que vocês estao ansiosos pra saber como eu me viro com minha menstruçao. Eh, eu sei. 

* Amigo que deixa Luci pagar mico com traduçoes toscas no blog, sem corrigir, nao é amigo.

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Elas também ja escreveram sobre:



segunda-feira, 14 de março de 2011

Ao mestre com carinho

Professor piscante: bom sinal

Como eu disse aqui, hoje eu deveria apresentar um seminario sobre o Abbé Pierre. Na verdade, nao era bem sobre o cara, mas isso nao importa. O que também nao importa é que, como a sala é numerosa e nem todas as pessoas podem apresentar os seminarios, a professora divide os temas entre dois ou três alunos e, no dia da apresentaçao, ela faz um sorteio pra escolher quem deve apresentar. Aqueles que nao foram escolhidos pra fazer a apresentaçao devem entregar um trabalho escrito sobre o tema. Dessa forma, todo mundo se prepara pra o seminario. 

A professora dessa disciplina tem a fama de ser muito exigente. Exigente = grossa. Entao, eu que ja sou medrosa sem motivo, cheguei hoje na aula rezando forte pra nao ser a escolhida. A reza deu resultado. No meu lugar, uma coitada foi à frente da turma falar sobre Abbé Pierre e cia. No final da apresentaçao, a professora respirou fundo e começou:

"Vocês precisam deixar de lado essa mania de falar no futuro. Vocês sao historiadores, nao jornalistas. Como assim 'Abbé Pierre farah isso, farah aquilo'? Ele 'fez' isso, ele 'fez' aquilo. (...) Você fala demais 'personne'. E sua problematica? Nao tem nada a ver com uma problematica! (...)  Sua introduçao esta completamente confusa, você se perdeu entre dados e numeros. E sua conclusao nao corresponde ao que você disse durante o seminario"

Ela criticou ainda a menina por ela nao ter visto um filme que fala sobre o Abbé Pierre, disse que ela nao tinha se "doado pro trabalho". E ainda reclamou pelo fato da menina ter esquecido certas datas. Minha gente, vinte minutos seguidos de critica. Quando olhei pra menina, ela tava com cara de choro. Eu quase levantei da cadeira pra ir dar um abraço nela. Soh digo uma: me livrei de ter pago um micao chorando na frente de todo mundo. Foi duro. Inclusive, ela havia comentado comigo que mandou um email pra professora pedindo algumas dicas de livros pra fazer o trabalho e a resposta da professora foi simplesmente: "você nao tem capacidade de fazer uma pesquisa bibliografica?"

Meda.

Pra minha paz, essa nao é a unica professora que da coice. Mas da outra professora eu nao reclamo, porque a disciplina dela é feminismo puro, do começo ao fim, é lindo! Mas eu nao ouso abrir minha boca. Ela vive cortando os alunos, mas de uma forma grosseira mesmo. 

Outro dia, um desavisado foi inventar de dizer o que ele pensava sobre determinado assunto que estava sendo discutido. Infelizmente, a opiniao dele nao correspondia à opiniao da professora. Entao, ela olhou pra cara dele e disse:

- E o que você sabe sobre isso?!
- Eu nao sei, eu soh acho que...
- "Acha"? Acha o que? O que você sabe sobre isso?!
- O_o
- Você por acaso leu sobre isso?
- Nao... eu...
- Entao! 

Cri cri cri. 

O mesmo aluno, antes disso, tava comendo um sanduiche dentro da sala e ela disse "quando você vai terminar seu pic nic?". 

Uma aluna tava guardando o material dela quando a professora parou a aula e disse "mademoiselle, a aula ainda nao acabou, tenha respeito". E eu, louca, quando ainda nao havia testemunhado nada disso, fui perguntar a ela se eu poderia entregar um trabalho escrito no lugar de apresenta-lo como seminario.

- ...porque eu sou estrangeira, mimimi.
- E dai? Você pode fazê-lo mesmo assim! 
- Mimimi?
- Ok.

Eu devo ter feito cocô na calcinha depois que dei as costas a ela. Tenso! A de hoje foi ela escrachando os estrangeiros que entregam trabalhos com erro de ortografia. "Vocês tem o corretor! Coloquem no corretor!" Ela te corta se você fala, se você nao fala, se você come, se você respira, se você. 

Entao, é com muito orgulho que eu anuncio que eu ganhei uma piscadinha dela! Hihi Ela tinha falado de um mestrado lindo que eu queria muito fazer ano passado sobre trabalho e gênero, mas por haver a necessidade de um intercâmbio, eu desisti da idéia (desisti da idéia = nao passei :D). Mas o mestrado vai abrir na Lyon II e nao serao somente cinco vagas. Entao, achando que eu tinha alguma chance, fui falar com ela durante o intervalo da aula. Falamos durante uns dez minutos. Ela explicou o que eu precisava fazer. 

Quando voltamos à aula, uma menina começou a apresentaçao de um seminario sobre a Barbie (pois é...) e comentou que algumas até falavam. "Tem uma Barbie que diz que blablabli e isso deixou algumas feministas furiosas". Como eu nao entendi a frase, me virei pra Lucie e perguntei baixinho o que ela havia dito. A professora percebeu, levantou da cadeira e foi ao quadro escrever pra mim o que ela tinha dito: "a matematica é muito dificil". Quando eu li o que ela escreveu, olhei pra ela e ela deu um sorriso e uma piscadinha pra mim. Um SORRISO e uma PISCADINHA. Foi muita emoçao, meu povo. Pensando agora, acho que ela ta afim de mim. No final, os professores so querem que a gente mostre esforço e interesse pelo curso - e que a gente nao coma, nao fale e nao respire. 


quinta-feira, 10 de março de 2011

Emmaüs

Abbé Pierre nos anos 50 e muita atitude. Yo!
A Drixz do Café Velho acabou de se mudar pra Suécia e, tao logo chegou ao pais, partiu em busca dos utensilios domésticos - nao subestimemos a importância de um copo. Como ela também procurou lojas que vendem objetos de segunda mao, dei a sugestao do Emmaüs e agora vim aqui falar sobre ele, porque se trata de um projeto muito legal e muito conhecido na França.  

Emmaüs é uma instituiçao filantropica fundada por um sacerdote de Lyon, Abbé Pierre, ainda nos anos 50, que se espalhou pelo mundo todo, existindo hoje em quase 40 paises. O projeto atua em diversos campos: ajuda pessoas sem alojamento (o principal objetivo), os imigrantes, os famintos, os desempregados etc. Eh lindo, mas o que me interessa mesmo sao as lojas Emmaüs que vendem objetos e moveis de segunda mao. 

Irmaozinho, eu ainda estou no sol
Tem de tudo, minha gente, de abajur do século passado à geladeira. Eles vendem roupa, talher, bengala, sapato, novelo de la, muleta, livro e tudo o mais que possa ser vendido/doado. Apesar de se tratar de objetos usados, eles prezam por uma certa qualidade dos objetos à venda, claro, e os preços sao ridiculamente pequenos. Comprei uma carteira que eu amo pela bagatela de 50 centavos. Camilo, no ultimo final de semana, comprou uma mesa pro futuro escritorio dele por 25 euros e ela ta em excelente estado! E alias, varios moveis e objetos da nossa casa vieram do Emmaüs e vao voltar pra la quando nao precisarmos mais deles. 

Nao sei se essas lojas existem no Brasil porque, na minha opiniao, o funcionamento delas exige uma cultura bem particular e uma economia especifica. No Brasil, a gente nao tem o habito de se desfazer das coisas que estao velhas ou quebradas (muito menos das coisas que estao em bom estado, mas que nao utilizamos mais). A gente ou conserta, ou vende, ou da pros parentes/amigos, mas jogar fora? Jamais. Os franceses (e acho que muitos outros europeus) costumam jogar as coisas quebradas fora, ja que o conserto custa os olhos da cara aqui. E nao é raro ver objetos em otimo estado nas calçadas daqui (que ou vao pro lixo ou sao recuperados por alguém menos exigente). 

Uma vez, indo pro trabalho, vi um amontoado de roupas jogadas na calçada com um papel em cima onde se lia "sirvam-se". Horas depois, quando passei de volta, nao havia uma meia pra contar historia. Na minha familia nao existe essa de se desfazer das roupas: se nao cabe em mim, vai pra caçula ou pra prima. Nem sei como se dah o fim de uma roupa na nossa casa. Acho que a gente usa até ela se desfarelar no corpo.

O dinheiro das vendas desses objetos vai pra Associaçao, mas acho que a maioria das pessoas que vao ao Emmaüs ja nem se lembram do lado caritativo dela. Parece que o Emmaüs aqui na França é mais importante como regulador dessa cultura do desperdício que outra coisa. Mas isso é soh um pitaco. 

Das coisas que nao nos interessam: (1) Emmaüs é o nome da cidade em que Cristo apareceu depois de ressuscitar. (2) Vou apresentar na segunda-feira um seminario sobre o assunto. Oremos. (3) Eu tenho dificuldade pra escrever "ressuscitar" (é uma palavra que eu soh utilizo quando vou falar de Jesus. Aih ja viu, né...) 

Comentario mais ou menos (nada) a ver com a historia: a familia de Camilo passou essa semana em Lyon. A mae dele resolveu me ensinar a tricotar. Foi no Emmaüs, comprou agulha e linha de tricô e, mais cheia de boa vontade que Abbé Pierre, me ensinou uns pontos. Minha gente, que troço dificil é aquele? Pensei em estimular o cérebro dos meus filhos, aqueles que eu nao terei, colocando-os em aulas de xadrez ou bateria, mas agora eu vou coloca-los pra tricotar! Uma sessao de tricô e seu QI sobe uns cinco pontos. Nao o meu, claro, que pelo visto nem devo ter, porque ainda nao consegui fazer nada que prestasse. O que era pra ser um cachecol ta parecendo um ninho de passarinho. No pior dos casos, usarei como chapeu. Ou doarei pro Emmaüs. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Presente"

A Borboleta pediu a alguns amiguinhos pra que eles fizessem alguns posts tematicos pra comemorar seu aniversario. Eu fui uma das escolhidas (tou me achando?) e, como o tema era livre, decidi falar de um drama pelo qual estou passando ha algumas semanas. Preparem os lenços.

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Do caso do professor que nao tinha voz


E os visigodos conquistaram a Penin… bérica. Com a che… dos abbassides, em seissen… …renta e nove, ess… região vai se de…volver por um perio…

É assim que tem me chegado as informações da disciplina de Historia Medieval. O professor tem um pequeno probleminha de voz que não o permite falar todas as palavras, a voz dele falha completamente em certos momentos. Detalhe importante: faço essa graduação na França, então, além do esforço que tenho que fazer pra entender o que esta sendo dito, tenho agora que me esforçar pra saber aquilo que não esta sendo. "Tina", por exemplo, é Palestina. Não que ele erre sempre e exatamente nas mesmas silabas/palavras, mas a repetição é freqüente e Palestina virou Tina varias vezes.

(Para continuar lendo, clique aqui). 



segunda-feira, 7 de março de 2011

Crazy Creuza


Oi, eu sou uma farsa!


Lembram quando escrevi esse post falando sobre o quanto o guri tava mimado e dificil? Ok, vocês nao lembram. Mas eu escrevi. Pois bem, o guri mudou. Mudou e virou a coisinha mais fofa!, comportada! e inteligente! desse mundo. Ele ja começa a falar e entende tudo o que dizemos a ele (seja em português, seja em francês). Ele vai fazer dois anos e ja caga no sanitario, minha gente. Eh mesmo um prodigio. E ha tempos ja come de garfo! Claro que eu sempre fico esperando que um dia eu o encontre com o garfo enfiado no olho, mas se a mae libera, nao sou eu que vou castrar o garoto. Tou super orgulhosa e curiosa com o desenvolvimento dele. O trabalho de babah acabou se tornando a melhor atividade da semana. Mas...

Mas.

Um professor anunciou, no começo do semestre, que os horarios da sua aula estavam errados e que passariam a ser na sexta-feira, o unico dia que eu tinha pra trabalhar. Ou seja, além de nao poder mais acompanhar o pequeno, eu fiquei desempregada. A rua da amargura me espera. E, como gostamos de situaçoes extremas, Camilo se demitiu também e daqui a alguns dias seremos um casal de desempregados. Nosso objetivo agora é mostrar ao mundo que um casal pode sim viver de amor. Vamos comer carinho no café da manha e amor no almoço. As cinco da tarde faremos um lanchinho de afeto e, à noite, comeremos ternura. Dinheiro pra que, nao é mesmo?

Mas antes do trabalho acabar, a mae do guri perguntou se eu poderia trabalhar como babysitter durante três segundas-feiras seguidas. Eu topei, apesar de ter durante a segunda  dez horas de aula seguidas (com apenas um intervalo de 15min a cada 1:45h de aula). Mas eu precisava de dinheiro e so tomaria conta do guri, a irma dele (de cinco meses) ficaria na casa de uma vizinha (porque eu nunca tomei conta de um bebê tao novinho antes). Soh que, no terceiro e ultimo dia de babysitter, a mae perguntou se eu me garantiria de tomar conta da bebê também. Eu disse que sim, mas somente porque, nessa noite, Camilo iria comigo pra conhecer os pais do guri e me fazer companhia (ja que eu trabalharia até meia-noite).

Tudo certo. 

A mae começa a dar as instruçoes e a explicar os habitos da guria. "Ela nao gosta de ficar no berço e provavelmente soh vai dormir nos seus braços. As vezes, quando a gente tenta coloca-la no berço, quando ela começa a dormir, ela acorda. E acorda cheia de energia". Em outras palavras: você vai segurar sete quilos das 20h à meia-noite, beijos. 

Posso adiantar logo? Foi a pior noite de trabalho da minha vida. Aquele bebê nao é de Deus, minha gente. Assim que a mae saiu, ela começou a chorar e nao-parou-mais. Eu e Camilo colocamos um desenho infantil, esperando que ela se distraisse e deu certo! Deu certo durante sete segundos e meio. Depois de meia hora chorando, ela começou a mastigar um brinquedo e se acalmou durante incriveis 20min. Mas o brinquedo deixou de exercer seu efeito magico sobre ela e o choro voltou. 

Como ela estava sempre nos meus braços, o choro era beeem dentro do meu ouvido. Eu fiz de tudo: falei, sorri, a sacudi, a coloquei no berço, mostrei a ela todos os brinquedos da casa, dancei mas... nada. Nada acalmava aquela menina. Era aquele choro constante e agudo. As 22:30h, quando a mae disse que, provavelmente, ela dormiria, eu a coloquei no berço. Minha nossa senhora. Essa menina começou a chorar de um jeito que... Olha, nem sei explicar. Ela gritou e chorou ainda mais. As veias do pescoço dela saltaram e ela ficou roxa. Os olhos, esbugalhados. Achei que os pulmoes dela fossem voar pela boca. Temendo que ela explodisse, peguei ela de volta, mas ela continuou a chorar. Corri pra Camilo e entreguei o pacote, porque tendências homicidas começaram a nascer em meu ser. 

Luci
As 23h, Camilo começou a assoviar e a dar tapinhas nas costas dela pra que ela arrotasse. A menina parecia um pedreiro arrotando. De repente, ela começou a se calar e eu comecei uma oraçao. Quando Camilo ja nao sentia mais os proprios braços, ela começou a dormir. Eu sentei no sofa completamente perturbada, ainda escutando o choro da menina. Trinta minutos depois, os pais chegaram e ela... acordou. Acordou sorrindo! E eu la, dura. 

A mae perguntou se ela tinha chorado muito e eu narrei a noite (deixando de lado a parte em que eu quis matar a filha dela). Ela pediu desculpa e explicou que Creuza tah acostumada com a mae e que costuma estranhar as pessoas que ela nao conhece. Depois, ela disse que, agora que Creuza me conhecia, seria mais facil nas proximas vezes. Minha senhora, agora que eu conheço a sua filha, nao havera mais proxima vez. Mentira, eu sorri nervoso. 

Depois ela disse "espero que vocês nao estejam traumatizados e ainda pensem em ter filhos he-he-he". Querida, no primeiro ataque de choro dela, eu tentei arrancar meu utero com as unhas! Sério, imaginem isso todo-santo-dia. Deus me livre! A menos que eu tenha certeza de que meu filho sera um bebê Anne Gueddes, nao parirei. E eu bato na primeira que deixar comentario dizendo que eu soh tive uma experiência ruim e que bebês sao fofos! 


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Felicidade de dois segundos

Ao contrario do semestre anterior, coloquei a metade dos meus seminarios nas primeiras semanas de aula (isso também explica meu sumiço dos meios sociais virtuais). Essa semana, pedi pra Camilo corrigir o texto de um dos seminarios.

- Essa frase aqui ta muito bem construida! Foi tu quem fez?
(Eu, que duvido das minhas habilidades na escrita): 
- Nao sei, acho que nao...
- Nao, foi tu mesma! Da pra ver pelos erros de gramatica...

:(


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

#200

Post super rapido soh pra levar pra longe as lamentaçoes do post passado. Xô! E pra agradecer os comentarios de apoio. Tao lindos! Eu sempre fico emocionada com vocês, minha gente, sempre. Obrigada, de verdade.

Dentro das preocupaçoes, a universidade trouxe uma coisa boa: uma academia. Fiquei sabendo que havia um ginasio e que eu poderia me inscrever por miseros dez euros. Trarei mais informaçoes sobre esse evento fabuloso quando o ânimo chegar. 

Ah, chegamos aos 200 posts. Obrigada pela companhia!



Xau

As notas da faculdade sairam. Das cinco disciplinas que fiz, passei somente em três e com notas deprimentes. Como ja tava esperando ter ficado em recuperaçao nas outras duas, o golpe nao foi tao duro. Até que... até que vi um pequeno detalhe na lista das notas: uma sexta disciplina na qual eu nao sabia estar inscrita. Ou seja, eu, que nunca faltei uma aula, que sequer chego atrasada, perdi toda uma disciplina por nao saber que estava matriculada nela. Olha, é preciso ter muito talento pra conseguir isso. Isso foi o que eu precisava pra dar inicio a uma sessao de choro e auto-flagelaçao. Tou completamente desmotivada aqui, mergulhada num sentimento de fracasso nojento. Como posso pensar num mestrado se eu nao consigo nem mesmo fazer uma dissertaçao? 

Bom, as aulas começaram segunda e ja tenho a data de pelo menos três seminarios. Acho que ter ficado em recuperaçao nessas disciplinas me fez ver que meu desespero e todo o sofrimento que passei no semestre passado foram de graça. Agora o mote vai ser o "foda-se". Se chorar me fizesse tirar boas notas, eu seria doutora. Vou levar como eu posso esse semestre e deixar de visualizar o diploma pra ver se me livro dessa pressao. Ainda bem que nao sou chinesa. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Musica francesa: Mr. Roux




Mr. Roux é uma banda de chanson française da cidade de Rennes, norte da França. Otima dica pra quem esta aprendendo francês. As letras sao legais. Algumas sao cheias de sarcasmo e fazem pequenas criticas sobre alguns elementos da sociedade francesa. Mas nao é isso que me faz gostar da banda (até porque, pra mim, arte nao precisa ser engajada). Foi Camilo quem me apresentou à banda, em 2007, quando ele apareceu pelo Brasil. Por isso, esse album me traz otimas lembranças, me leva à época da inocência, quando a nossa maior preocupaçao era a escolha do bar de sabado à noite. Tempos dificeis. 


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Maracugina


Fiapo no dente! Aaahhh!


Nao é preciso me conhecer muito bem pra saber que eu sou uma mulher bruta. Ja sofri e fiz sofrer muita gente por causa disso. Ultimamente, tou mais calminha (essa frase deve ter feito Camilo rir). Seja como for, a cavala que habita em mim é um verdadeiro ursinho de pelucia perto do meu roommate. 

Antes dele morar aqui em casa, perguntei a duas pessoas que o conheciam bem se ele era legal. O dialogo foi o mesmo com as duas:

- Ah, ele é otimo! Eh engraçado, é atencioso...
- Otimo, porque ele vai morar com a gente.
- Morar?! Ah, nao, pra morar nao!

Nao era o que eu queria ouvir. Também nao demorou muito tempo pra eu descobrir o porquê disso. O cara é um pouco esquentado. Uma vez, conversando com sua mae ao celular, uma chinesa, ele ficou muito puto e chutou um negocio de ferro que fez o pé dele abrir e dar um banho de sangue na casa. Na ocasiao, ele também quebrou o celular no chao. 

Outra vez, ele foi acordado por um pessoal que estava conversando perto da janela do quarto dele. Como resolver essa situaçao?

Pessoa normal: "por favor, vocês poderiam conversar em outro lugar, porque eu estou tentando dormir. Obrigado".

Ele: foi no quintal, mandou todo mundo tomar no cu, estirou dedo, depois quebrou uma cadeira e uma xicara. Outro dia, sei la pelo quê, quebrou uma mesa. O bom é que geralmente eu fico sozinha com ele em casa, entao, quando eu começo a me apavorar com as pancadas que ele faz enquanto destroi a casa, eu me lembro que pode ser ele nas suas atividades e deixo pra la. Até porque, ja falei do detalhe que ele é faixa preta no Kung Fu? Pois bem, ele é. 

So que essa semana, Pai Mei passou um pouquinho dos limites. Camilo, feliz e contente, mandou um email pra todos os seus contatos convidando o pessoal pra sua festa de aniversario. A gente sabe como é dificil manter controlado os convidados bêbados, principalmente aqueles que nao conhecem o dono da festa e usam o momento pra fazer merda (na ultima festa que houve aqui em casa, mijaram num colchao que fica no subsolo). Entao, Camilo, inocentemente, disse ao final do email que nohs tinhamos um chinês que fazia Kung Fu e que nao ia tolerar as pessoas que viessem quebrar a casa. 

Pra que?

Eu, que no momento em que lia o email, estava em casa, comecei a ouvir umas pancadas fortes vindo do quarto dele, algo como batidas de porta, mas de maneira muito mais alta e intensa. Fiquei apavorada, apesar de saber do que se tratava (e talvez por isso). Finalmente, um outro morador da casa chegou e perguntou a Pai Mei o que porra ele tava fazendo. Nao escutei a explicaçao, mas quando chegou à noite, entendi o motivo: encontrei Camilo num restaurante e ele disse que o estressado havia respondido ao email quatro vezes. As mensagens sao bem carinhosas: ele manda Camilo tomar no cu, diz que vai bater nos amigos dele, que vai bater em Camilo, inclusive, que vai matar Camilo e que vai fazer realmente isso pra Camilo ver que ele nao ta brincando. Dai vocês me perguntam: por qual motivo ele vai fazer isso? E quem sabe! Eu fiquei tao assustada que disse que Camilo nao ia ficar sozinho com ele quando voltasse pra casa pra conversar com ele.

No final das contas, aconteceu o que a gente sabia que aconteceria: ainda por telefone, ele pediu desculpas a Camilo e depois teve uma conversa muito sincera sobre o quanto ele estava errado e sobre o quanto ele deveria mudar. Nohs, os estressados, violentos, temos consciência absoluta da nossa ignorância e do quanto isso afeta nossos relacionamentos. E o pior: justamente aqueles que sao os mais proximos e, consequentemente, os mais queridos. Eh uma maldiçao. Mas tudo acabou bem e Pai Mei ta pensando em deixar a casa em fevereiro.

PS. nao estranhem se eu deletar esse post dentro dos proximos dias. Seguro de vida: nao temos. 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Diario de férias - parte II

Luci vai ao parque

Nunca fui alguém que se preocupa com o peso. Achei que fosse porque eu seria uma pessoa livre, que nao liga pra aparência e esses padroes de beleza impostos pela nossa feliz sociedade. Mas nao, eu nao era uma pessoa despreocupada, eu era uma pessoa magra. Como isso mudou, senti que eu deveria mudar de habito e começar a praticar algum exercicio. Pensei que, ainda que eu nao conseguisse emagrecer ou que nao tivesse disciplina pra me exercitar todos os dias, mal nao me faria correr no parque. Pois eu pensei errado. 

Da escalada eu ja me livrei ha muito tempo, afinal, nao faz sentido praticar um exercicio a dez metros do chao quando você tem medo de altura. Além disso, escalada é um esporte caro e a realidade é que eu sou pobre. 

vejam que absurdo essa
mulher correndo
Correr ao ar livre nao foi uma decisao facil, afinal, meus amigos, la fora beira os 2° graus. Mas o pior mesmo da corrida é que você tem que... correr. Eh uma pratica terrivel! Mas la fui eu: me vesti pra ocasiao, caminhei até o parque e passei os 30min seguintes imaginando sob o pé de qual arvore eu seria estuprada, porque, né, nesse frio miseravel, as unicas criaturas que estao no parque sao os esquilos e eu, e eu nao acredito que algum esquilo me ajudaria caso eu fosse abordada por alguém. 

Corri bravamente no primeiro dia. Cheguei em casa me sentindo a saudavel. No dia seguinte, senti mais que isso: senti uma dor malandra em todos os musculos que se encontravam da cintura pra baixo, mas fui correr. Cheguei em casa tao exausta que eu nao sabia se me sentava ou se me jogava logo no chao. No terceiro dia, contrariando todas as probabilidades que de que eu continuaria com o martirio, fui correr. Acho que eu tava sob efeito de algum desequilibrio quimico provocado pelo exercicio, algo com o qual meu corpo nao estava acostumado, porque a cada passada, eu sofria mais, mas continuava. Comecei a pedir ao arcanjo que cuida dos esportistas que me desse forças pra pelo menos chegar em casa com meus proprios pés. Descobri que, pra fazer exercicio, nao basta estar gorda, ser pobre e nao ter noçao: é preciso ter coragem. E adivinha quem nao tem.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diario de férias - parte I


...mas podem me chamar de Rai 

Sim, férias! Mas nao férias safadas como as de dezembro, em que eu tive que estudar pras provas de janeiro. Nao, sao férias sinceras: o semestre finalmente acabou. Mas os ultimos momentos, claro, foram tensos, senao a vida fica sem graça. 

Eu tinha duas provas escritas pras disciplinas de Historia da Africa e Historia Antiga. O conteudo de Africa era uma abordagem politica e social de alguns paises do continente africano colonizados pela Europa, até os dias atuais. O professor de Africa nao é nada exigente. 

- Professor, eu sou obrigada a apresentar o trabalho?
- Que nada! Você é estrangeira, pode entregar por escrito.
- :D

Claro que eu poderia dizer "o senhor por acaso esta sugerindo que eu, na condiçao de estrangeira, nao tenho capacidade de seguir o curso tal qual o faz um aluno francês? Pois saiba o senhor que eu..."

Que eu vou entregar o trabalho por escrito. Obrigada.

Escolhi Moçambique como tema. Semanas depois, antes de entregar o trabalho ao professor, mostrei à minha nova coleguinha francesa (eu tenho uma coleguinha francesa, iupi!) meu trabalho e ela perguntou, "Luciana, tu nao ia fazer sobre Moçambique? Por que fizesse sobre Madagascar?" 

Taih uma pergunta pertinente.

Sei la. Porque era tudo com "M"? Porque eles estao proximos? Ok, nao foi por isso. Acho que eu tou sofrendo algum tipo de demência leve nesses ultimos tempos.  Peguei um livro na estante pra ler no metrô. Quando cheguei nele, percebi, ao abrir o livro, que eu ja o tinha lido. Derrotada, guardei o livro na bolsa e continuei o trajeto. Desci do metrô, olhei em volta e me perguntei pra onde eu estava indo: tinha que ir pra universidade e fui pro trabalho! Era o dia da prova de Antiga. Sai bem cedo de casa pra nao chegar atrasada e me atrasei 15min. Dois dias antes, peguei o metrô, fui pra direçao certa e ia esquecendo de descer na estaçao. Quando as portas estavam dando o sinal sonoro de que se fechariam, eu dei um salto sobre a cabeça das pessoas e consegui descer. Abestalhamento: trabalhamos. 

Finalmente, nao sei nada sobre a colonizaçao de Moçambique, mas imagino que teria sido mais interessante que a de Madagascar. Moramos com um malgaxe que se chama Toky Rakotomalala, mas respirei fundo quando me deparei com nomes como o do Primeiro Ministro da Ilha: Rainivoninahitriniony. E o que dizer de Andrianampoinimerina? Como eu disse no twitter, fico imaginando o apelido carinhoso desse povo. "Andrianampoinimerinazinho, venha comer, meu filho!" A namorada dele precisava de uma sequoia e 45min pra talhar o nome dos dois.


Enfim, divago. O importante é que decorar nomes nao esta entre minhas habilidades (que sao respirar e dormir), entao, num voo até meus tempos de escola, peguei meu dicionario francês-português e sai escrevendo nas paginas todos os nomes, conceitos e datas que eu poderia precisar na hora do exame (Professor, se o senhor estiver lendo isso, por favor, nao me reprove, eu sou estrangeira). 

Como o sistema deu certo (ninguém me pegou em flagrante), repeti a dose na prova de Antiga. Mas essa mereceu. Essa professora tocou o terror na minha vida nesses ultimos quatro meses. O conteudo da disciplina trata do Alto Império Romano (no Oriente, de - 31 até 235). Entao, ela passou meses falando do que aconteceu em cada provincia romana nesse periodo, sob o governo de cada imperador, deu o dia, mês e ano dos acontecimentos, a arvore genealogica das personagens envolvidas e... Meu deus. 

"Em 22, em 17 e em 13: grande revolta dos Besses sob direçao do seu rei Vologese. Os Besses vao tirar  Rhoimetalkes I do poder e fazer sumir o filho de Cotys V, Rhescuporis II. Os romanos intervem durante três anos e, em 11, ha a pacificaçao da Tracia. Rhoimetalkes I é nomeado rei de toda a Tracia". 

"No Egito, sob reino de Tibério: ha somente duas legioes estacionadas em Nicopolis. Sob o reino de Trajano: uma terceira legiao é adicionada: a II Traiana. Entre 106 e 123, a III Cyrenaique é enviada à Bostra e em 135, a XXIII Deitoriana é desfeita, ficando somente uma legiao no Egito, a II Traiana". 

Agora vocês entendem porque eu chorava tanto? Esses sao dois pequenos exemplos que eu peguei ao acaso nos resumos, mas eu tive que estudar quarenta paginas disso. Quarenta paginas falando do que fez cada imperador, de quem atacou quem, em tal ano, quem morreu, quem se matou, quem deu tal ordem, bla bla bla. Perguntei desesperada à brasileira se a professora exigia esses detalhes na prova e ela disse que sim. Fiz quase 30 paginas de resumo desenhando mapas, fazendo os caminhos das legioes com setinhas, usando canetinhas coloridas e letras diferentes que pudessem me fazer rememorar meus resumos pra que, no final das contas, a professora desse como tema "as elites municipais nas provincias romanas". Fiz a prova com ajuda do meu super dicionario, mas nao tenho a minima idéia de como me sai, afinal, eu sabia falar sobre o papel das elites municipais, mas nao sei se o fiz em forma de dissertaçao. E aqui nao adianta saber do conteudo, tem que saber a forma e, essa aih, eu nao sei. Oremos. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Introduçao



Diante dos inumeros pedidos (um) pra que eu atualizasse o blog, começo o primeiro post oficial do ano de 2011 com grande empolgaçao. Depois de duas semanas, ainda vale falar do Reveillon? 

Vale.

Gente, meu Reveillon foi lindo. Simplesmente recebi as visitas ilustres de Amanda e Aline e passamos uma romântica noite falando besteira e bebendo cerveja. Quem teve o privilégio de passar as festas de fim de ano com os amigos e familiares, nao vai entender o quanto foi importante pra mim estar finalmente com gente "minha". Amanda e eu começamos a conversar quando a recebemos (junto a seu cheri) na estaçao de Lyon até o momento em que nos despedimos (nao parei de falar nem enquanto dormia: meses sem amigos dao nisso). 

A gente foi dar uma voltinha por Lyon e Amanda e Aurelian começaram um joguinho cujo objetivo parecia ser pisar no maior numero de cocôs possiveis. Esqueci de avisa-los que aqui tem que ser ninja pra nao derrapar nos toletinhos que enfeitam as ruas lionesas. O casal levou pra casa um quilo de cocô na sola das botas (tendo Amanda ganho o jogo depois de quase pisar na segunda merda tentando limpar a primeira). Parabéns! Aline nos deu uma avacalhada linda caixa de chocolate Lindt de um quilo. Obrigada, minhas lombrigas apreciaram muito o gesto. 

Mas nao era exatamente sobre a festa do Reveillon que eu gostaria de falar. Eh sobre gente. De volta à Paris, Amanda me mandou um email muito massa falando que se sentiu muito bem aqui em casa, à vontade e que gargalhou às alturas. Me digam: nao é lindo isso? Fiquei, além de muito lisonjeada, claro, feliz de encontrar pessoas por essas bandas que pensam da forma que eu penso, que sabem viver (de acordo com a definiçao que eu tenho do que seja "vida", é claro). 

Conheci as meninas em 2009 e era mais do que esperado que as coisas rumassem pra uma amizade. E, em 2010, sai conhecendo um outro monte de gente interessante, que talvez eu nunca va conhecer pessoalmente, mas que eu adoro e que me faz muito bem (Xara, Gloria e Rita, soh pra ficar na introduçao). Dai vi que eu precisava, além de investir nessas pessoas, cortar o mal estar que outras me proporcionavam. As férias de Barcelona e uma internet limitada, fizeram com que eu deixasse de visitar alguns sites que, olha, nao fizeram falta. Quando voltei a Lyon, sai evitando, bloqueando, deletando e dando unfollow em tudo e todos que nao me traziam nada de positivo e... que idéia brilhante! Entao, minhas resoluçoes pra 2011 nao tem nada a ver com trocar de emprego ou emagrecer (apesar de...). Vou investir em gente boa e dar um conselho: façam o mesmo. 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Feeling Good

Nao encontrei melhor maneira de expressar a felicidade das minhas primeiras horas de 2011. Deixo que fale quem soube: 

Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Fish in the sea you know how I feel
River running free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean

And this old world is a new world
And a bold world
For me

Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Oh freedom is mine
And I know how I feel



Pássaros voando alto, você sabe como me sinto
Sol no céu,você sabe como me sinto
Briza passando,você sabe como me sinto

É um novo amanhecer
É um novo dia
É uma nova vida
Pra mim
E estou me sentindo bem

Peixe no mar, você sabe como me sinto
Rio correndo livre, você sabe como me sinto
Florescer na árvore,você sabe como me sinto

Libélula ao Sol,você sabe o que eu quero dizer, não sabe?
Borboletas se divertindo, você sabe o que eu quero dizer
Adormecer em paz ao fim do dia
Isso que eu quero dizer!

E este velho mundo é um novo mundo
E um corajoso mundo
Pra mim

Estrelas quando brilham, você sabe como me sinto
Aroma do pinheiro, você sabe como me sinto
Oh a liberdade é minha
E eu sei como me sinto

Talvez

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